sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Australopitecos usavam ferramentas para comer

Os ancestrais da espécie humana usaram ferramentas muito antes do que se pensava. A descoberta foi feita através de marcas em ossos fossilizados no este na Etiópia.

Os fósseis serviram para demonstrar, segundo a investigação publicada hoje na Nature, que os congéneres da famosa Lucy, ou seja, os Australopithecus afarensis, utilizavam, há 3,4 milhões de anos, pedras afiadas para tirar a carne dos ossos das presas. As marcas revelam ainda que, através das ferramentas, tentavam chegar à medula, cujo teor nutritivo é elevado.

Esta descoberta atrasa quase um milhão de anos esta capacidade dos antepassados da nossa espécie. Até agora, as ferramentas mais antigas encontradas datavam de 2,6 ou 2,5 milhões de anos, como recordam no estudo Shannon McPherron, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva da Alemanha e o etíope Zeresenay Alemseged, da Academia de Ciências da Califórnia.

Este tipo de utensílios era atribuído ao Homo habilis, cujo crânio era 40 por cento maior do que o Australopithecus.

No ano passado, os paleoantropólogos encontraram uma costela de um mamífero do tamanho de uma vaca e o fémur de um antílope. Ambos tinham sinais que, como se descobriu posteriormente através de microscópios electrónicos e espectógrafos, eram da mesma época dos fósseis.

Quando imaginamos a Lucy na paisagem este de África à procura de comida, agora podemos vê-la pela primeira vez com uma ferramenta de pedra na mão em busca de carne”, afirmou McPherron.

sábado, 7 de agosto de 2010

Journal of Human Evolution


Volume 59, Issue 1, Pages 1-154 (July 2010)
Destaques:

Stratigraphic context and direct dating of the Neandertal mandible from Cova del Gegant (Sitges, Barcelona)

J. Daura, M. Sanz, A.W.G. Pike, M.E. Subirà, J.J. Fornó, J.M. Fullola, R. Julià and J. Zilhão


Using genetic evidence to evaluate four palaeoanthropological hypotheses for the timing of Neanderthal and modern human origins

Phillip Endicott, Simon Y.W. Ho and Chris Stringer


Subsistence activities and the sexual division of labor in the European Upper Paleolithic and Mesolithic: Evidence from upper limb enthesopathies

Sébastien Villotte, Steven E. Churchill, Olivier J. Dutour and Dominique Henry-Gambier

terça-feira, 3 de agosto de 2010

MESO 2010 Conference Preliminary Programme



Regarding the upcoming Conference of MESO 2010, please click on this link http://www.meso2010.com/programme.html for updated information about the Preliminary Programmes of the General Sections and Monographic Sessions.
This information is uploaded on the conference website www.meso2010.com.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ciclo de Conferências de Jovens Investigadores


Inicia-se já no próximo dia 24 de Julho, sábado, o Ciclo de Conferências de Jovens Investigadores, com organização conjunta da Sociedade Martins Sarmento e do CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (FCT - UM).

Este evento vai prolongar-se até Dezembro, com sessões mensais, perfazendo um total de seis sessões. Os comunicantes são jovens investigadores na área da Arqueologia e irão apresentar comunicações breves acerca de temáticas variadas, nas quais têm desenvolvido as suas investigações, desde o Paleolítico até à Idade Moderna.

Mais informações em:

sábado, 17 de julho de 2010

Símios e hominídeos «separaram-se» mais tarde do que se pensava

Nova peça do «puzzle» da evolução humana encontrada na Arábia Saudita
2010-07-15, in Ciência Hoje




Fragmentos do crânio do ‘Saadanius hijazensis’ (foto: Museu de Paleontologia / Univ. de Michigan)
Fragmentos do crânio do ‘Saadanius hijazensis’ (foto: Museu de Paleontologia / Univ. de Michigan)

A descoberta, na Arábia Saudita, dos restos fossilizados de um primata desconhecido pode ser a chave para se descobrir o momento em que os símios e hominídeos seguiram caminhos diferentes.

Cientistas de várias universidades americanas revelam esta semana, na revista Nature, a descoberta do crânio de uma espécie de símio, que foi baptizado de "Saadanius hijazansis" e que viveu há entre 29 e 24 milhões de anos na Arábia Saudita, local onde os seus restos mortais foram encontrados.

No estudo, liderado por Lyad S. Zalmout, da Universidade de Michigan, os investigadores assinalam que este primata, que pesava entre 15 e 20 quilos, tem características que retardam o momento de divergência entre o ramo dos grandes primatas (gorilas, chimpanzés, humanos e orangotangos) e o dos símios cercopitecoídeos (macacos, babuínos, etc.), que têm origem num antepassado comum.

As estimativas que tinham sido realizadas com o genoma indicavam que a separação tinha ocorrido entre 35 e 30 milhões de anos, mas nunca tinham sido encontrados fósseis que suportassem estas conclusões sobre a divergência genética entre os dois ramos.

Fóssil foi encontrado em 2009  (foto: Museu de Paleontologia / Univ. de Michigan)
Fóssil foi encontrado em 2009 (foto: Museu de Paleontologia / Univ. de Michigan)
Esta “vazio” foi agora preenchido com esta descoberta. Segundo os investigadores, o fóssil apresenta algumas características do antepassado comum entre os símios e os hominídeos, o que implica que esta divergência tenha ocorrido mais tarde do que se pensava até agora.

Os autores do estudo acreditam que os resultados obtidos são uma peça fundamental para a compreensão da natureza e da sincronização dos acontecimentos filogenéticos relevantes para as origens humanas.

História do ser humano ganha espaço próprio em Burgos

Inaugurado «Museo de la Evolución Humana»
2010-07-15, in Ciência Hoje

Difundir conhecimento sobre a evolução da espécie humana é o objectivo principal do museu inaugurado terça-feira em Burgos (província de Castela e Leão, Espanha). Foi a partir dos achados e da investigação que se realiza há várias décadas na Serra de Atapuerca, que nasceu Museu da Evolução Humana (MEH). O Museu quer ser uma referência mundial nesta matéria, até porque Atapuerca (situada na província de Burgos), sítio declarado património da Humanidade pela Unesco, em 2000, constitui o maior conjunto de achados sobre a história humana.


Organizado a partir de um guião científico elaborado por José María Bermúdez de Castro, Eudald Carbonell e Juan Luis Arsuaga, os três directores do projecto de Investigação da serra de Atapuerca, que fazem agora parte do comité científico do MEH, o espaço, de 12 mil metros quadrados, divide-se em vários pisos.

O projecto de paisagismo no interior do edifício recria a cenografia da Serra de Atapuerca. O piso menos um, concebido como o coração do museu, é um espaço expositivo que reproduz o complexo arqueológico-paleontológico daquele sítio.

O piso zero é dedicado à Teoria da Evolução de Darwin e à história da evolução humana. Aqui, pode encontrar-se a reprodução da popa do famoso Beagle, navio onde Darwin fez a expedição de investigação que motivou a escrita de «A Origem das Espécies».

Burgos, província de Castela e Leão, Espanha
Burgos, província de Castela e Leão, Espanha

No seguinte fala-se, principalmente, de cultura humana. O que nos liga e nos diferencia do homem caçador-recolector de há 9 mil anos e como foi a evolução da cultura material e tecnológica ao longo do tempo são as questões aqui propostas.

Há também uma zona dedicada à arte rupestre e várias maquetes que recriam os povoados das comunidades tanto nómadas como sedentárias.

Por fim, no último piso, recriam-se os três ecossistemas fundamentais da evolução humana: a selva, a savana e a estepe da última glaciação.

De referir que outro dos grandes atractivos do museu são as esculturas da artista francesa Elisabeth Daynès, especialista em reinventar a imagem dos nossos antepassados.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A estrada da evolução

A área do curso médio do rio Awash, na Etiópia, é a região da Terra com uma~ocupação humana mais persistente. Há quase seis milhões de anos que membros da nossa linhagem ali vivem. Entretanto, a erosão solta ossadas do solo. Caso a caso, elas documentam a maneira como um primata foi evoluindo até conquistar o planeta. Haverá melhor sítio para perceber como nos tornámos humanos? 

Fotografia por Tim D. Branca. Reconstrução digital do Ardipithecus ramidus, modelado em resina.

A vida é frágil em África, mas alguns restos mortais têm uma história para contar. A bacia de Afar localiza-se mesmo em cima de uma falha, em alargamento, da crosta terrestre. Ao longo das eras, os vulcões, os terramotos e a lenta acumulação de sedimentos convergiram entre si para enterrar as ossadas e, muito mais tarde, as devolverem à superfície sob a forma de fósseis. De acordo com o paleoantropólogo Tim White, da
Universidade da Califórnia, “há milhões de anos que morrem pessoas neste lugar. De vez em quando, temos a sorte de descobrir aquilo que delas resta”.
No passado mês de Outubro, o projecto de investigação Middle Awash, co-dirigido por Tim White juntamente com os colegas Berhane Asfaw e Giday WoldeGabriel, anunciou um achado produzido 15 anos antes: a descoberta do esqueleto de um membro da família humana morto há 4,4 milhões de anos num local denominado Aramis, cerca de trinta quilómetros a norte do lago Yardi. Pertencente à espécie Ardipithecus ramidus, esta adulta (baptizada “Ardi”) tem mais de um milhão de anos do que a famosa Lucy e fornece informação sobre um dos problemas--chave da evolução: a natureza do antepassado que partilhamos com os chimpanzés.

Texto de Jamie Shreeve
Reportagem completa in nationalgeographic do mês de Julho.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A idade dos reinados do antigo Egipto confirmou-se nos vegetais

A utilidade do espólio dos museus renova-se a cada tecnologia e abordagem. Desta vez, uma equipa de cientistas resolveu datar os compostos de origem vegetal associados a achados arqueológicos. O artigo na Science confirma a cronologia conhecida. Com pequenos desvios.

Um papiro de Lahun, material vagetalUm papiro de Lahun, material vagetal

(Ezra Marcus/Science)

Diz-me, esfinge, de que ano és tu? Construir a cronologia do Egipto não foi uma tarefa simples. São algumas dezenas de reis durante 1700 anos de história com sucessões de dinastias, intrigas palacianas, envenenamentos, guerras com povos vizinhos, separações e reunificações de reinos, catástrofes naturais.
Pelo meio dos reinos Antigo, Médio e Novo, existiram períodos suficientemente anárquicos para lhes chamarmos de intermédios. As poucas coisas constantes que ainda hoje podemos ver naquela região do Nordeste de África são as enchentes anuais do Nilo e algumas pirâmides que foram construídas e marcaram a paisagem para sempre.
Ao longo dos séculos XIX e XX a egiptologia serviu-se dos manuscritos para inferir a cronologia dos reinos. Muitas vezes, utilizando comparações com acontecimentos que se passavam em povos vizinhos, mas também utilizando referências astronómicas. Agora, uma equipa internacional de cientistas analisou amostras de compostos orgânicos vegetais para fazer uma datação com carbono radioactivo. O estudo foi publicado hoje na Science.
"Pela primeira vez, a datação por carbono radioactivo tornou-se suficientemente precisa para confinar a história do antigo Egipto a datas específicas", disse em comunicado Bronk Ramsey, investigador da Universidade de Oxford e primeiro autor do artigo. "Acho que os estudiosos e os cientistas vão ficar contentes em saber que uma pequena equipa de investigadores corroborou em apenas três anos um século de estudos."
Através da datação do material, feita com a análise do carbono 14, conseguiu-se obter o período temporal de cada reinado. Apesar de ter existido um calendário no antigo Egipto, este tinha uma datação relativa. "O rei subia ao poder e isso era o ano um, quando o rei morria acabava o tempo", explicou por telefone ao P2 Luís Manuel de Araújo, egiptólogo da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Os egípcios contabilizavam o ano como nós, com 365 dias, mas "este tempo tem que coincidir com uma datação absoluta", acrescenta o professor.

Contributo sólido
A equipa juntou 211 amostras arqueológicas que estavam em colecções e foram cedidas pelos museus. Cada material estava associado a um dado local arqueológico e por isso a um rei. As sementes, cestos, têxteis, caules de plantas e frutos integraram as análises de datação. De fora, ficaram amostras como madeiras, que podiam trair a idade do local por terem sido reutilizadas e serem mais velhas do que o reinado onde foram encontradas. Foram também excluídas datações de amostras que tivessem sido encontradas em locais onde existiam outras com idades muito divergentes.
Os resultados obtidos com o carbono 14 foram coincidentes com o que se conhecia. Existem algumas excepções, como o Reino Antigo, que segundo esta datação teve início entre 2691 e 2625 a.C. com o rei Djoser (existem autores que sustentam que o primeiro ano deste reinado foi em 2667 a.C., outros dizem que foi em 2592 a.C.). A datação do Reino Novo foi mais aproximada, ficou entre 1570 e 1544 a.C. As estimativas feitas pelos egiptólogos para o primeiro ano do rei Ahmose apontavam para o ano de 1550 a.C. ou para o ano de 1539 a.C.
"É um contributo muito sólido, vem reforçar tudo o que já se conhecia", explica Luís Manuel de Araújo, mas acrescenta que "as diferenças não são por ali além". Segundo o professor as distâncias dilatam-se no Império Antigo, mas não são significativas para alterar o que se conhece. "Dizer que a grande pirâmide de Khufu é de 2550 ou de 2580 não vem alterar nada."
Para o egiptólogo português as contribuições feitas pelas outras áreas da ciência para o estudo da egiptologia permitem "domesticar e compreender o tempo", o que é particularmente importante na mais longa civilização da História.
Os autores do texto referem ainda que esta datação influencia directamente a cronologia dos povos adjacentes que cresceram na região da Líbia e do Sudão e em todo o Mediterrâneo.

18.06.2010 - 11:35
Por Nicolau Ferreira

Esqueleto encontrado numa arriba perto do Vale do Lobo é indício de uma vila romana

Na praia do Trafal, situada entre Quarteira e Vale do Lobo, no Algarve, foi encontrado um esqueleto incrustado na arriba, numa zona referenciada como uma "vila romana". O recuo da linha de costa, acentuado no último Inverno, trouxe à superfície os vestígios arqueológicos do sítio designado por "Loulé Velho".
Os ossos expostos despertaram a atenção dos banhistas. As reclamações que chegaram à Câmara de Loulé levaram o município a propor "escavações de emergência" para preservar, na medida do possível, o património. As entidades com jurisdição na área - Capitania do Porto de Faro, Administração da Região Hidrográfica (ARH) e Igespar - deram o aval. O capitão do porto de Faro, Marques Pereira, disse que as "autorizações estão concedidas" e que fez um despacho na passada sexta-feira, recomendando que se proceda à vedação do local, por uma questão de segurança, quando os trabalhos se iniciarem.
O vereador da Cultura, Joaquim Guerreiro, disse que ainda não teve conhecimento do assunto, mas manifestou "preocupação, pela eventual perda de peças arqueológicas, e o impacto junto dos banhistas". O autarca salienta que o município só tomou a iniciativa de desenvolver este trabalho, "por falta de resposta das entidades com responsabilidade directa nesta área". Os achados arqueológicos encontram-se visíveis a partir da praia, facto que "tem levado a protestos e reclamações". O vice-presidente do Igespar, João Pedro Ribeiro, considera que é um "património que está em risco, por acção do avanço do mar" e que deve ser preservado. Os indícios apontam para a existência de uma "antiga povoação", mas não se trata de uma "área classificada".
Nestas circunstâncias, adiantou, o Igespar vai "disponibilizar uma arqueóloga" para colaborar com as escavações que se irão seguir, ainda sem data marcada, a cargo do município de Loulé.
O local está à mercê da investida de curiosos, daí a necessidade de uma intervenção que registe o que existe, uma vez que não existem meios disponíveis para aprofundar as prospecções e determinar qual a real dimensão e importância da povoação conhecida como "Loulé Velho", que tem vindo a cair aos bocados à medida que o mar avança sobre a terra.

29.06.2010 - 07:39

Trabajos de Prehistoria


terça-feira, 29 de junho de 2010

Descoberto sapato mais velho do mundo

O mais velho exemplar de um sapato feito de pele foi descoberto por arqueólogos numa gruta na Arménia e tem mais de 5500 anos.
O sapato tinha vestígios de relva que poderiam servir para aquecer ou para manter a forma do pé
Datado do século 3500 A.C., o sapato é feito de uma única peça de couro e estava em perfeitas condições, moldado na forma de pé direito. “Não sabemos se o sapato pertencia a um homem ou a uma mulher. Embora seja pequeno (24,5 cm, o equivalente ao número 38), caberia tanto num homem quanto numa mulher da época”, afirma o líder da equipa de arqueólogos Ron Pinhasi, da University College Cork da Irlanda.
O sapato tinha relva mas os arqueólogos não sabem se serviria para conservar o calor ou para manter a forma do pé. O perfeito estado de conservação deve-se às condições frias e secas de Vayotz Dzor, província da Arménia que faz fronteira com a Turquia e o Irão. “Inicialmente pensávamos que o sapato tinha uns 600 ou 700 anos devido ao bom estado de conservação”, diz Pinhasi. 
Por Sónia Cerdeira, Publicado em 10 de Junho de 2010   

Vento explica fim da Idade do Gelo

Mudanças na sua circulação ajudaram a aquecer hemisfério sul evitando a entrada noutro período glaciário


Vento explica fim da Idade do Gelo

Há 20 mil anos grande parte da Terra estava coberta de gelo. Mas num piscar de olhos - em termos geológicos - os glaciares recuaram para dar lugar a um clima ameno que permitiu o florescimento da civilização humana. O fim da última Idade do Gelo, dizem os cientistas, deveu-se a uma alteração na órbita da Terra que fez com que o Norte recebesse mais luz solar. O que sempre intrigou os especialista foi como é que esse aquecimento se estendeu tão rapidamente ao resto do planeta. A resposta pode estar no vento. Ou melhor, na alteração do regime de ventos.
Um grupo de investigadores propõe um cenário que começa com o desaparecimento da cobertura de gelo da América do Norte e da Europa, há 20 mil anos. Oprimeiro acto foi causado por uma variação orbital que fez com que chegasse mais radiação do sol ao hemisfério norte, a suficiente para derreter os glaciares, fazendo com que grandes massas de gelo abrissem caminho até ao mar.
A chegada de água doce e fria ao oceano Atlântico bloqueou a corrente do Golfo, que leva água quente até ao norte, fazendo com que o gelo se espalhasse pelo Atlântico norte e trazendo Invernos gelados à Europa. Até aqui a teoria parece não fornecer muitas explicações para o aquecimento do planeta, pelo contrário.
A resposta está na ligação entre a circulação oceânica e o regime de ventos, argumentam os cientistas, num artigo publicado na última edição da revista Science .
Com o Atlântico norte gelado os ventos quentes tropicais foram empurrados para Sul, causando períodos de seca em grande parte da Ásia e levando chuva a regiões normalmente áridas da América Latina. Chuva mas também ar e água mais quente, aquecendo o hemisfério sul.
Assim, há aproximadamente 18 mil anos, os glaciares das montanhas da América do Sul e Nova Zelândia começaram a a derreter e dois mil anos depois o recuo era extraordinário.
A mudança no regime de ventos fez também com que a atmosfera puxasse mais dióxido de carbono (CO2) do oceano. Os registos no gelo mostram que entre há 18 mil e 11 mil anos atrás os níveis de CO2 aumentaram de 185 partes por milhão para 265 partes por milhão. Este aumento ocorreu na mesma altura em que a orientação do eixo do planeta estava a mudar e pode ter impedido que a Terra entrasse noutro período glaciário.
Para sustentar esta teoria os cientistas recorreram a dados climáticos recolhidos no gelo polar e em sedimentos do fundo marinho. Mas também a uma revisão de vários estudos recentes para explicar como é que o aquecimento no Norte se estendeu tão rapidamente ao sul do planeta.
A teoria precisa de ser testada, mas é uma hipótese interessante, reconhecem outros especialistas em climatologia. "Estas mesmas relações, que tiraram a Terra da última Idade do Gelo, continuam activas hoje e vão quase de certeza desempenhar um papel nas futuras alterações climáticas", lembra Bob Anderson - um dos autores do estudo.

In DN, 28-06-2010
por PATRÍCIA JESUS

"Hobbits" não eram apenas homens pequenos

Análise aos ossos encontrados do homo florensiensis prova que não sofriam de cretinismo
Hobbits encontrados mediam um metro de altura
Hobbits encontrados mediam um metro de altura
Um estudo, a ser publicado no início de Junho no Journal of Comparative Human Biology, garante que o homo floresiensis, conhecido mais popularmente por hobbit, que vivia na ilha das Flores, na Indonésia, não se tratava de um ser humano com nanismo, como vinha sendo sustentado até então.
Os hobbits viveram há 18 mil anos e eram uma espécie separada de hominídeos. Em 2003, foram descobertos restos de uma fêmea que media um metro e pesava trinta quilos. Depois desta descoberta, vários cientistas encontraram outros indivíduos com características semelhantes na ilha indonésia.
Inicialmente, acreditava-se que se tratava de uma nova espécie de hominídeo e estes seres pequenos foram apelidados de hobbits, em homenagem às personagens de «O Senhor dos Anéis», do escritor J.R.R. Tolkien.
Em 2008, Peter Obendor, da Universidade RMIT, em Melbourne, na Austrália, afirmou que os restos encontrados eram de humanos modernos que sofriam de cretinismo, uma doença causada pela falta de iodo.
No estudo publicado esta semana, Colin Groves, da Universidade Nacional da Austrália, em Camberra, comparou os ossos encontrados nas Flores com os de dez pessoas que sofriam de cretinismo.
Colin Groves, bioantropólogo, autor do estudo
Colin Groves, bioantropólogo, autor do estudo
O investigador focou o trabalho nas características anatómicas típicas da doença, muito semelhantes ao nanismo.
A conclusão do estudo não deixou margem para dúvidas: não havia qualquer sobreposição entre as características de cretinismo nos humanos e nos ossos encontrados na ilha das Flores.

Mescla anatómica intriga cientistas
A anatomia do homo floresiensis tem características do Australopiteco e do Homo Erectus com outras do Homo Sapiens.
A altura é semelhante à dos Australopithecus mas a estrutura do crânio e a dentição já são mais parecidas à do Homo Erectus. As mãos são desenvolvidas mas de pequena dimensão, assemelham-se às do Homo Sapiens.
Há ainda várias hipóteses teóricas sobre a extinção destes pequenos homens. Uns acreditam que a competição com o homem moderno acabou com a espécie e outros apostam numa erupção vulcânica ocorrida na ilha.

2010-06-28