terça-feira, 28 de dezembro de 2010

INFORMAÇÃO JIA 2011

Findo o período de submissão de propostas de sessões temáticas para o JIA 2011, é com enorme satisfação que o Comité Organizador informa que recebemos um total de 26 propostas, cumprindo todas elas os requisitos de qualidade a que estas jornadas já nos vêm habituando. Desde já vos agradecemos pela vossa contribuição e pela confiança e responsabilidade em nós depositadas.
A grande afluência verificada, trouxe, porém, à Organização e ao Comité Cientifico das jornadas, dificuldades extra na escolha das 12 sessões finais, cujo prazo de divulgação terminaria hoje dia 20 de Dezembro.
Desta forma, tendo em vista a integração do maior número de contribuições e para que vos possamos oferecer um painel de sessões tão diversificado e enriquecedor quanto possível, vimos informar que a publicação dos resultados será adiada para o final do mês de Dezembro.
Muito obrigado uma vez mais pelas vossas propostas e pela vossa compreensão.

Mais informações em http://www.jia2011.com/

Grupo de hominídeos até agora desconhecido conviveu com Neandertais e Sapiens

Denisovanos” habitaram a Ásia há 30 mil anos
O fragmento de um dedo e o dente encontrados na gruta de Denisova, na Sibéria, em 2008, pertencem a um tipo de hominídeo desconhecido até agora. São estas as conclusões dos investigadores do Instituto alemão Max Planck, depois de terem sequenciado o DNA nuclear do dedo.

Na gruta de Denisova, na Sibéria, foram encontrados um dente e parte de uma mão
Na gruta de Denisova, na Sibéria, foram encontrados um dente e parte de uma mão
Esta linhagem denisovana viveu há 30 mil anos, partilhando o planeta com outros humanos: nós – os Sapiens sapiens –, os Neandertais e o homo florensis, da Indonésia. O estudo está publicado na revista «Nature». Devido à escassez de fósseis, os cientistas preferem não denominar este achado como o de uma nova espécie, antes de um novo “grupo” de humanos.

Depois de comparar o genoma com os dos Neandertais – que foi também sequenciado este ano – e com o dos humanos actuais da Europa, África e Ásia, os investigadores chegaram à conclusão de que se tratava de facto de um hominídeo desconhecido. Outra surpresa foi perceber que parte do seu DNA (menos de três por cento) está presente em populações da Melanésia.

A paleogenética revelou que estes hominídeos são mais parecidos com os Neandertais do que connosco, o que significa que descendem dos mesmos antepassados, que se dividiram em dois ramos há 600 mil anos. Antes, há 800 mil anos, o tronco comum tinha-se dividido em dois ramos, aquele e o que deu origem à nossa espécie.

O dente molar que se encontrou na gruta confirma que a morfologia destes seres é muito mais primitiva do que a nossa. Os dentes são semelhantes aos do homo erectus, outro hominídeo que faz parte da árvore evolutiva humana (de há 1,8 milhões de anos).

Os cientistas pensam que o grupo “denisovano” se dispersou amplamente pela Ásia, enquanto os Neandertais se espalhavam pela Eurásia. Isto até os humanos modernos terem saído de África. A extinção daqueles dois grupos terá acontecido mais ou menos ao mesmo tempo e pouco depois da chegada dos sapiens sapiens.

Richard Green, da Unviersidade da Califórnia e um dos autores do estudo, afirma que a história da evolução humana é muito mais complexa do que se pensava há uns anos: “Percebemos agora que existem linhagens entrelaçadas com mais jogadores e interacções que conhecíamos”.


2010-12-23 

Homo sapiens com 400 mil anos pode ter sido descoberto

Arqueólogos de Israel anunciaram hoje que poderão ter descoberto a mais antiga prova da existência do homem moderno, o que, a confirmar-se, pode alterar as teorias sobre a origem do homem, mas a hipótese suscita dúvidas.
Uma equipa da Universidade de Telavive que fez escavações nas grutas de Qesem, no centro de Israel, anunciou ter encontrado dentes com cerca de 400 mil anos, idênticos a outros vestígios do homem moderno, ou Homo sapiens, encontrados no país. Os mais antigos vestígios de Homo sapiens encontrados até agora tinham metade dessa idade.
"É muito excitante chegar a esta conclusão", disse o arqueólogo Avi Gopher, cuja equipa examinou os dentes com raios X e TAC, datando-os de acordo com os estratos de terra onde foram encontrados. O cientista sublinhou que é necessário aprofundar a investigação para confirmar a hipótese. Se for confirmada, "muda toda a história da evolução".
A teoria cientificamente aceite é que o Homo sapiens é originário de África e migrou para fora do continente. Gopher disse que, se estes vestígios estiverem relacionados com os antepassados do homem moderno, isso pode significar que o homem moderno surgiu no território hoje ocupado por Israel.
Por Lusa, in DN



Sir Paul Mellars, um especialista em Arqueologia da Universidade de Cambridge, afirmou à AP que o estudo é respeitável e que a descoberta é "importante" porque são raros os vestígios deste período crítico, mas sublinhou que é prematuro afirmar que têm origem humana.
"Com base nas provas que apresentaram, é uma possibilidade ténue e francamente remota", disse Mellars, que considera que estes vestígios estão provavelmente relacionados com os Neandertais. De acordo com as teorias actualmente aceites, o homem moderno e o Neandertal têm origem num antepassado comum que viveu em África há cerca de 700 mil anos.
Um grupo terá migrado para a Europa, evoluindo para os Neandertais, que mais tarde se extinguiram. Outro grupo terá ficado em África e evoluído para o Homo sapiens - o homem moderno. Na opinião de Mellars, os dentes são indicadores pouco fiáveis e as análises de restos de crânios permitiriam identificar com mais certeza a espécie encontrada na gruta de Qesem.
O arqueólogo Avi Gopher diz que está confiante em que a sua equipa vai encontrar crânios e ossos nas escavações. As grutas pré-históricas de Qesem foram descobertas no ano 2000 e as escavações começaram em 2004. Os investigadores Avi Gopher, Ran Barkai e Israel Hershkowitz publicaram o estudo no American Journal of Physical Anthropology, com data de 23 de Dezembro de 2010.
Por Lusa, In DN

Estudo revela que os neandertais afinal cozinhavam e comiam legumes

O homem de Neandertal, extinto há 30 mil anos, alimentava-se de carne e de vegetais e cozinhava os alimentos, segundo um estudo publicado hoje na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, PNAS, citado pela AFP.

Comparação dos crâneos de um homem moderno e de um neandertal (DR)

As investigações anteriores indicavam que os Neandertais eram sobretudo caçadores carnívoros, o que teria precipitado a sua extinção.

Pensava-se que os primeiros homens modernos com os quais aqueles coexistiram durante cerca de 10 mil anos teriam sobrevivido graças ao consumo de outros tipos de alimentos, como vegetais, peixes e mariscos, conforme os locais onde viviam.

O novo estudo parte da análise de partículas de alimentos contidas nas placas de tártaro dos dentes fossilizados de Neandertais descobertos em sítios arqueológicos do Iraque e da Bélgica, e trazem uma nova luz sobre estes primos desaparecidos.

Os investigadores, orientados por Dolores Piperno, do departamento de Antropologia do Museu de História Natural Americano Smithsonian, descobriram grãos de amido provenientes de várias plantas, entre as quais uma erva selvagem, e vestígios de diferentes legumes, raízes e tubérculos.

Muitos desses alimentos tinham sofrido modificações físicas correspondentes à cozedura, nomeadamente os grãos de amido, o que faz pensar que o homem de Neandertal dominava o fogo, tal como os primeiros homens modernos.

Os dentes continham também vestígios de partículas de tâmaras e de amido de outros vegetais que os investigadores continuam a tentar identificar.

Nenhum artefacto de pedra indica, no entanto, que os Neandertais utilizavam utensílios para moer os grãos, pelo que é provável que não praticassem agricultura.


27.12.2010 - 20:11
Por Lusa in Público

Cientista da equipa que descobriu novo humano diz que este se reproduziu connosco

Pelo menos até há 30 a 50 mil anos, um grupo de humanos desconhecidos até agora, os denisovanos, coexistiram com os Neandertais e a nossa espécie (os humanos modernos). Mais: houve mistura genética entre os denisovanos e nós, uma conclusão de novas análises genéticas aos achados da gruta Denisova, na Sibéria. Um dos cientistas da equipa, Bence Viola, do Instituto Max Planck para a Antropologia Evolutiva, Alemanha, diz que há 100 mil anos a diversidade humana era muito maior do que pensávamos.

Bence Viola (Foto: DR)

Os denisovanos são uma nova espécie de humanos?
Não falamos da questão de os denisovanos serem ou não uma nova espécie, porque é difícil responder a isso com os dados genéticos. Utilizando a definição biológica aceite, segundo a qual os membros de diferentes espécies são reprodutivamente isolados, pelo que não têm descendência, é difícil declarar os denisovanos - e também os Neandertais - como uma espécie separada, uma vez que se reproduziram claramente com os humanos modernos. Em geral, estes resultados levam-nos a repensar, pelo menos a mim, o conceito de espécie na evolução humana.

Qual a importância da descoberta desta forma de humanos antigos?
Esta descoberta mostra que vários grupos humanos - alguns diriam espécies - habitaram a Terra ao mesmo tempo há cerca de 100 a 80 mil anos. Há 100 mil anos pode ter havido cinco grupos de humanos: teríamos os humanos modernos (os nossos antepassados directos) em África; os Neandertais na Europa e em parte do Próximo Oriente; os denisovanos na Sibéria e possivelmente em parte do Sudeste asiático; talvez o Homo erectus tardio em Java, na Indonésia; e a forma anã do Homo floresiensis na ilhas das Flores, Indonésia. Isto é bastante diferente do que pensávamos há dez anos, pois nessa altura supunha-se só existirem os humanos modernos e os Neandertais.

Quando se extinguiram os denisovanos? E porquê?
Não sabemos. Embora pensemos que provavelmente se espalharam pela Ásia, não temos qualquer prova clara disso noutro sítio [além dos achados na gruta Denisova, na Sibéria]. A sua extinção deve ter acontecido depois de há 50 mil anos, que é a idade mais provável dos achados de Denisova. Provavelmente, isto aconteceu ao mesmo tempo que a extinção dos Neandertais [há 30 mil anos]. Não temos modelos para as razões por que se extinguiram, mas talvez a competição com os humanos modernos seja uma boa razão.

Temos um osso e um dente destes humanos na Sibéria. Mas, bastante longe, a sua equipa também descobriu que as actuais populações da Melanésia apresentam traços genéticos desses humanos. As migrações deles são um quebra-cabeças?
São. Sabemos que os seus antepassados saíram de África a certa altura, mas não sabemos quando. Eles acabaram na Ásia, mas só temos provas claras deles na Sibéria. Pensamos que estiveram noutras partes da Ásia, como no Sul da China, uma vez que sabemos [através de análises genéticas] que encontraram os melanésios, habitantes da Papuásia-Nova Guiné e Ilhas Salomão. É pouco provável que estes tipos tenham ido primeiro para norte, para a Sibéria, para depois virem para sul em direcção ao Pacífico. Estamos só a começar a compreender o que se passou na Ásia.

Por que é que essa rota logo para norte é pouco provável?
A maioria das pessoas supõe que os antepassados dos melanésios [já humanos modernos], após saírem de África, seguiram uma rota através da costa Sul e Sudeste da Ásia. Por isso, a ideia de que os denisovanos foram primeiro para a Sibéria e depois é que viraram para sul parece menos provável.

Qual é a maior surpresa que este achado trouxe?
Sem dúvida, a ligação à Melanésia é uma grande surpresa. Quando os meus colegas geneticistas me falaram dela, primeiro pensei que era uma brincadeira. Teria ficado muito menos surpreendido se os chineses ou as populações da Ásia Central tivessem traços genéticos dos denisovanos. Os chineses e os mongóis estão muito mais perto da Sibéria, por isso seria mais fácil a hipótese de uma troca genética. Além disso, há muito tempo que os antropólogos chineses reivindicam a existência de uma continuidade genética na China entre os hominídeos mais antigos - principalmente o Homo erectus encontrado em Zhoukoudian [em 1921] - e os actuais chineses. Terem-se reproduzido com pessoas que vivem hoje no outro lado do mundo, a dez mil quilómetros de distância, é bastante surpreendente. Estamos a recolher amostras de populações por toda a Ásia, para tentar encontrar outras ligações. Mas até agora ainda não tivemos sucesso. Qual é o próximo passo na investigação destes humanos?

Encontrar mais, tanto na gruta Denisova como nas grutas dos Montes Altai, e sobretudo no resto da Ásia (China, Mongólia e Indonésia). Também estamos a fazer comparações genéticas mais detalhadas, através do aumento da amostra de homens modernos. Vai ser interessante ver onde estão conservadas no genoma as partes oriundas dos denisovanos.

23.12.2010 - 12:50
Por Teresa Firmino in Público

Nós, os Neandertais e agora também a Mulher-X

Era uma mulher. Viveu entre há 30 a 50 mil anos. E, sem que o suspeitássemos até agora, pertencia a um grupo de humanos diferente de nós, mas que se reproduziu com a nossa espécie. Eis a Mulher-X, o primeiro indivíduo identificado desse grupo.

Na gruta Denisova, descobriu-se uma falange e um molar (D.R.)

Este novo capítulo na história complexa da nossa espécie, os humanos modernos ou Homo sapiens sapiens, é contado amanha na revista Nature, pela equipa de Svante Pääbo, guru mundial da paleoantropologia genética do Instituto Max Planck para a Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha.

Em 2008, encontrava-se a ponta do dedo de um humano na Sibéria, na gruta Denisova. Pensando estar perante a falange de um humano moderno, talvez de um Neandertal com sorte, a equipa de Pääbo sequenciou o ADN extraído desse pedaço de osso — não o ADN do núcleo das células, mas o que está nas mitocôndrias, as baterias das células e que é herdado só pela parte da mãe.

Quando viram os resultados, os cientistas não queriam acreditar: tinham em mãos ADN de um humano antigo desconhecido, pertencente a uma linhagem diferente das duas que até aqui se sabia terem habitado a Europa e a Ásia nessa altura — os humanos modernos, que saíram de África há cerca de 60 mil anos, e os Neandertais, que surgiram na Europa e Médio Oriente há 300 mil anos e extinguiram há cerca de 30 mil. Em Março último, a equipa revelou esses resultados, também na Nature, e espantou toda a gente.

Era também a primeira vez que um novo grupo de humanos era descrito não a partir da morfologia dos seus ossos fossilizados, mas da sua sequência de ADN.

Só pelo ADN das mitocôndrias, que está fora do núcleo das células, os cientistas não podiam saber se aquela falange, de um indivíduo com cinco a sete anos de idade, era de homem ou mulher. Mas deram-lhe a alcunha de Mulher-X, porque o ADN mitocondrial é matrilinear e porque gostavam de imaginar que era de uma mulher.

Depois, partiram para a sequenciação do ADN contido no núcleo celular e é a análise desses resultados que agora publicam. Além de confirmarem que a falange é mesmo feminina, os cientistas dizem que este novo grupo de humanos partilha um antepassado comum com os Neandertais, mas cada um seguiu uma história evolutiva diferente. Portanto, há 50 mil anos, além de nós e dos Neandertais, havia um terceiro grupo de humanos. Chamaram-lhe denisovanos.

Também sequenciaram agora o ADN mitocondrial retirado de um dente molar de outro indivíduo, um jovem adulto, descoberto na mesma gruta. Tanto o ADN como a morfologia do dente corroboram que se trata de um humano distinto dos Neandertais e da nossa espécie.

Durante décadas, discutiu-se se os Neandertais se teriam reproduzido ou não com a nossa espécie e se, apesar de extintos, haveria um bocadinho deles dentro de nós. Em Maio, o mesmo Pääbo pôs um ponto final na polémica, com a sequenciação do genoma dos Neandertais, dizendo que sim, que nos actuais euroasiáticos há um pouco de Neandertal. E agora a sua equipa diz que nos humanos modernos há igualmente um pouco dos denisovanos.

Mas, ao contrário dos Neandertais, os denisovanos não contribuíram geneticamente para os euroasiáticos actuais. As comparações genéticas entre os denisovanos e humanos modernos da Euroásia, África e Melanésia mostraram que são estes últimos que herdaram os seus genes.

De facto, a equipa descobriu que os naturais da Papuásia-Nova Guiné e das Ilhas Salomão partilham um número elevado de traços genéticos com os denisovanos, o que sugere que houve reprodução entre estes humanos até há poucos meses desconhecidos e os antepassados dos melanésios.

Sozinhos há pouco tempo
Em conjunto com a sequenciação do genoma dos Neandertais, o genoma dos denisovanos sugere uma imagem complexa das interacções genéticas entre os nossos antepassados e diferentes grupos antigos de hominíneos”, comenta Pääbo, citado num comunicado de imprensa do seu instituto.

O facto de os denisovanos terem sido descobertos no Sul da Sibéria, mas terem contribuído para o material genético de populações de humanos modernos da Papuásia-Nova Guiné sugere que os denisovanos podem ter-se espalhado pela Ásia”, diz.

Para Eugénia Cunha, especialista em evolução humana da Universidade de Coimbra, estes resultados mostram ainda quão diversos eram os grupos humanos no passado. “Sempre houve coexistência de várias espécies. Agora é que estamos numa situação anómala”, sublinha a antropóloga. “Há 50 mil anos, viviam os Neandertais, os humanos modernos e pelo menos este grupo distinto. Só muito recentemente é que nos tornámos a única espécie.

22.12.2010 - 21:12
Por Teresa Firmino in Público

Crias fêmeas de chimpanzés brincam com pauzinhos como se fossem bonecas

Talvez o presente perfeito para uma jovem chimpanzé esteja na própria árvore de Natal e não debaixo dela. Cientistas de Harvard descobriram que as crias fêmeas tratam os pauzinhos e galhos como se fossem bonecas. Os machos têm brincadeiras diferentes.

As fêmeas põem de lado os seus galhos assim que se tornam mães (Enrique Marcarian/Reuters)

Segundo os investigadores da Universidade de Harvard e do Bates College, Richard W. Wrangham e Sonya M. Kahlenberg, respectivamente, as jovens fêmeas mantêm os galhos consigo até elas próprias terem crias.

O estudo, publicado ontem na revista “Current Biology”, apresenta-se como a primeira prova de que uma espécie selvagem brinca com bonecas rudimentares e de que os machos e as fêmeas escolhem brincadeiras diferentes.

Em 14 anos de recolha de dados sobre o comportamento dos chimpanzés no Parque Nacional Kibale, no Uganda, Kahlenberg e Wrangham registaram mais de cem exemplos de crias que carregavam os seus pauzinhos. Em muitos casos, as jovens fêmeas não usavam os galhos para procurar alimentos ou lutar, como fazem por vezes os adultos, ou para qualquer objectivo perceptível. Segundo um comunicado da Universidade de Harvard, alguns jovens chimpanzés levavam os galhos para o sítio onde dormiam e houve uma cria que chegou mesmo a construir uma cama para o seu galho.

Ao longo de muitos anos temos visto juvenis com galhos de um lado para o outro e porque, às vezes, tratavam-nos como bonecas, queríamos saber se este comportamento representava alguma coisa parecida com uma brincadeira com bonecas”, explicou Wrangham. “Se a hipótese da boneca estivesse certa, pensámos que as fêmeas iriam andar com os seus galhos mais do que os machos e que os abandonariam assim que tivessem as primeiras crias. Agora observámos chimpanzés suficientes para testar ambas as situações.

Ambos os cientistas acreditam que o seu estudo ajuda a provar que, provavelmente, as crianças dos seres humanos já nascem com as suas próprias ideias sobre como se comportar em vez de imitarem outras raparigas a brincar com bonecas ou, no caso dos rapazes, optar pelos carrinhos. Talvez a escolha dos bonecos não se deva totalmente à socialização, apontam.

A investigação de Kahlenberg e Wrangham foi financiada pela Fundação Nacional da Ciência, Fundação Leakey, National Geographic Society, Fundação Getty e Fundação Wenner-Gren.

22.12.2010 - 17:28
Por Helena Geraldes in Público

The 14th Annual Iron Age Research

The 14th Annual Iron Age Research
Student Seminar
Durham University - 27-29 May 2011


Abstracts are now being accepted!

The Iron Age Research Student Seminar (IARSS) is an annual event organised by and hosted by research students at different archaeology departments around the UK. It provides a relaxed and friendly atmosphere for students to present their research as well as to network with other students and early career researchers. 2011 marks an important year for the study of the Iron Age in Britain, as it has been ten years since Understanding the British Iron Age: An Agenda for Action (Haselgrove et al. 2001) was published. This volume has provided a backbone for research as well as debate, but deserves to be reviewed after the past decade of research. This will form a central organisational theme for the student work presented.

Funding for this conference was provided by the Graduate School at Durham University
Please direct any inquiries to IARSS.2011@gmail.com

Mais informações em:

Journal of Archaeological Science


Geomorphology


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Boas Festas...

Encontro sobre os Concheiros de Muge

Temos o prazer de enviar a informação do Encontro sobre os Concheiros de Muge que vai decorrer no próximo dia 7 de Janeiro no Museu Geológico em Lisboa. A organização é da responsabilidade do Museu Geológico, da UNIARQ e do NAP.

Para mais informações contactar: museugeol@lneg.pt ou 213463915

domingo, 12 de dezembro de 2010

15th Symposium on Mediterranean Archaeology

Catania University – Sicily
(March 3-5th, 2011)

The fifteenth annual meeting of the Symposium on Mediterranean Archaeology (SOMA) will be held in Catania-Italy on 3-5th March 2011. As it has been through the past successful meetings, this symposium will continue to provide an important opportunity for young scholars and researchers to come together and discuss their works in a friendly and supporting atmosphere. Our spectrum is getting wider due to the knowledge of the increasing importance of the interdisciplinary works in the scientific world of our era. Papers dealing with arguments like sea, trade, colonization and also piracy are, in this sense, the most welcome. There are no limitations regarding the subject and the period. The conference language will be English, in order to maintain the usual organization of SOMA conferences. Allotted time for each paper will be presented in 20 minutes and followed by a discussion.

Deadline for registration of the paper is 25.01.2011

L'Anthropologie


Congrés d'Arqueologia experimental


17, 18 and 19 October 2011 will be held in Banyoles (Girona, Spain) the Third International Congress on Experimental Archaeology. The first circular will be sent soon.

Ciclo de Conferênciaas MNA

Relembra-se que o GEEvH, o NAP e o Museu Nacional de Arqueologia, realizam dia 14 de Dezembro, pelas 18 horas, a última conferência do ciclo de conferências "Arqueologia e Antropologia…. Territórios de fronteira"

"O arquivo clínico da última leprosaria portuguesa (Hospital-Colónia Rovisco Pais) e a sua importância para a paleopatologia da lepra"

Orador: Vítor Matos, vmatos@antrop.uc.pt
(Doutorado pela Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde)

Resumo:
Uma das lacunas relativamente à paleoepidemiologia da lepra reside na escassez de evidências paleopatológicas, o que contrasta com a abundância de registos históricos que revelam que esta doença era comum na Europa, sobretudo durante o período medieval. Com o intuito de contribuir para a problemática em torno do diagnóstico retrospectivo da lepra, efectuou-se uma investigação que recorreu ao cruzamento de dados clínicos – compilados do arquivo médico do Hospital-Colónia Rovisco Pais, Tocha, Portugal (1947-1996) – com os paleopatológicos – coligidos dos esqueletos provenientes do cemitério da leprosaria medieval de St. Jørgen’s de Odense, Dinamarca (séculos XIII-XVI/XVII).
Os resultados mais relevantes deste projecto são dados a conhecer, enfatizando-se as novidades e os desafios que trouxeram à paleopatologia.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

No túmulo de Thyco Brahe há mais oito pessoas

Inesperadamente, a abertura do túmulo do astrónomo dinamarquês Thyco Brahe, esta segunda-feira, trouxe a revelação de que ao seu lado estão sepultadas mais oito pessoas. A equipa de cientistas ia à procura de esclarecer um mistério com mais de 400 anos – as causas da morte do astrónomo, que pode ter sido envenenado com mercúrio – e acabou por se deparar com esta surpresa.


Os investigadores esperam agora saber mais sobre a vida...e morte de Tycho Brahe
(Petr Josek/Reuters)


Uma das pessoas deverá ser a mulher de Thyco (1546-1601), Cristina, que foi sepultada três anos depois da morte do astrónomo, na Igreja de Nossa Senhora de Týn, em Praga (República Checa).

Mesmo assim, a equipa, liderada pelo arqueólogo dinamarquês Jens Vellev, da Universidade de Aarhus, não tem a certeza de que seja Cristina Brahe. Os ossos não estão completos, o que torna difícil a sua identificação, relatou um dos elementos da equipa, o antropólogo Petr Veleminsky, do Museu Nacional Checo, citado pelo jornal “El Mundo”. “Destes oito indivíduos, cinco são crianças. Foi bastante inesperado.”

Não há registos escritos sobre os outros mortos, que terão sido sepultados naquele local antes do astrónomo dinamarquês.

Mas a identidade dos ossos de Thyco, que nasceu na nobreza, foi confirmada. “Trata-se de um homem de idade avançada, que tem algumas mudanças no nariz. Poderão corresponder à lesão que Brahe sofreu quando tinha 20 ou 22 anos”, disse Veleminsky.

Thyco ficou desfigurado num duelo e, desde então, usou uma prótese de metal no nariz. Há quem diga que era de ouro e prata, outros que era de cobre, um facto que poderá agora ficar esclarecido.

A tomografia axial computorizada (TAC), que permitiu ter imagens tridimensionais dos ossos, também confirmou tratar-se de um homem do Norte da Europa, referiu Jens Vellev. Com estes dados, a equipa tenciona fazer uma reconstituição da cara do famoso astrónomo do século XVI, que passou 40 anos da sua vida a recolher observações das estrelas e dos planetas, ainda antes de o telescópio ter sido apontado aos céus.

Junto aos restos mortais do astrónomo, depositados numa urna de zinco, em 1901, quando se completaram 300 anos da sua morte, encontrou-se uma bota, uma meia e uma capa.

Foram também recolhidas amostras de cabelo e da barba e bigode, para detectar a presença de níveis elevados de mercúrio. Há cerca de 20 anos, análises aos fios de bigode de Thyco (que tinham sido retirados em 1901, quando se abriu o túmulo pela primeira vez) revelaram a existência de mercúrio em concentrações 100 vezes superiores ao normal.

Não tardaria muito a surgir a tese de que Thyco pode ter sido assassinado, e um suspeito começou a andar na berlinda – o astrónomo alemão Kepler, que foi seu assistente nos últimos 18 meses de vida. A relação de ambos era tensa. Diz-se que Kepler queria apoderar-se das observações de Thyco, que vieram a permitir aos astrónomo alemão elaborar as famosas três leis sobre o movimento dos planetas.

No entanto, mesmo que as novas análises corroborem a ingestão de dose elevadas de mercúrio, Thyco pode simplesmente ter sido intoxicado de forma acidental, uma vez que também era alquimista. Ou ter tomado o mercúrio como um fármaco, que nessa época era utilizado no tratamento de uma série de patologias.

Através das análises aos cabelos e à barba, os cientistas querem traçar os últimos meses de vida de Thyco. E, com o estudo dos ossos, pretendem descortinar um pouco mais da sua vida e das marcas que deixou no esqueleto. Aguardam-se os próximos capítulos.

Renasceu a Lisboa antes do terramoto

Uma nova recriação virtual mostra como era Lisboa antes do sismo de 1755. Ruas e edifícios que ruíram, como a Casa da Ópera ou a Rua Nova dos Ferros, ergueram-se agora da destruição. A viagem a essa Lisboa antiga pode fazer-se a partir de hoje no Museu da Cidade.


Maqueta de Lisboa antes do terramoto de 1755
(Foto: DR)


Recuemos até 31 de Outubro de 1755, véspera do sismo que arrasou Lisboa. Deambulemos pelo emaranhado de ruas sujas e nauseabundas, de traça medieval, e depois continuemos a pé até à beira do Tejo. Entre o labirinto de casas e ruelas desordenadas, abre-se o Terreiro do Paço, praça ampla com uma fonte no meio: de um dos lados, sobressai o torreão do Paço da Ribeira, onde vivem o rei e a corte. Não muito longe, encontramos a Igreja da Patriarcal, a recém-construída Ópera do Tejo ou a Ribeira das Naus, onde ficam estaleiros de construção naval.

No dia seguinte, 1 de Novembro, pelas nove e meia da manhã, a crosta terrestre rompeu-se no mar, ao largo de Portugal, e a terra tremeu com uma tal violência que grande parte da cidade ficou reduzida a escombros. Com magnitude de 8,5 graus, um dos maiores sismos de que há memória, o terramoto de 1755 é considerado a primeira grande catástrofe natural da história.

Uma hora e meia depois chegou o tsunami, gerado pela deformação no fundo do mar quando se deu o sismo, e inundou a zona ribeirinha da capital. Por último, os incêndios. Os fogões no casario denso, sempre acesos, atearam fogos que cobriram Lisboa de negro.

Terão morrido dez mil pessoas, nas estimativas recentes, entre as 200 mil que habitavam a cidade. Umas terão ficado debaixo dos escombros. Aquelas que fugiram para as margens do Tejo, sobretudo o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré, foram apanhadas pela onda, que chegou com cinco metros de altura e avançou 250 metros terra adentro.

Foi em cima destas ruínas que renasceu uma Lisboa de ruas largas e geométricas na Baixa, tal como conhecemos agora. A cidade erguida da catástrofe - cujos trabalhos de reconstrução foram dirigidos por Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro Marquês de Pombal - sepultava assim muitos vestígios da antiga, descrita nos textos da época como caótica, cujas ruas e becos não obedeciam a qualquer plano prévio. Descreviam-na ainda como nojenta (as bacias com dejectos eram despejadas no Tejo) e contava-se queestava sempre a ser fustigada por incêndios.

Documentos, gravuras, litografias ou mapas perpetuaram a memória da cidade desaparecida, que foi sendo resgatada em projectos de investigação. Há cinco anos, na passagem dos 250 anos do terramoto, o Museu da Cidade quis ir mais longe e iniciou a recriação virtual a três dimensões da cidade pré-pombalina. Hoje, às 19h, faz-se a apresentação pública dessa reconstituição, com o presidente da câmara, António Costa, e a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto. Em quiosques multimédia, os visitantes podem agora reencontrar a Lisboa à beira do terramoto e cruzar-se com edifícios e algumas das zonas mais marcantes da cidade. Quem quiser pode visualizar as reconstituições rodando-as 360 graus. Ou ainda ver vídeos que reconstituem percursos - por exemplo, uma vista panorâmica da cidade, a frente ribeirinha,ou a Rua Nova dos Ferros...

City and Spectacle: A Vision of Pre-Earthquake Lisbon from Lisbon Pre 1755 Earthquake on Vimeo.


Totalidade da notícia em:

Povoado romano encontrado na periferia de Londres

Aldeia teria sido importante ponto de passagem entre Silchester e a antiga Londinium
in CiênciaHoje 2010-11-18

Em 2008, uma equipa de arqueólogos do Museu de Londres que realizava sondagens no espaço a ser ocupado por um hotel de luxo (em Syon Park, oeste de Londres) descobriu vestígios romanos século I d.C. Depois de dois anos de escavações, as descobertas são agora apresentadas ao grande público. Os vestígios incluem uma estrada, um povoado, locais de enterro e numerosos objectos.


Os esqueletos encontrados estão enterrados de uma forma pouco comum


A arqueóloga Jo Lyon, do Museu de Londres, afirma que foi “uma sorte encontrar tanto material perto da superfície. Este diz muito sobre como as pessoas daquele local viviam, trabalhavam e morriam”. Esta aldeia agrícola na periferia de Londinium (que deu origem a Londres actual) fazia parte de um importante caminho que ligava Londres a Silchester. Teria servido para fornecer bens àquela cidade e dar abrigo aos viajantes.

A descoberta ajuda a construir um retrato da paisagem romana e mostra como a agitada metrópole comunicava com o resto da Roma britânica. No sítio foram recuperados milhares de artefactos, incluindo duas braceletes de xisto, centenas de moedas, uma faca, louça romana e uma bracelete de ouro, esta do Bronze Final, anterior à ocupação romana.

Foram encontrados também esqueletos humanos que poderão ser de habitantes da povoação. Os arqueólogos admitem que a colocação destes esqueletos em valas e de lado é particularmente curioso, pois muito pouco comum.

O Duque de Northumberland, cuja família tem o seu Palácio em Syon Park há mais de 400 anos, já se pronunciou sobre o achado: “Syon Park tem uma história rica e notável. Os achados romanos são um complemento incrível para este legado e dão ênfase a este local como um marco importante na história britânica. Estamos satisfeitos que a construção do novo hotel tenha revelado esses importantes artefactos que, sem dúvida, podem gerar muito interesse nos hóspedes e nos visitantes do parque”.

Estudo revela que alguns islandeses descendem de ameríndia pré-colombiana

Análises de DNA provam que houve cruzamento entre vikings e índios americamos por volta do ano 1000
in CiênciaHoje 2010-11-17



Os vikings estiveram na América por volta do ano 1000
Os vikings estiveram na América por volta do ano 1000

Através de dados arqueológicos e da tradição literária existente, já se sabia que os vikings tinham estado na América antes do descobridor oficial – Cristóvão Colombo – lá ter chegado. Agora, uma investigação genética vem comprovar essa presença, indicando que houve de facto contacto entre as populações. Mais, uma mulher ameríndia terá sido levada para a Islândia e dela descendem algumas das famílias ainda existentes.

Para chegar a esta conclusão a equipa de investigadores analisou o DNA de quatro famílias islandesas – 80 pessoas – nas quais tinha identificou uma linhagem ameríndia. Apercebeu-se, assim, que o contacto pré-colombiano terá acontecido cinco séculos antes da chegada de Colombo. O artigo está publicado na revista «Journal of Physical Anthropology».
Sabia-se que os genes dos actuais islandeses procediam dos países escandinavos, da Escócia e da Irlanda, mas não se conhecia esta outra origem distante, explica o Conselho Superior de Investigações Científicas espanhol, ao qual pertence um dos grupos de investigação.

O povoado viking L'Anse aux Meadows, na ilha de Terra Nova (Canadá), descoberto em 1960 por Helge Ingstad e Anne Stine Ingstad, e textos medievais como «A Saga de Erik, o Vermelho», escrita em 1260 apontavam já que estes povos tinham alcançado a América no século X.

Os dados de DNA vêm acrescentar que os genes das populações se cruzaram. A linhagem encontrada nas quatro famílias (C1e) é mitocondrial, uma organela da célula externa ao núcleo e implicado nos processos de produção de energia, que é herdado exclusivamente da mãe.

Os vikings terão levado uma mulher ameríndia para a Islândia por volta do ano 1000, que cruzou os seus genes com os da população local. Esta é uma hipótese plausível, acredita Carles Lalueza-Fox, investigador do Instituto de Biologia Evolutiva (CSIC - Universidade Pompeu Fabra, Barcelona), pois a ilha ficou bastante tempo isolada a partir dessa época.

A investigação foi realizada em colaboração com a Universidade da Islândia e a empresa farmacêutica Decode Genetics, ambas de Reiquiavique.

À semelhança do que tem acontecido em anos anteriores, o IICT participa na Semana da Ciência 2010, que se irá realizar entre os dias 22 e 28 de Novembro.

As actividades do IICT começam no dia 23, com uma visita guiada à colecção de Zoologia do IICT, com discussão sobre o material em colecção, métodos de museologia aplicados, efectivação dos trabalhos e resultados práticos (publicações, colaborações, etc.), sob a orientação do Professor Luís Mendes. No dia 26, a investigadora Isabel Moura fará uma visita guiada ao Jardim Botânico Tropical, onde os visitantes poderão apreciar as plantas de origem tropical e subtropical, com indicação de algumas espécies que se encontram ameaçadas de extinção, e ainda conhecer o laboratório de cultura de tecidos do JBT. Para fechar a semana, no Sábado dia 27, a equipa de Arqueologia irá realizar 2 actividades no JBT - "Arqueologia ao Sábado". No Atelier “O que é a Arqueologia?”, indicado para crianças dos 6 aos 14 anos, será feito um circuito de actividades simples relacionadas com o método de trabalho de um arqueólogo no campo e no gabinete, nomeadamente escavação e desenho arqueológico. No Atelier de Talhe será feita uma demonstração, ao vivo, de talhe de instrumentos líticos, por um especialista, o Doutor Francisco Almeida, observando como o Homem do Paleolítico os executaria.

As actividades são abertas ao público, e as inscrições devem ser feitas por telefone ( 21 361 63 43 21 361 63 43) ou email. Agradecemos a divulgação pelos vossos contactos.

Os segredos do subsolo no Concelho do Fundão – seis anos de escavações arqueológicas (2003-2009)

No próximo dia 4 de Dezembro, realiza-se no Fundão o colóquio Os segredos do subsolo no Concelho do Fundão – seis anos de escavações arqueológicas (2003-2009).
Neste encontro estarão reunidos os arqueólogos que têm efectuado trabalhos de escavação no Concelho do Fundão, para uma apresentação dos resultados dessas mesmas investigações.
As conferências iniciam-se às 10h00 no Museu d’Imprensa (Casino Fundanense) e a entrada é livre.

domingo, 21 de novembro de 2010

A Ciência à Procura do Passado - O Laboratório de Arqueociências


Nesta emissão dos Encontros com o Património visitamos o Laboratório de Arqueociências , em Lisboa, onde diversos investigadores, nacionais e estrangeiros, desenvolvem programas de pesquisa, em antigos territórios humanos, e na paisagem portuguesa. São nossos anfitriões David Gonçalves, Ana Cristina Araújo, Randi Danielsen, Marina de Araújo Igreja, Simon Davis e Sónia Marques Gabriel.

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1703986

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

NAP no V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular

No âmbito do V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular, em Almodôvar, estiverem presentes vários investigadores de várias nacionalidades, bem como algumas participações de membros do NAP.

Este V Encontro pretende juntar arqueólogos com trabalhos e projectos numa vasta zona ibérica, para apresentar e discutir a evolução e resultados da sua investigação. Os trabalhos decorrerão ao longo de três dias, agrupando as comunicações em grandes períodos cronológicos, com uma conferência inicial por um orador convidado.

Leandro Infantini, Carolina Mendonça - "As linhas de costa e a tecnologia lítica durante o tardiglaciar do Algarve"



Vera Pereira - "Alcarias de Odeleite sob perspectiva zooarqueológica"


Explosive archaeology - Safe demolition in karstic environments

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Oldest tool-use claim challenged

By Jonathan Amos
Science correspondent, BBC News

The idea that human ancestors were using stone tools about 3.4 million years ago has been challenged by a Spanish-led team of researchers. The original claim was based on what were purported to be butchery marks on animal bones found in Ethiopia. It pushed back the earliest known tool-use and meat-eating in our ancestors by some 800,000 years. But Manuel Dominguez-Rodrigo and his team tell PNAS journal that the marks are more likely to be animal scratches. "A mark made with a stone tool could be morphologically similar to a mark that is accidentally made by an animal trampling on a bone, if the bone is lying on an abrasive [surface]," said Dr Dominguez-Rodrigo from the Complutense University of Madrid. "We can match mark-by-mark every single mark on the fossils with marks that we obtain using trampling criteria," he told BBC News. The group behind the original claim has robustly defended its position.

Lucy's diet?
"Needless to say we don't agree with their interpretation," said Shannon McPherron from the Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, Leipzig, Germany. "But this is science; debate is good - we welcome it." The earliest indisputable evidence for early-human tool use comes from two locations in Ethiopia separated by about 100km, in the nearby Gona and Bouri areas of the country. These date to about 2.6 million years ago. Dr McPherron and colleagues first presented their fossil bone evidence in August. It comprised the rib of a cow-sized animal and the thigh bone of a goat-sized antelope discovered in the Dikika region. The specimens were said to have the sort of damage stone tools would produce if ancestral humans had tried cleave the meat from the bones and get inside them to extract the marrow. The fossils were dated to about 3.4 million years ago, putting them in the time frame of the famous hominin Australopithecus afarensis, better known as "Lucy". But Dr Dominguez-Rodrigo's team is now contesting this view. The researchers compared the other group's findings with previous studies that have detailed the natural processes - such as animals stepping on objects - capable of leaving marks on fossil surfaces. According to the Spanish team, most of the purported tool marks on the Dikika bones can be put down to trampling and geological abrasion.

'The totality'
The evidence from the two bones is not sufficient to overturn the consensus timeline of human behavioural evolution, the scientists say. The Dikika region of Ethiopia: The hunt goes on for the origin of humans. "This might seem like an obscure debate but if [McPherron and colleagues] are correct, the implications are huge," argued Dr Dominguez-Rodrigo. "In the future, we may find traces of hominins eating meat and using stone tools long before we already know. But if they are right that means these features appear long before creatures had the brain to actually do this, from the interpretation we have from the last 40 years. So it's a big statement that has to have a special kind of evidence." At the time of its publication in the journal Nature, the McPherron team tried to head off criticism that the marks were inflicted by animals. In its view, the stone-tool origin of the damage was "unambiguous". Dr McPherron said he was disappointed that the Spanish team had not examined the bones directly - only pictures of them. "There are quite a few marks on these bones and on a few of them they think that the pattern that you see falls within the range you see for trampling," he said. "But the point is to explain the totality of the marks on these bones, and the totality fits very well within the pattern for cut-marked, or stone-tool-modified, bones," he told BBC News.

Quantitative Archaeology Wiki

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Ciclo de Conferências ARQUEOLOGIA AO SUL

No âmbito das iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia (NAP) da Universidade do Algarve, é com grande prazer que informamos que se iniciará, já no próximo dia 25 de Novembro, o ciclo de conferências Arqueologia ao Sul.
Pretendendo ser um projecto a longo prazo e sem periodicidade definida, os principais objectivos do Arqueologia ao Sul são, por um lado, a apresentação de temas actuais nas áreas da Arqueologia e Paleoecologia Humana e, por outro, a criação de um espaço, aberto a todos os interessados, onde se possam debater as ideias e temáticas apresentadas pelo orador convidado.
A inauguração do ciclo fica a cargo de Francisco Almeida com uma conferência dedicada aos “Novos desafios ao estudo da transição Gravetense-Solutrense em Portugal” que terá lugar dia 25 de Novembro pelas 17h30, na sala 2.35 do edifício da FCHS da UAlg (Campus de Gambelas).



Nota biográfica
Francisco Almeida, arqueólogo de profissão, licenciou-se em História – variante Arqueologia, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1992. O gozo pela Pré-História antiga, desde cedo, o faz rumar aos Estados Unidos da América para frequentar o programa de pós-graduação em Arqueologia na Southern Methodist University (Dallas, Texas). Nesta universidade completa o Mestrado em 1996, seguido do Doutoramento em 2000, com a dissertação: O Gravetense terminal da Estremadura Portuguesa, variabilidade tecnológica das indústrias líticas (Almeida, 2000). Regressa a Portugal para trabalhar como investigador no ex-IPA, actual IGESPAR., coordenando, desde então, os trabalhos arqueológicos no Abrigo do Lagar Velho, Leira. Actualmente é investigador de Pós-Doutoramento na Faculdade das Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

Dissertação de Doutoramento
ALMEIDA, F. (2000) - The Terminal Gravettian of Portuguese Estremadura. Technological variability of the lithic industries. Unpublished PhD Dissertation. Southern Methodist University, Dallas, Texas, EUA.

Síntese bibliográfica
ALMEIDA, F. (1998) - O Método das Remontagens Líticas: Enquadramento Teórico e Aplicações. In Trabalhos de Arqueologia da EAM, 3, Lisboa, Colibri, pp.1-40.

ALMEIDA, F. (2001) - Cores, tools, or both? Methodological contribution for the study of carinated lithic elements: the Portuguese case. In HAYS, M.; THACKER, P. (eds.) Questioning the Answers: Resolving Fundamental Problems of the Early Upper Paleolithic. Oxford: Archaeopress (British Archaeological Reports International Series; 1005), pp. 91-97.

ALMEIDA, F. (2002) – O Paleolítico. In FONTES, J.L. (Coord.) A dos Cunhados – Itinerários de Memória, Pró-Memória, A dos Cunhados, pp. 49-54.

ALMEIDA, F.; ARAÚJO, A.C.; AUBRY, T. (2003) Paleotecnologia lítica: dos objectos aos comportamentos. In MATEUS, J.E.; MORENO, M. (ed.) Paleoecologia humana e Arqueociências. Um programa multidisciplinar para a Arqueologia sob a tutela da Cultura. Trabalhos de Arqueologia, nº 29, Lisboa, IPA, pp. 299-349.

ALMEIDA, F. (2007) Refitting at Lapa do Anecrial: Studying Technology and Micro Scale Spatial Patterning through Lithic Reconstructions. In SCHURMANS, U. & DE BIE, M. (ed.) Fitting Rocks: Lithic Refitting Examined, BAR International Series 1596, pp. 55-74..

ALMEIDA, F. (2008) Big Puzzles, Short Stories: advantages of refitting for micro-scale spatial analysis of lithic scatters from Gravettian occupations in Portuguese Estremadura. In AUBRY, T.; ALMEIDA, F.; ARAÚJO, A.C.; TIFFAGOM, M. (eds.) Proceedings of the XV World Congress UISPP (Lisbon, 4-9 September 2006) 21 Space and Time: Which Diachronies, which Synchronies, which Scales? / Typology vs Technology. BAR S1831, pp. 69-79.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

VI Encontro Nacional de Biologia Evolutiva


O VI Encontro Nacional de Biologia Evolutiva terá lugar no dia 22 de Dez., na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com o apoio do Centro de Biologia Ambiental (CBA/UL) e Centro de Biociências (ISPA).

O Encontro terá início às 10, com uma palestra (às 10h30) em homenagem ao Prof. Carlos Almaça, pelo Prof. Luís Vicente. A participação nesta palestra não requere inscrição.

As inscrições deverão ser feitas enviando uma mensagem para biologia.evolutiva@gmail.com, indicando o vosso nome e afiliação/instituição. A participação é gratuita.





Se quiserem fazer uma apresentação, por favor enviem também:
- Título da apresentação,
- Lista de autores,
- Resumo (max 250 palavras)
- Suporte preferido (oral ou poster).

O prazo de inscrição é até 26 de Novembro.
Mais informações em http://www.biologia-evolutiva.net/

Congreso Prehistoria Valencina 2010


Mais informações em:

V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular


Vida e Morte na Idade do Ferro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Reconstruindo os Puzzles do Passado: Remontagens de Pedra Lascada

A Secção de Pré-história da Associação dos Arqueólogos Portugueses vai levar a cabo, no dia 4 de Dezembro próximo (9.30h-18.00), no Museu Arqueológico do Carmo, um workshop intitulado Reconstruindo os Puzzles do Passado: Remontagens de Pedra Lascada, com coordenação científica de Francisco Almeida.

Entrada Livre.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ciclo de Conferênciaas MNA

Relembra-se que o GEEvH, o NAP e o Museu Nacional de Arqueologia, realizam amanhã, dia 10 de Novembro, pelas 18 horas, a segunda conferência do ciclo de conferências "Arqueologia e Antropologia…. Territórios de fronteira"

"As Origens do Olduvaiense: Serão os chimpanzés (Pantroglodytes) bons modelos para a evolução das primeiras tecnologias em África?"

por Susana Carvalho, scr50@cam.ac.uk
(Leverhulme Centre for Human Evolutionary Studies, University of Cambridge, Cambridge, 2 CB 1 QH, United Kindgom; CIAS – Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Universidade de Coimbra, 3000-056, Coimbra, Portugal)

Resumo:
Compreender como e porquê surge o uso de ferramentas em primatas humanos tem sido um objectivo essencial da arqueologia e antropologia, desde o aparecimento destas disciplinas. As tecnologias mais antigas datam de há 2.6 milhões de anos, e as evidências desta indústria conhecida como “Olduvaiense”, são maioritariamente compostas por pedras talhadas (líticos) que perduraram no registo arqueológico (Semaw et al. 1997). As características que permitem discriminar estes artefactos (i.e. pedras modificadas intencionalmente) são bem conhecidas dos arqueólogos (Bordes 1961, Leakey 1971, Tixier et al. 1980, Isaac and Harris 1997).

As tecnologias de percussão mais antigas incluem artefactos provenientes de escavações na África Oriental (Semaw et al. 1997; Delagnes and Roche 2005). Desde 1970, muitos estudos analisaram a tipologia e tecnologia destas colecções (e.g. Leakey 1971; Toth 1985; Isaac and Harris 1997), mas os martelos e as bigornas foram consideravelmente desvalorizados, sendo vistos como uma espécie de “parentes pobres” da tecnologia de talhe.

Durante a década de 60, Jane Goodall observou chimpanzés a fabricar e usar diversas ferramentas (Goodall 1963) e, um pouco antes, era descoberto o uso de pedras para partir nozes entre comunidades de chimpanzés da África Ocidental (Beatty 1951). Recentemente, a escavação de um sítio arqueológico de nut-cracking de chimpanzés com 4300 anos BP (Mercader et al. 2007) estabeleceu uma “Idade da Pedra” recente para esta tecnologia de primatas não-humanos.

Desde 2006, um projecto de investigação interdisciplinar, conjugando arqueologia e primatologia, investiga o nut-cracking praticado por chimpanzés em habitat natural, visando caracterizar estes utensílios, bem como analisar a distribuição espacial e variação regional destas ferramentas e suas áreas de actividade (Carvalho et al. 2008). O estudo foca-se no uso de ferramentas nas florestas de Bossou e Diecké (Guiné Conakry), e utiliza estes primatas não-humanos como modelos, procurando testar a hipótese que considera terem existido indústrias de percussão mais antigas, que ainda não terão sido detectadas no registo arqueológico. Os resultados preliminares desta investigação contribuíram para a recente proposta de uma nova disciplina: Arqueologia de primatas (Haslam et al. 2009).

Um laboratório ao ar livre no centro da floresta de Bossou, permite realizar experiências de nut-cracking, utilizando nozes disponíveis na floresta (Elaeis guineensis) e nozes estranhas ao habitat local (Coula edulis) (Matsuzawa 1994, Biro et al. 2003). Os dados recolhidos durante 5 anos de sessões experimentais revelaram a selecção e uso preferencial de determinados pares de ferramentas. Os chimpanzés repetem a combinação de alguns martelos com algumas bigornas de forma sistemática. O uso repetido dos mesmos pares de ferramentas pode amplificar as marcas de uso e aumentar a possibilidade de fractura dos elementos. Este padrão de utilização sugere que comportamentos semelhantes poderão ter originado os primeiros episódios de talhe acidental em hominínios (Mora e de la Torre 2005; Carvalho et al. 2009).