quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Jornadas Europeias do Património 2010. Património: Um Mapa da História

As Jornadas Europeias do Património, iniciativa do Conselho da Europa e da União Europeia, realizam-se anualmente no mês de Setembro, tendo como principal objectivo sensibilizar a população para a importância da protecção e da valorização do Património.
Em Portugal, as Jornadas Europeias do Património realizar-se-ão este ano nos dias 24, 25 e 26 de Setembro.
O IGESPAR, coordenador nacional do evento, lançou o tema “PATRIMÓNIO: UM MAPA DA HISTÓRIA”, pretendendo vincar a estreita relação entre os sítios patrimoniais e os acontecimentos históricos que lhes estão associados. O Património, nas suas diferentes manifestações, documenta um percurso espaço-tempo das sociedades; viajar pelas cidades, percorrer o território observando vestígios, interpretando os cenários urbanos e rurais de factos históricos e políticos, da humanização das paisagens, da produção técnica e científica, literária ou artística, é como ter, entre mãos, um inesgotável mapa que nos ajuda a entender de onde viemos e a escolher para onde podemos seguir.
Com o objectivo de incentivar o usufruto dos espaços patrimoniais, diversas entidades, públicas e privadas, irão associar-se a este evento através da realização de um vasto leque de iniciativas, contribuindo para a aproximação física e emocional das pessoas aos monumentos, conjuntos e sítios.
Siga o percurso da História e participe!


Para mais informações contactar:
Ana Catarina Parada
Jorge Alves
Sandra Vaz Costa
Organização
IGESPAR, I.P.

Cientistas ao Palco - Noite dos Investigadores 2010

A Noite dos Investigadores é um evento europeu, com uma ampla gama de organizações de investigação científica que acolhem uma variedade de eventos programados a decorrer na última sexta-feira de Setembro. O objetivo é dar ao público e, em particular aos jovens, a oportunidade de conhecer os investigadores em contexto não científico e fazer apelo ao seguimento da carreira de investigação.

Este ano, os cientistas vão ser chamados novamente ao palco para celebrar a Noite dos Investigadores 2010, a 24 de Setembro, através do teatro e das artes. Adicionalmente, irão participar na experiência surpreendente de se comunicar com o público em geral, de uma forma inesperada: através do desporto. Estes meios vão permitir que os cientistas se expressem a eles próprios, as suas perspectivas e o seu trabalho e que comuniquem directamente com o público. Apresentações artísticas, actividades desportivas e jogos complementados com actividades interactivas, a partir de pequenas experiências e demonstrações para os jovens, para sessões de speed-dating com cientistas e science cafe/bar.


A Universidade do Algarve, através do CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia, e a empresa Natura Algarve coordenam o evento Cientistas ao Palco - Noite dos Investigadores '10, que se realiza no dia 24 de Setembro, no Ria Shopping, em Olhão. O NAP, enquanto unidade de investigação vocacionada para a promoção e execução de investigação nos domínios da Arqueologia e das Arqueociências, irá estar presente nesta iniciativa.


PROGRAMA:
SPEED-DATING: Alguns cientistas disponibilizam-se para em pouco minutos conseguirem explicar um pouco da sua actividade científica. Cada pessoa tem 5 minutos para fazer uma pergunta a cada um dos cientistas presentes. Ao fim dos 5 minutos toca um gong e a pessoa tem de passar para outro investigador.

Sessões:
11h00 – 12h00
Nuno Bicho - A Arqueologia e o aparecimento dos primeiros homens modernos
17h00 - 18h00
Vera Pereira - Arqueologia e alimentação no período islâmico
21h00 – 22h00
João Cascalheira - Arqueologia Pré-histórica em Portugal

ACTIVIDADES “MÃOS NA MASSA” e EXPERIÊNCIAS INTERACTIVAS: As actividades do NAP pretendem mostrar alguns dos resultados da investigação arqueológica no centro e sul de Portugal ao longo da última década

Sessões:
10h00 - 23h00
Atelier de materiais arqueológicos - contacto e manuseamento
Jogo do conhecimento da Evolução Humana - (multimédia)
Espreitar o passado - os artefactos vista à lupa

12h00-12h30 e 19h00-19h30
Oficina de Arqueologia “Reconstruir o passado”: Os participantes vão “reconstruir o passado” através da reprodução de artefactos em pedra e tecnologia pré-histórica


Mais informações em:

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

MESO 2010

Está a decorrer a Oitava Conferência Internacional sobre o Mesolítico na Europa, em em Santander (Espanha) de 13 a 17 de Setembro de 2010, organizado pela Cantabrian International Institute for Prehistoric com o apoio do Departamento de Cultura, Turismo e Desporto do Governo da Cantábria e da Universidade da Cantábria.

Nela estarão presentes vários investigadores de várias nacionalidades, bem como algumas participações de membros do NAP. A saber:




SESSÃO: SETTLEMENTS AND DWELLINGS, Dr. Ole Grøn and Dr. Nuno F. Bicho
João Marreiros, Luís De Jesus, João Cascalheira, Telmo Pereira, Juan Gibaja, Nuno Bicho
“Shell we move?” New technological approach to Mesolithic settlement patterns at Muge (Portuguese Estremadura).

Nuno Bicho, Telmo Pereira, Claudia Umbelino, Luís Jesus, João Marreiros, João Cascalheira
The construction of a shellmidden: the case of Cabeço da Amoreira, Muge (Portugal).

SESSÃO:  SOCIAL RELATIONS, Dušan Borić
Nuno Bicho, Célia Gonçalves
Back to the past: the emergence of social differentiation in the Mesolithic of Muge, Portugal.

8º Encontro de Arqueologia do Algarve - "A Arqueologia e as outras Ciências"

O Encontro de Arqueologia do Algarve, este ano temático, dedicar-se-á exclusivamente à divulgação de trabalhos que tenham subjacentes estratégias de interdisciplinaridade intitulando-se: “A Arqueologia e as Outras Ciências”.
O mesmo terá lugar em Silves nos dias 21, 22 e 23 de Outubro e conta com a habitual organização da Câmara Municipal de Silves que este ano, dada a sua especificidade, tem como parceiros, além da Universidade do Algarve, do IGESPAR e da DRC Algarve, também o Instituto Tecnológico e Nuclear.



Pode descarregar aqui a Ficha de Inscrição.

Organização
Câmara Municipal de Silves e como parceiros a Universidade do Algarve, o IGESPAR, a DRC Algarve e Instituto Tecnológico e Nuclear
Contactos
Maria José Gonçalves, Câmara Municipal de Silves
Telefones
+351 282444100
E-mails
maria.goncalves@cm-silves.pt
Sítios

domingo, 12 de setembro de 2010

Memorial Luis Siret CONGRESOS DE PREHISTORIA DE ANDALUCÍA: LA TUTELA DEL PATRIMONIO PREHISTÓRICO PROGRAMA

Memorial Luis Siret

PRIMER CONGRESO DE PREHISTORIA DE ANDALUCÍA: LA TUTELA DEL PATRIMONIO PREHISTÓRICO

El Primero Congreso de Prehistoria de Andalucía, bajo el epígrafe "La Tutela del Patrimonio Prehistórico" se celebrará Antequera entre el 22 y el 25 de septiembre de 2010. Para esta reunión se proponen cuatro mesas redondas para el debate en las que se analice la situación de la investigación, la administración y protección, la conservación y la difusión. A través del desarrollo de estas secciones pondremos especial énfasis en la denominada Arqueología Aplicada tanto en su perspectiva de gestión (que incluye la protección del Patrimonio Arqueológico y su socialización) como en la de investigación. En lo que se refiere a éste último apartado, nuestro máximo interés deber seguir siendo la comprensión de los modos de vida de las sociedades pretéritas, poniendo especial énfasis en los aspectos metodológicos que deben llevarnos a ser cada vez más exhaustivos y sistemáticos con el registro arqueológico que manejamos. Sabemos que la Prehistoria puede ser definida en un sentido científico y político al mismo tiempo, y que debe actuar en procesos de transformación y creación en el ámbito de las sociedades actuales. Así, el esfuerzo por conocer las diversas formas materiales de poder a lo largo de la historia posibilita la transformación de la realidad actual y la creación de otras formas de relación social. Pero además, la Prehistoria cada vez está más ligada a los mecanismos de construcción de la identidad del sujeto de la modernidad y a la articulación de modelos de valoración social como los estudios de género, la investigación para la paz, la globalización, la memoria histórica, etc. Por ejemplo resulta interesante considerar su función como creadora de paisaje histórico, de vinculación de la identidad de las personas con su patrimonio material, de tal manera que la realidad social se integra con la naturaleza como experiencia histórica acumulada en un territorio.

domingo, 5 de setembro de 2010

Human Meat Just Another Meal for Early Europeans?

Cannibalism helped meet protein needs, keep rivals in line, study suggests.

For some European cavemen, human meat wasn't a ritual delicacy or a food of last resort but an everyday meal, according to a new study of fossil bones found in Spain.
And, it seems, everyone in the area was doing it, making the discovery "the oldest example of cultural cannibalism known to date," the study says.
The 800,000-year-old butchered bones from the cave, called Gran Dolina, indicate cannibalism was rife among members of western Europe's first known human species, Homo antecessor.
The fossil bones, collected since 1994, reveal that "gastronomic cannibalism" was commonplace and habitual—both to meet nutritional needs and to kill off local competition, according to the study, published in the August issue of Current Anthropology.

Cannibals Gave New Meaning to "Brain Food"
The cannibalism findings are based on leftover bones bearing telltale cut and impact marks, apparently from stone tools used to prepare the cave meals.
The butchered remains of at least 11 humans were found mixed up with those of bison, deer, wild sheep, and other animals, said study co-author José Maria Bermúdez de Castro.
As well as de-fleshing marks and evidence of bone smashing to get at the marrow inside, there are signs the victims also had their brains eaten.
Cuts and strikes on the temporal bone at the base of skull indicate decapitation, said Bermúdez de Castro, of the National Research Center on Human Evolution in Burgos, Spain.
"Probably then they cut the skull for extracting the brain," he added. "The brain is good for food."

Photo: carbonell cannibalismbones
Bones found in a Spanish cave show evidence of impact and cut marks.
Photograph courtesy Current Anthropology

Human: It's What's for Dinner?
Because human and animal remains were tossed away together, the researchers speculate that cannibalism had no special ritual role linked to religious beliefs.
Nor was human meat an emergency food consumed only in lean times, Bermúdez de Castro said.
Cannibalized human bones were found in cave layers spanning a period of around a hundred thousand years, suggesting the practice was fairly consistent, according to the study.
Furthermore, the European cannibals should have had little reason for hunger.
The surrounding Sierra de Atapuerca region (regional map) would have been a "fantastic" habitat for early humans, with plenty of food and water as well as a mild climate, he said.

Cannibals Preferred Fresh Meat?
Humans attracted to Sierra de Atapuerca would have fought over the fertile territory—and cannibalism would have been a good way of dealing with the competition, Bermúdez de Castro said.
But it might not have resulted in the fairest of fights—the 11 cannibalized individuals discovered so far were all children or adolescents.
Targeting youngsters who were less able to defend themselves "posed a lower risk for hunters" and "would have been effective in the strategy of controlling competitors," according to the study.

Cannibalism Widespread for Early Humans?
Paleontologist Silvia Bello agreed that "the distribution of [impact] and cut marks and the similarity of signs on humans and nonhuman remains make the hypothesis of cannibalism for this site likely."
The evidence that cannibalism "was a common, functional activity, not directly related to food stress or ritualistic behavior" is also convincing, said Bello, of the Natural History Museum in London.
However, she added, it's hard to be sure whether the cannibals were eating individuals from their own group or outsiders.
Anthropologist Peter Andrews also backs the team's interpretation, with caveats.
"It appears that cannibalism was widespread during much of human evolution, and it is likely that it may have been even more widespread than present evidence indicates, for some early work on [human ancestor] sites may have failed to identify the evidence for cannibalism," Andrews, formerly head of human-origins studies at the Natural History Museum, said in an email.
Nevertheless, he added, "we still have no way of knowing whether cannibalism was habitual or restricted to periods of stress, for time scales in archaeological sites are usually not fine enough to distinguish them."
To truly be able to identify part-time vs. regular cannibalism, Andrews said, "you would need evidence on a time scale of less than one year."


James Owen
Published August 31, 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Australopitecos usavam ferramentas para comer

Os ancestrais da espécie humana usaram ferramentas muito antes do que se pensava. A descoberta foi feita através de marcas em ossos fossilizados no este na Etiópia.

Os fósseis serviram para demonstrar, segundo a investigação publicada hoje na Nature, que os congéneres da famosa Lucy, ou seja, os Australopithecus afarensis, utilizavam, há 3,4 milhões de anos, pedras afiadas para tirar a carne dos ossos das presas. As marcas revelam ainda que, através das ferramentas, tentavam chegar à medula, cujo teor nutritivo é elevado.

Esta descoberta atrasa quase um milhão de anos esta capacidade dos antepassados da nossa espécie. Até agora, as ferramentas mais antigas encontradas datavam de 2,6 ou 2,5 milhões de anos, como recordam no estudo Shannon McPherron, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva da Alemanha e o etíope Zeresenay Alemseged, da Academia de Ciências da Califórnia.

Este tipo de utensílios era atribuído ao Homo habilis, cujo crânio era 40 por cento maior do que o Australopithecus.

No ano passado, os paleoantropólogos encontraram uma costela de um mamífero do tamanho de uma vaca e o fémur de um antílope. Ambos tinham sinais que, como se descobriu posteriormente através de microscópios electrónicos e espectógrafos, eram da mesma época dos fósseis.

Quando imaginamos a Lucy na paisagem este de África à procura de comida, agora podemos vê-la pela primeira vez com uma ferramenta de pedra na mão em busca de carne”, afirmou McPherron.

sábado, 7 de agosto de 2010

Journal of Human Evolution


Volume 59, Issue 1, Pages 1-154 (July 2010)
Destaques:

Stratigraphic context and direct dating of the Neandertal mandible from Cova del Gegant (Sitges, Barcelona)

J. Daura, M. Sanz, A.W.G. Pike, M.E. Subirà, J.J. Fornó, J.M. Fullola, R. Julià and J. Zilhão


Using genetic evidence to evaluate four palaeoanthropological hypotheses for the timing of Neanderthal and modern human origins

Phillip Endicott, Simon Y.W. Ho and Chris Stringer


Subsistence activities and the sexual division of labor in the European Upper Paleolithic and Mesolithic: Evidence from upper limb enthesopathies

Sébastien Villotte, Steven E. Churchill, Olivier J. Dutour and Dominique Henry-Gambier

terça-feira, 3 de agosto de 2010

MESO 2010 Conference Preliminary Programme



Regarding the upcoming Conference of MESO 2010, please click on this link http://www.meso2010.com/programme.html for updated information about the Preliminary Programmes of the General Sections and Monographic Sessions.
This information is uploaded on the conference website www.meso2010.com.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ciclo de Conferências de Jovens Investigadores


Inicia-se já no próximo dia 24 de Julho, sábado, o Ciclo de Conferências de Jovens Investigadores, com organização conjunta da Sociedade Martins Sarmento e do CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (FCT - UM).

Este evento vai prolongar-se até Dezembro, com sessões mensais, perfazendo um total de seis sessões. Os comunicantes são jovens investigadores na área da Arqueologia e irão apresentar comunicações breves acerca de temáticas variadas, nas quais têm desenvolvido as suas investigações, desde o Paleolítico até à Idade Moderna.

Mais informações em:

sábado, 17 de julho de 2010

Símios e hominídeos «separaram-se» mais tarde do que se pensava

Nova peça do «puzzle» da evolução humana encontrada na Arábia Saudita
2010-07-15, in Ciência Hoje




Fragmentos do crânio do ‘Saadanius hijazensis’ (foto: Museu de Paleontologia / Univ. de Michigan)
Fragmentos do crânio do ‘Saadanius hijazensis’ (foto: Museu de Paleontologia / Univ. de Michigan)

A descoberta, na Arábia Saudita, dos restos fossilizados de um primata desconhecido pode ser a chave para se descobrir o momento em que os símios e hominídeos seguiram caminhos diferentes.

Cientistas de várias universidades americanas revelam esta semana, na revista Nature, a descoberta do crânio de uma espécie de símio, que foi baptizado de "Saadanius hijazansis" e que viveu há entre 29 e 24 milhões de anos na Arábia Saudita, local onde os seus restos mortais foram encontrados.

No estudo, liderado por Lyad S. Zalmout, da Universidade de Michigan, os investigadores assinalam que este primata, que pesava entre 15 e 20 quilos, tem características que retardam o momento de divergência entre o ramo dos grandes primatas (gorilas, chimpanzés, humanos e orangotangos) e o dos símios cercopitecoídeos (macacos, babuínos, etc.), que têm origem num antepassado comum.

As estimativas que tinham sido realizadas com o genoma indicavam que a separação tinha ocorrido entre 35 e 30 milhões de anos, mas nunca tinham sido encontrados fósseis que suportassem estas conclusões sobre a divergência genética entre os dois ramos.

Fóssil foi encontrado em 2009  (foto: Museu de Paleontologia / Univ. de Michigan)
Fóssil foi encontrado em 2009 (foto: Museu de Paleontologia / Univ. de Michigan)
Esta “vazio” foi agora preenchido com esta descoberta. Segundo os investigadores, o fóssil apresenta algumas características do antepassado comum entre os símios e os hominídeos, o que implica que esta divergência tenha ocorrido mais tarde do que se pensava até agora.

Os autores do estudo acreditam que os resultados obtidos são uma peça fundamental para a compreensão da natureza e da sincronização dos acontecimentos filogenéticos relevantes para as origens humanas.

História do ser humano ganha espaço próprio em Burgos

Inaugurado «Museo de la Evolución Humana»
2010-07-15, in Ciência Hoje

Difundir conhecimento sobre a evolução da espécie humana é o objectivo principal do museu inaugurado terça-feira em Burgos (província de Castela e Leão, Espanha). Foi a partir dos achados e da investigação que se realiza há várias décadas na Serra de Atapuerca, que nasceu Museu da Evolução Humana (MEH). O Museu quer ser uma referência mundial nesta matéria, até porque Atapuerca (situada na província de Burgos), sítio declarado património da Humanidade pela Unesco, em 2000, constitui o maior conjunto de achados sobre a história humana.


Organizado a partir de um guião científico elaborado por José María Bermúdez de Castro, Eudald Carbonell e Juan Luis Arsuaga, os três directores do projecto de Investigação da serra de Atapuerca, que fazem agora parte do comité científico do MEH, o espaço, de 12 mil metros quadrados, divide-se em vários pisos.

O projecto de paisagismo no interior do edifício recria a cenografia da Serra de Atapuerca. O piso menos um, concebido como o coração do museu, é um espaço expositivo que reproduz o complexo arqueológico-paleontológico daquele sítio.

O piso zero é dedicado à Teoria da Evolução de Darwin e à história da evolução humana. Aqui, pode encontrar-se a reprodução da popa do famoso Beagle, navio onde Darwin fez a expedição de investigação que motivou a escrita de «A Origem das Espécies».

Burgos, província de Castela e Leão, Espanha
Burgos, província de Castela e Leão, Espanha

No seguinte fala-se, principalmente, de cultura humana. O que nos liga e nos diferencia do homem caçador-recolector de há 9 mil anos e como foi a evolução da cultura material e tecnológica ao longo do tempo são as questões aqui propostas.

Há também uma zona dedicada à arte rupestre e várias maquetes que recriam os povoados das comunidades tanto nómadas como sedentárias.

Por fim, no último piso, recriam-se os três ecossistemas fundamentais da evolução humana: a selva, a savana e a estepe da última glaciação.

De referir que outro dos grandes atractivos do museu são as esculturas da artista francesa Elisabeth Daynès, especialista em reinventar a imagem dos nossos antepassados.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A estrada da evolução

A área do curso médio do rio Awash, na Etiópia, é a região da Terra com uma~ocupação humana mais persistente. Há quase seis milhões de anos que membros da nossa linhagem ali vivem. Entretanto, a erosão solta ossadas do solo. Caso a caso, elas documentam a maneira como um primata foi evoluindo até conquistar o planeta. Haverá melhor sítio para perceber como nos tornámos humanos? 

Fotografia por Tim D. Branca. Reconstrução digital do Ardipithecus ramidus, modelado em resina.

A vida é frágil em África, mas alguns restos mortais têm uma história para contar. A bacia de Afar localiza-se mesmo em cima de uma falha, em alargamento, da crosta terrestre. Ao longo das eras, os vulcões, os terramotos e a lenta acumulação de sedimentos convergiram entre si para enterrar as ossadas e, muito mais tarde, as devolverem à superfície sob a forma de fósseis. De acordo com o paleoantropólogo Tim White, da
Universidade da Califórnia, “há milhões de anos que morrem pessoas neste lugar. De vez em quando, temos a sorte de descobrir aquilo que delas resta”.
No passado mês de Outubro, o projecto de investigação Middle Awash, co-dirigido por Tim White juntamente com os colegas Berhane Asfaw e Giday WoldeGabriel, anunciou um achado produzido 15 anos antes: a descoberta do esqueleto de um membro da família humana morto há 4,4 milhões de anos num local denominado Aramis, cerca de trinta quilómetros a norte do lago Yardi. Pertencente à espécie Ardipithecus ramidus, esta adulta (baptizada “Ardi”) tem mais de um milhão de anos do que a famosa Lucy e fornece informação sobre um dos problemas--chave da evolução: a natureza do antepassado que partilhamos com os chimpanzés.

Texto de Jamie Shreeve
Reportagem completa in nationalgeographic do mês de Julho.