Mostrar mensagens com a etiqueta ARQUEOLOGIA E SOCIEDADE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ARQUEOLOGIA E SOCIEDADE. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Archaeology and the Olympics, London 2012

in Volume 65 Number 4, July/August 2012,
by Nadia Durrani

The Olympic Park in East London's Lower Lea Valley
(Courtesy Olympic Delivery Authority)

Summer 2012, and the world’s greatest athletes are gathering in London for the Olympics. In advance of the Games, a square mile of semiderelict land in East London’s Lower Lea Valley has been turned into a fully equipped Olympic Park. This has transformed a run-down industrial district into a leafy urban park containing modern amenities including an athletes’ village, basketball arena, and the Olympic stadium. British law decrees that archaeological assessments must be undertaken before such developments, so between 2007 and 2009, the Olympic Delivery Authority (ODA) archaeologists set to work, digging into London’s past.
(Courtesy Gary Brown)

They excavated no fewer than 121 trenches, recovered more than 10,000 artifacts, and revealed evidence of at least 6,000 years of human activity—from the area’s first prehistoric hunters and farmers to World War II defense structures. In addition, they recorded all of the site’s still-standing historic buildings. Alongside this work, thousands of boreholes were sunk deep into the earth, revealing an environmental and geoarchaeological picture of the area over the past 12,000 years.

Completing the task was herculean. Though lying only three miles northeast of the glitz and glamor of central London, just five years ago this was still a neglected and largely unoccupied area. The archaeologists were faced with dilapidated buildings, general construction waste, and a deep accumulation of eighteenth- and nineteenth-century domestic garbage. Much of this garbage had been imported from nearby areas by people wishing to substantially raise the ground in order to settle on what was then low-lying and marshy land. Added to this, an 1844 act ruled that dangerous and so-called “dirty noxious” industries, such as printing works or chemical manufacturers, had to be moved out of central London. Many relocated here, an area already known for its industry. For the archaeologists, this meant that the ground was often chemically contaminated, waterlogged, or indeed both.

Handheld trowels and shovels would not suffice. Simply to break through the layers of city detritus, heavy construction equipment operators removed several hundred tons of soil for each trench, often to a depth of around 15 feet, and in one location, almost 30 feet. Only after the operators got past this recent debris could the team begin to explore the earlier archaeology. This was a mighty task. To avoid any risk of collapse under the weight of the surrounding land, the trenches had to be stepped down, with large trenches at the top narrowing to relatively small areas at the base. “Where trenches were particularly deep, we often had to further secure their sides using steel supports,” explains Gary Brown, fieldwork project manager of Pre-Construct Archaeology. Once the sites were safe, the diggers were kitted up with protective equipment, including disposable overalls, gloves, rubber boots, protective glasses, and even face masks.

Digging in London, with its long and complex history, is always difficult and time-consuming, and these excavations were certainly no exception. However, the results have been worth it. “The archaeology covered a huge swath of time and geography,” says project director Nick Bateman of Museum of London Archaeology. “We now have the first long-term, large-scale picture of life in this part of East London, an area first settled in prehistory, and in more recent times, one that became so significant to the development of the modern city.” Had it not been for the Olympic Park’s construction, this formerly impoverished, waterlogged, outlying part of historic London simply would not have been explored on this scale.

Some of the excavation trenches were so deep that
archaeologists ensured they didn’t collapse by creating
a series of steps to distribute the weight of the soil
around them. (Courtesy Olympic Delivery Authority)
According to Simon Wright, head of venues and infrastructure at the ODA, “Not only have we transformed the Olympic Park into the largest urban park to be created in the United Kingdom for more than 100 years, but we have uncovered its past in the process.

Nadia Durrani is an archaeological editor and writer based in London.

The story of archaeology of the Olympic Park, Renewing the Past: Unearthing the History of the Olympic Park Site, will be available soon. For further details of the excavations, visit learninglegacy.london2012.com.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ciencia Portugal: Proposta carreiras em gestao de ciencia

Caros colegas,

Em Março último, um grupo de cerca de trinta investigadores e pessoas ligadas à ciência escreveu uma carta à Secretaria de Estado da Ciência e Fundação para a Ciência e Tecnologia como chamada de atenção para um conjunto de funções qualificadas de apoio à investigação científica, consideradas como fundamentais para a competitividade internacional das instituições científicas, chamadas genericamente de funções de gestão de ciência em sentido lato.
Como resposta, a Secretaria de Estado da Ciência convocou uma reunião que teve lugar no dia 21 de Maio de 2012 na presença da Professora Leonor Parreira e do Professor Miguel Seabra, na qual se propôs consolidar num documento a tornar público as ideias expostas. Preparou-se de seguida um documento que procura responder à necessidade de definição, reconhecimento e valorização da profissão de gestor de ciência, no qual se propõe a criação de um programa de financiamento para contratação de recursos humanos qualificados nesta área.
Uma vez que o assunto é de amplo interesse, gostaríamos de o submeter ao escrutínio de todos os interessados, pelo que o/a convidamos a subscrever o documento-proposta e/ou a carta inicial que lhe esteve por base. Pode fazê-lo em: http://www.cienciaportugal.org/documentos

Os dois documentos serão enviados para o email ciencia2012@fct.pt até ao próximo dia 9 de Junho de 2012 – se possível, dê-nos o seu contributo antes desta data!

Obrigada e até breve,

Filipa Duarte, Júlio Borlido, Margarida Trindade, Marta Agostinho, Sheila Vidal

sábado, 12 de maio de 2012

1.º Seminário SHIU


A história da arqueologia tem ganho cultores entre nós, não obstante a maioria se encontrar alheada da sua importância. Com efeito, encontramo-nos ainda longe do registado noutras comunidades científicas, sobretudo anglo-saxónicas, onde a história e a filosofia das ciências se enraizaram há muito no meio universitário.
Partindo de uma pergunta provocatória, o 1.º Seminário SHIU demonstrará como a história da arqueologia importa aos arqueólogos de hoje. Através dela e com ela, elucidam-se pormenores, lançam-se pistas,  renovam-se  abordagens e (re)abrem-se caminhos para a investigação.
Assegurado por representantes dos  sete grupos de trabalho da UNIARQ  – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, o 1.º Seminário SHIU demonstrará a relevância da historiografia arqueológica na elaboração e execução de projectos de investigação actuais, questionando, em permanência, em que medida os estudos de ontem importam às análises de hoje.

Horário:
10h00-18h00 (intervalo de 60m)
Tempo das comunicações: 30m

Oradores:
Amílcar Guerra
Ana Cristina Martins
Ana Margarida ArrudaAntónio Carvalho
Carlos Fabião
Catarina Viegas
Mariana Diniz
Nuno Bicho
Victor S. Gonçalves

Comissão científica (directores dos Grupos de Trabalho da UNIARQ):
G4 – Ana Cristina Martins
G2 – Ana Margarida Arruda
G3 – Carlos Fabião
G7 – Catarina Viegas
G5 – João Luís Cardoso
G6 – Nuno Bicho
G1 – Victor S. Gonçalves

Coordenação:
Ana Cristina Martins (SHIU)
Para inscrições contactar: Catarina Viegas (c.viegas@fl.ul.pt)
Lugares limitados à capacidade da Sala.

MAIS INFORMAÇÕES EM http://www.uniarq.net/

domingo, 21 de novembro de 2010

A Ciência à Procura do Passado - O Laboratório de Arqueociências


Nesta emissão dos Encontros com o Património visitamos o Laboratório de Arqueociências , em Lisboa, onde diversos investigadores, nacionais e estrangeiros, desenvolvem programas de pesquisa, em antigos territórios humanos, e na paisagem portuguesa. São nossos anfitriões David Gonçalves, Ana Cristina Araújo, Randi Danielsen, Marina de Araújo Igreja, Simon Davis e Sónia Marques Gabriel.

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1703986

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Jornadas Europeias do Património 2010. Património: Um Mapa da História

As Jornadas Europeias do Património, iniciativa do Conselho da Europa e da União Europeia, realizam-se anualmente no mês de Setembro, tendo como principal objectivo sensibilizar a população para a importância da protecção e da valorização do Património.
Em Portugal, as Jornadas Europeias do Património realizar-se-ão este ano nos dias 24, 25 e 26 de Setembro.
O IGESPAR, coordenador nacional do evento, lançou o tema “PATRIMÓNIO: UM MAPA DA HISTÓRIA”, pretendendo vincar a estreita relação entre os sítios patrimoniais e os acontecimentos históricos que lhes estão associados. O Património, nas suas diferentes manifestações, documenta um percurso espaço-tempo das sociedades; viajar pelas cidades, percorrer o território observando vestígios, interpretando os cenários urbanos e rurais de factos históricos e políticos, da humanização das paisagens, da produção técnica e científica, literária ou artística, é como ter, entre mãos, um inesgotável mapa que nos ajuda a entender de onde viemos e a escolher para onde podemos seguir.
Com o objectivo de incentivar o usufruto dos espaços patrimoniais, diversas entidades, públicas e privadas, irão associar-se a este evento através da realização de um vasto leque de iniciativas, contribuindo para a aproximação física e emocional das pessoas aos monumentos, conjuntos e sítios.
Siga o percurso da História e participe!


Para mais informações contactar:
Ana Catarina Parada
Jorge Alves
Sandra Vaz Costa
Organização
IGESPAR, I.P.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

“Um dia na pré-história” de volta a Alcalar, em Portimão


No dia 17 de Abril, o Centro Interpretativo de Alcalar é palco da quarta edição da iniciativa “Um dia na pré-história”, que convida as famílias a passarem um sábado diferente, viajando no tempo até ao quotidiano da comunidade local de há cinco mil anos.
Mais uma vez dinamizada pela equipa do Museu de Portimão, esta recriação conta, a par das visitas orientadas por arqueólogos, com a possibilidade de os visitantes poderem observar e participar em algumas das actividades que garantiam a sobrevivência da população no período entre o neolítico final e o calcolítico.
A necrópole de Alcalar, localizada a cerca de 9 km de Portimão, é composta por cerca de 20 sepúlcros agrupada em vários núcleos e revelando uma grande diversidade de soluções arquitectónicas e ainda por um rico espólio de artefactos, entre os quais almofarizes em calcário e pontas de seta em silex.
As visitas, de entrada livre, podem ser feitas de manhã, entre as 10h00 e as 12h30, e da parte da tarde, das 14h00 às 16h30, sendo que a partir das 9h30 estará disponível gratuitamente um autocarro “Vai e Vem”, com partidas do Museu a cada 20 minutos e paragens no Largo do Dique, em direcção a Alcalar.

terça-feira, 30 de março de 2010

Petição "EM DEFESA O MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA"

Quando há cerca de um ano o anterior Governo colocou a hipótese da transferência do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) para a Cordoaria nacional, o seu Grupo de Amigos (GAMNA) chamou logo a atenção para os riscos inerentes, dos quais o mais importante é o da segurança geotécnica do local e do próprio edificado da Cordoaria, para aí se poderem albergar as colecções do Museu Nacional português com colecções mais volumosas e com o maior número de peças classificadas como “tesouros nacionais”.
Após as últimas eleições pareceu ser traçado um caminho que permitia encarar com seriedade esta intenção política. A ministra da Cultura afirmou à imprensa que fora pedido ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) um parecer acerca das referidas condições geotécnicas e que seria feito projecto de arquitectura coerente, respeitador tanto da Cordoaria Nacional como do programa do Museu. Ao mesmo tempo garantiu que esse complexo seria totalmente afecto ao MNA, sem a instalação antecipada de outros serviços no local. Sendo assim, deixaria também de ser necessário alienar espaços do MNA nos Jerónimos, a título de garantia da ocupação antecipada da Cordoaria.
Causa, pois, profunda estranheza a sucessão de acontecimentos das últimas semanas, os quais vão ao ponto de comprometer ou até inviabilizar a continuidade da gestão do Director do Museu, que nos cumpre elogiar pelo dinamismo que lhe conseguiu imprimir e de cujos interesses se constitui, perante todos nós, em legítimo garante.
O estudo tranquilizador que se dizia ter sido pedido ao LNEC, deu afinal lugar a parecer meramente pessoal do técnico convidado para o efeito. O GAMNA, encomendou estudo alternativo, que vai em sentido contrário. O Director do Museu recolheu, ele próprio, outros pareceres, dos mais reputados especialistas da área da engenharia sísmica, que igualmente corroboram e ampliam as preocupações existentes. É agora óbvia a necessidade da realização de um programa de sondagens e de verificações in loco, devidamente controlado por entidade idónea, de modo a poder definir com rigor a situação da Cordoaria em matéria de riscos sísmicos, maremoto, efeito de maré, inundação e infiltração de águas salgadas. A recente tragédia ocorrida na Madeira, onde se perdeu quase por completo o acervo do Museu do Açúcar, devido a inundação, aí está para nos lembrar como não pode haver facilidade e ligeireza neste tipo de decisões.
Enquanto não estiver garantida a segurança geotécnica da instalação do MNA na Cordoaria Nacional, importa manter todas as condições de operacionalidade do Museu nos Jerónimos. Neste sentido consideramos intolerável a alienação pretendida da “torre oca” a curto prazo, até porque uma tal opção iria comprometer definitivamente qualquer hipótese futura de regressar a planos de remodelação e ampliação do MNA nos Jerónimos, conforme foi a opção consistente de sucessivos Governos, até há dois anos. O MNA merece todo o respeito e não pode ser considerado como mero estorvo num local onde aparentemente se quer fazer um novo Museu.
O poder político não pode actuar ignorando os pareceres técnicos qualificados e agindo contra o sentimento de todos os que amam o património e os museus. Apelamos ao bom senso do Governo, afirmando desde já a nossa disposição para apoiar o GAMNA na adopção de todas as medidas cívicas e legais necessárias para que seja defendida, como merece, a instituição mais do que centenária fundada pelo Doutor Leite de Vasconcelos, o antigo “museu do homem português” e actual Museu Nacional de Arqueologia.
Lisboa, em 29 de Março de 2010.

Os Peticionários

Ver Signatários | Assinar Petição

domingo, 17 de janeiro de 2010

Blogue feito pelos alunos de GPA da Universidade do Algarve

Sobre…

Este blogue é feito pelos alunos de Gestão do Património Arqueológico, dos cursos de licenciatura em Arqueologia e Património Cultural da Universidade do Algarve. (Leccionação de Maria João Valente.)
Periodicamente serão lançados temas ligados à Gestão do Património Arqueológico (GPA) que deverão ser desenvolvidos pelos alunos e apresentados mediante um texto a colocar no blogue (i.e., um post). Esses posts serão feitos de forma individual e contam para a avaliação final. Do mesmo modo, os alunos deverão também comentar os textos feitos pelos demais colegas (um convite à crítica; construtiva, claro), que também contam para avaliação.
Destes textos colocados no blogue GPA espera-se, não um mero debitar de informação, mas uma opinião construída (pensada!) sobre o assunto. Quer-se imaginação, boa construção de textos, discussão de ideias. Discussões essas que serão feitas, também, na sala de aula.
Cada aluno receberá um convite para se inscrever no blogue como autor. (Se não o recebeu ainda, contacte a docente, mandando-lhe um email.) Nessa qualidade pode editar, publicar e apagar os seus textos. Como em qualquer blogue, nesses textos podem constar ligações a outros websites, imagens ou vídeos.
Para os alunos que são novos na blogosfera: bem vindos! :)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

AVENTURA NA TERRA

Numa altura em que astrofísicos procuram outros planetas e que biólogos, químicos e paleontólogos propõem diferentes teorias sobre as condições que deram origem ao aparecimento da vida, importa olhar a Terra como um sistema em constante mutação, que deve ser compreendida no seu todo.



A AVENTURA NA TERRA é uma exposição organizada pelo Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa a inaugurar no dia 19 de Novembro de 2009. Esta exposição insere-se nas comemorações finais do Ano Internacional do Planeta Terra, que ocorreu durante 3 anos, e prolonga-se pelo Ano Internacional da Biodiversidade, 2010.

É uma exposição que convida o público a debruçar-se sobre a evolução da Terra, começando pela origem do próprio Universo desde o Big Bang. É uma verdadeira viagem pelo tempo geológico onde a vida demora a diversificar-se. A investigação científica baseada no estudo das colecções de história natural, em análises geológicas e mineralógicas, em experiências químicas e biológicas, servindo-se da inovação tecnológica, permite-nos hoje extrapolar o que foi a Terra desde há 4600 milhões de anos. Durante cerca de 1000 milhões de anos o planeta sofreu intensas modificações químicas e geológicas, tendo os primeiros sinais de “vida“ surgido aos 3800 milhões de anos, como testemunhado em rochas sedimentares. Só entre 500 e 400 milhões de anos atrás foi possível a primeira invasão da terra pelas plantas e animais. Ou seja, foi necessário “tempo” para o aumento da complexidade, da adaptação e consequente evolução da vida.

Este primeiro ciclo de conferências no âmbito desta exposição procura levar os “entendidos” e os “iniciados” pela aventura do planeta, das suas condições ambientais que permitiram a evolução e a diversificação das formas de vida. Procura acima de tudo divulgar a ciência para a sociedade e partilhar frutuosas discussões à volta dum tema tão interessante como é o da evolução do nosso planeta.


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Departamento de História, Arqueologia e Património

O sítio on-line do Departamento de História, Arqueologia e Património está remodelado e actualizado.

"O Departamento de História, Arqueologia e Património (DHAP) da Universidade do Algarve (UALG) dedica-se ao ensino, investigação e apoio à comunidades na área do Património Cultural. Conta, para tal, com mais de uma dezena de especialistas doutorados em diferentes áreas científicas -- historiadores, arqueólogos, historiadores de arte e arquitectos -- que abordam as questões patrimoniais numa perspectiva integrada, de acordo com os mais recentes conceitos patrimoniais."

Aqui podemos encontrar os projectos em curso pelos docentes e investigadores do departamento...vale a pena consultar e divulgar...

http://www.fchs.ualg.pt/Departamentos/DHAP/

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Arqueologia e Sociedade

A relação Arqueologia e Sociedade deve ser alvo de um diálogo permanente entre ambos os campos, procurando-se dessa forma o estabelecer de parcerias com objectivos a médio e longo prazo, entre elementos que formulam o pensamento arqueológico e os representantes públicos e privados da sociedade civil. Esta relação deve levar à estruturação de uma gestão programada do conhecimento formulado.

Para o arqueólogo, o entendimento do seu papel na sociedade é por vezes difícil, sendo esta noção essencial e base de todo o seu trabalho como formulador de memória colectiva. Idealmente a sua acção deveria alcançar dois objectivos: um primeiro de carácter científico, onde busca um conhecimento objectivo e rigoroso, que deve apresentar e discutir com a comunidade arqueológica; um segundo mais geral, recorrendo a plataformas com linguagem mais simplificada, de forma a cativar a sociedade no seu todo.

O primeiro objectivo encontra-se de alguma forma preenchido pelos diversos congressos, encontros e publicações da especialidade, podendo-se no entanto fazer uma chamada de atenção a um défice na divulgação dos dados a nível internacional. O segundo objectivo merece uma atenção especial. Sente-se, na maioria das autarquias, uma sensibilidade para as questões relacionadas com o património local, notando-se que aos poucos se vão preenchendo os quadros laborais com profissionais ligados ao conhecimento, valorização e preservação do património histórico-arqueológico; continua, no entanto, a sentir-se a falta de um aproximar da população às questões do património. No que diz respeito aos serviços centrais e tutelares, notou-se por parte do Ministério da Cultura um claro desinteresse e retrocesso no que se refere aos elementos ligados à arqueologia e ao património; este factor pode pôr em causa todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, devendo caber ao Estado o principal papel de gestão e defesa do património nacional. É também nesta lógica que se deve apoiar a procura da estruturação de um conhecimento cultural do património, para um público geral, com recurso a linguagem própria.

Existem ainda outras entidades com um papel importante nesta matéria: fundações, museus, empresas da especialidade, universidades, etc., que devem procurar conceber conhecimento para o público em geral, para além da formulação de um saber válido em termos científicos.

O aproximar do património cultural às pessoas, que muitas vezes vivem lado a lado, é um dos objectivos essenciais de qualquer entidade gestora e criadora de memória, já que esta não é de alguns, mas de todos e para todos. Só o reconhecimento geral da relevância e potencialidade do conhecimento arqueológico e da salvaguarda e preservação da memória de uma sociedade permite que esta se reconheça como um elemento de carácter único, e que veja no seu passado não algo distante e estático, mas algo de dinâmico e de futuro.


Paulo Rebelo
Mestrando em Arqueologia, Teoria e Métodos
Universidade do Algarve

domingo, 11 de janeiro de 2009

Múltiplos discursos, diferentes identidades

O questionar dos condicionantes na produção do conhecimento científico possui já uma longa trajectória e múltiplos enfoques, desde os que se prendem mais a factores de ordem política e económica, até aqueles que procuram investigar a influência de estruturas de pensamento difusas ou de certa forma estruturadas, seja a nível social seja a nível pessoal.

Parece claro que a existência de uma ciência neutra, feita por pessoas que conseguem se distanciar de sua humanidade, de seu enquadramento social, de seu lugar num tempo e num espaço determinados e de sua(s) própria(s) identidade(s) parece hoje descartada, de forma que cada vez mais, cientistas dos mais variados campos voltam-se para a investigação dos tipos e das intensidades dos condicionantes que interferem no fazer de cada tipo de investigação.

O pensar dos condicionantes sociais, políticos e económicos da arqueologia, particularmente, nos leva a questionar não somente o quanto e de que forma estes interferem no desenvolver da ciência arqueológica, mas como tais contextos localizam a arqueologia em relação a toda a Comunidade na qual se inserem seus pesquisadores e os resultados de suas pesquisas.

Assim, não podemos nos abster de nos vermos envolvidos nas tramas sociais e políticas que interferem e muitas vezes direccionam o trabalho arqueológico, bem como não podemos nos esquecer que o nosso próprio posicionamento social e político, enquanto cientistas, condicionam a forma como a ciência arqueológica é recepcionada e compreendida no meio onde nos inserimos e onde se inserem os resultados de nosso trabalho.

Dessa forma, à medida que nos libertamos de uma visão de ciência como forma de discurso e de conhecimento que só pode ser entendida, interpretada, e alimentada por aqueles que detêm autorização da Comunidade Científica para discutir tais conteúdos, ou seja, pelos próprios arqueólogos entre si, para uma visão de conhecimento que, partindo dos próprios arqueólogos, comporte múltiplos discursos e múltiplas interpretações, nos abrimos para a possibilidade de transmitir conhecimento sob múltiplas linguagens. Tal possibilita que diferentes camadas sociais tenham acesso aos conhecimentos apreendidos pela ciência arqueológica e possam criar suas próprias identidades em relação ao trabalho do arqueólogo, bem como em relação aos sítios que fazem parte, tantas vezes, da paisagem de inúmeras comunidades sem chegar a efectivamente ser incorporada ao quotidiano das pessoas que as compõem.

Por outro lado, à medida que tentamos repensar as relações entre a ciência arqueológica e suas ligações com o universo político dos Estados Nacionais, abre-se a possibilidade de admitirmos novas formas de interacção entre esses dois universos, de forma que a tutela estatal em relação a administração dos sítios arqueológicos e do trabalho dos arqueólogos, possa ser minimizada, possibilitando a que grupos arqueológicos organizados no contexto social possam enriquecer essa ciência com novas formas de abordar a utilização dos espaços dos sítios, para, sem por em risco sua preservação, mas, pelo contrário enriquecendo seu valor e importância junto a comunidade local e internacional, possam gerar formas de possibilitar com que os conhecimentos que personificam tais sítios possam ser mais universalizados e, assim, reforçar a ideia de se criar múltiplas linguagens e múltiplas identidades em relação a essas importantes partes representativas de nossa própria história.

Rita Juliana Soares Poloni
Leandro Infantini da Rosa
Bolseiros de Doutoramento pela FCT
Universidade do Algarve