quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Família Leakey confirma que houve três espécies entre os primeiros humanos

O crânio de dois milhões de anos descoberto em 1972,
numa montagem com uma mandíbula encontrada em 2009
(Fred Spoor)
Há dois milhões de anos, o nosso antepassado directo, o Homo erectus, não estava sozinho no mundo. Acompanhavam-no pelo menos mais duas espécies de humanos — uma tinha a cara comprida e achatada — e é isso que confirmou a descoberta de fósseis no Quénia, entre 2007 e 2009, anuncia uma equipa de cientistas, composta por Meave e Louise Leakey, na edição desta quinta-feira na revista Nature. 

Mas a história desta descoberta remete-nos para 1972, quando um crânio veio lançar a confusão. Tinha sido encontrado em Koobi Fora, perto do lago Turkana, no Norte do Quénia. É um local inóspito, mas considerado um dos berços da humanidade, onde o famoso clã Leakey, que faz importantes descobertas paleoantropológicas desde 1930, trabalha há largos anos. Logo em 1973, na Nature, Richard Leakey, então dos Museus Nacionais do Quénia, atribuiu o crânio provisoriamente ao género Homo. Mais tarde, foi datado como tendo cerca de dois milhões de anos.

Este crânio, identificado como KNM-ER 1470, ou só 1470, destacou-se dos demais fósseis por algumas características, conta a antropóloga portuguesa Eugénia Cunha, da Universidade de Coimbra: “Quer pela [maior] capacidade craniana, 750 centímetros cúbicos, quer pela face, menor e mais ortognata [não projectada na parte anterior e, por isso, achatada] do que qualquer seu ancestral”, diz no livro Como nos Tornámos Humanos, de 2010.

De início, o crânio foi classificado como Homo habilis, um humano habilidoso, já capaz de fabricar ferramentas rudimentares. Mas descobertas posteriores de outros humanos contemporâneos do 1470, mas com menor capacidade craniana, levaram alguns cientistas a considerar a existência de espécies distintas entre os primeiros humanos e o crânio foi reclassificado. Passou a ser considerado não um representante do Homo habilis, onde se incluíram outros fósseis, mas do Homo rudolfensis.

Afinal, a par do Homo erectus — o nosso antepassado directo, do qual evoluiu a nossa espécie —, havia quantas espécies do género Homo? Há dois milhões de anos, existiam quantos representantes distintos do género Homo, ou seja, quantas espécies humanas?

A discussão é importante para perceber de qual linhagem surgiu a nossa espécie. E o enigmático 1470 confundia a árvore da evolução humana, porque os seus restos não incluíam nem dentes, nem a mandíbula. Por outro lado, não se encontrou nenhum outro crânio daquela altura com a mesma cara comprida e achatada do fóssil 1470.

Alguns cientistas atribuíam a morfologia invulgar do 1470 a diferenças entre os sexos e à variação natural dentro de uma espécie, enquanto outros interpretavam-na como prova de espécies distintas”, refere um comunicado da National Geographic, que tem Meave e Louise Leakey como exploradoras residentes.

Espécie sem nome definitivo
O mistério de 40 anos teve desenvolvimentos com a descoberta, entre 2007 e 2009, de três fósseis em Koobi Fora, pela equipa de Meave e Louise Leakey, do Instituto da Bacia do Turkana. Estavam só a dez quilómetros do local onde o 1470 tinha sido encontrado.

Os fósseis — uma face, uma mandíbula completa e uma fragmentada —, com 1,78 e 1,95 milhões de anos, têm as tais características tão desejadas, uma cara achatada e comprida. A equipa, que inclui, entre outros, Fred Spoor, do University College de Londres, diz que os fósseis são da mesma espécie do 1470. “Em conjunto, os três fósseis dão um retrato muito mais claro do 1470”, diz Spoor.

Contemporâneo do Homo erectus e do Homo habilis, houve assim este outro humano, a que alguns cientistas chamam Homo rudolfensis. Outros, como Spoor, preferem não lhe dar já um nome, por considerarem que tal é “prematuro”, disse numa conferência organizada pela Nature.

Estes fósseis respondem a uma pergunta-chave sobre o nosso passado evolutivo: quão diverso era o nosso género na base da linhagem humana?”, frisou Meave Leakey na conferência. “Nos últimos 40 anos, procurámos aficandamente nos sedimentos à volta do lago Turkana fósseis que confirmassem as características únicas da cara do 1470 e nos mostrassem como eram os seus dentes e mandíbulas. Finalmente, temos algumas respostas”, contou.

É agora claro que duas espécies iniciais de humanos viveram ao lado do Homo erectus. Os novos fósseis vão ajudar bastante a desvendar como surgiu o nosso ramo da evolução humana e floresceu há quase dois milhões de anos”, concluiu Spoor. “A evolução humana não é uma linha recta de um antepassado até nós. Éramos muito mais diversos.

Geoarchaeology



Quaternary Science Reviews


Volume 49, Pages 1-112
23 August 2012

Journal of Human Evolution


Volume 63, Issue 2, Pages 247-438
August 2012

Five Decades after and : Landscape Paleoanthropology of Plio-Pleistocene Olduvai Gorge, Tanzania
Edited by Robert J. Blumenschine, Fidelis T. Masao, Ian G. Stanistreet and Carl C. Swisher


Volume 63, Issue 3, Pages 439-576
September 2012

Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology


A DGPC é um monstro administrativo


terça-feira, 31 de julho de 2012

Colonização tardia. O saca-rabos


In National Geographic Magazine, edição portuguesa, Julho 2012

Mais de 40.000 acessos...

O Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia (NAP) da Universidade do Algarve é uma unidade totalmente dedicada ao desenvolvimento, dinamização e divulgação da investigação no domínio da Arqueologia e da Paleoecologia humana.

Os objectivos do NAP são sobretudo a divulgação da disciplina arqueológica em contextos não científicos; a cooperação em projectos e elaboração de novas propostas de trabalho; a intensificação e dinamização dos contactos com sociedades e associações científicas, nacionais e estrangeiras; e a promoção e organização de reuniões científicas (congressos, conferências, cursos, workshops e demais actividades relacionadas).


Desde a primeira publicação, a 11 de Janeiro de 2009, soma-mos mais de 40.000 acessos... 

Obrigados a todos os leitores, apoiantes e amigos que visitam este espaço e a todas as pessoas que directa ou indirectamente contribuem para este projecto. Esperamos poder continuar a merecer a vossa preferência e confiança.

Aqui fica o nosso sincero obrigado!
NAP

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Quaternary Science Reviews


Volume 48, Pages 1-112
10 August 2012

Uma viagem no tempo em Vale Boi


Quaternary International


Volume 270, Pages 1-156
23 August 2012

Late Pleistocene lifeways, an African perspective: selected presentations, PAA-Safa 2010
Edited by Gerrit L. Dusseldorp and Geeske H.J. Langejans

Geomorphology



Sedimentary fluxes and budgets in natural and anthropogenically modified landscapes – Effects of climate change and land-use change on geomorphic processes
Edited by Achim A. Beylich, Armelle Decaulne and Scott Lamoureux

VI Encuentro de Arqueología Peninsular del Suroeste



O VI Encuentro de Arqueología Peninsular del Suroesteque se celebrará entre el 4 y 6 de octubre de 2012 en Villafranca de los Barros. Además, la información que se va generando se está colgando AQUI.

Rethinking Modern Human Origins

Did modern humans evolve suddenly or over a long period of time?
Image: Fredrik Sandén/Flickr

Modern humans, Homo sapiens, originated in Africa sometime between 200,000 and 100,000 years ago. I’ve written that sentence many times. But what if it’s wrong? Paleoanthropologist Tim Weaver of the University of California, Davis argues there might be another way to interpret our species’ beginnings. Instead of a discrete origin event, he suggests in the Journal of Human Evolution that our ancestors’ arrival into the world might have been a lengthy process that occurred over hundreds of thousands of years.

Current thinking says the lineages leading to modern humans and Neanderthals split 400,000 years ago. And then 200,000 years later, Homo sapiens suddenly appeared in Africa. There’s a lot of evidence that seems to support the idea. The earliest fossils assigned to our species date to this time period. Mitochondrial DNA inherited through the maternal line backs up the fossil evidence. Modern people’s mitochondrial DNA can all be traced back to a common ancestor, an “Eve,” that lived 200,000 years ago.

But Weaver says these lines of evidence can also support an alternative scenario, in which the evolution of our species plays out over hundreds of thousands of years between the split from Neanderthals and the expansion of humans out of Africa 60,000 to 50,000 years ago. He uses genetics and mathematical methods to argue his case.

First, he shows how modern people’s mitochondrial DNA could all appear to converge at 200,000 years ago without being the result of a speciation event or a population bottleneck at that time. It’s possible, he says, to get the same picture of modern mitochondrial DNA if the population of breeding adults stayed constant 400,000 to 50,000 years ago—and if the size of that population equaled the average (called the harmonic mean) population size of the successive generations experiencing a theoretical bottleneck 200,000 years ago.

Next, he builds a model of physical evolution to show how a long process could lead to the arrival of modern human traits at about 200,000 years ago. The model follows several assumptions about the genetic basis of physical traits. Weaver also assumes changes over time in human physical traits were the result of mutation and genetic drift (random change) rather than natural selection. (He notes that differences between Neanderthal and modern human skulls, for example, don’t appear to be the result of natural selection.) By modeling successive generations from 400,000 years ago to the present, with each generation equaling 25 years, Weaver finds modern human traits should have appeared in the fossil record 165,000 years ago. That date becomes 198,000 years ago when the generation length is increased to 30 years or 132,000 years ago when the generation length is decreased to 20 years. What that means is both an abrupt speciation event or a long process could explain why modern humans seem to appear in the fossil record 200,000 years ago.

Weaver’s purpose with this work, however, is not necessarily to prove that modern human origins was a long, drawn out affair. He writes:

At the moment, both discrete event and lengthy process models appear to be compatible with the available evidence. My goal is simply to show that lengthy process models are consistent with current biological evidence and to heighten awareness of the implications of these models for understanding modern human origins.

One of those implications: If it turns out the arrival of humans was a lengthy process, Weaver says, it means nothing “special” happened 200,000 years ago to cause the birth of our species.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Nota preliminar sobre el IV Seminario de Tecnología Prehistórica (2012): "La agricultura prehistórica: Metodología de investigación"

Dear Colleagues and friends,
With this preliminary note, we want to communicate the future celebration (late fall 2012) of the "IV Prehistoric Technology Seminar", organized by the Institución Mila y Fontanals (CSIC). We beg maximum dissemination of it. On this occasion, the theme will address research methodologies on prehistoric agricultural techniques and technology.Provisional data for the seminar:
  • Preliminary title: "IV Prehistoric Technology Seminar: Prehistoric Agriculture: Research Methodology."
  • Date of Celebration: 6 to 9 November 2012
  • Venue: Institution Mila y Fontanals, CSIC (Barcelona)
Faculty and preliminary titles of the sessions:
  • Juan José Ibáñez: El origen de la Agricultura en el Próximo Oriente: Cambio, adopción y proceso de difusión.
  • Jesus Emilio González: Técnicas y útiles agrícolas relacionados con el procesado de los cereales
  • Juan F. Gibaja: Las técnicas de siega
  • Pedro Ferrio Díaz: Los estudios de isótopos aplicados al estudio de la agricultura prehistórica.
  • Antonio López: Los análisis polínicos: Procesos agrícolas, territorios de explotación y modificación del paisaje.
  • Natalia Alonso: Sistemas de almacenaje. Experimentación y Arqueología.
  • Leonor Peña: La Etnoarqueología como medio de aproximación al estudio de las técnicas y sistemas de procesado de los cereales.
  • Ramón Buxó: Aproximación al conocimiento sobre la agricultura a partir de los estudios carpológicos.
  • Hugo Oliveira: Los estudios genéticos aplicados a las prácticas agrícolas prehistóricas.
  • Ferrán Antolín: Análisis cuantitativos y métodos de muestreo en el estudio de semillas.
  • Karen Hardy y Les Copeland: El análisis de almidones aplicado al conocimiento de las sociedades agricultoras.
  • Marco Madella, Carla Lancelotti y Debora Zurro: Phytoliths as a mean to investigate agricultural plants, systems and tools. 
  • Welmoed A. Out: Archaeobotany of agricultural societies: the case study of Dutch wetland sites in the process of neolithisation.
  • Raquel Piqué y Trinidad Escoriza: Arte rupestre y agricultura.
  • Oriol López: Estudio de los palos cavadores empleados en el trabajo agrícola: el caso del asentamiento neolítico de La Draga.
As usual, this seminar involves a special concern for the active participation of the students. In that sense, it will encourage alumni to put together specific issues of their own investigations, in relation to the Seminar's theme (research methodologies in relation to prehistoric agricultural techniques and technology).

In the near future will offer more information.
E-mail:
Blog: