sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um Olhar Pela Pré-História do Espichel

A exposição "Um Olhar Pela Pré-História do Espichel", organizada pelo Centro Português de Geo-História e Pré-História, no Museu Nacional de Arqueologia e que apresenta os trabalhos de Investigação arqueológica que este Centro tem vindo a desenvolver no Espichel, desde 1998.
A inauguração será no próximo dia 15, pelas 18.30.

A história da humanidade passará a contar-se a partir do "Australopithecus sediba"?

A aventura humana poderá ter começado com o "Australopithecus sediba", que pode ser o antepassado do "Homo erectus", o mais antigo representante do género humano reconhecido pelos cientistas. O ponto de partida para esta afirmação são dois fósseis com 1,9 milhões de anos encontrados numa gruta na África do Sul e que são agora descritos pormenorizadamente em cinco artigos na revista "Science".

Os fósseis mostram um cérebro surpreendentemente avançado mas pequeno, uma mão muito evoluída com um longo polegar como o dos humanos, uma pélvis moderna mas um pé e um tornozelo nunca vistos em nenhum hominino [os humanos e todos os seus antepassados evolutivos]”, descreve Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, o coordenador da equipa internacional que estudou os esqueletos fossilizados de um jovem de 10 a 13 anos e de uma fêmea de 20 a 30 anos de "Australopithecus sediba".

Os fósseis, descritos pela primeira vez em 2010, estão muito bem conservados e os esqueletos bastante completos — o que é pouco frequente, e os cientistas conseguem tirar uma quantidade inacreditável de informação de um osso ou de um dente. Datam de um período crucial na evolução humana, e do qual existem poucos fósseis esclarecedores.

Os estudos publicados agora na "Science" debruçam-se sobre as mãos do "Australopithecus sediba" — antes, só se tinham analisado com precisão mãos de Neandertal —, os pés, a pélvis e o interior do crânio, para ter uma ideia das suas dimensões e forma.

Com esta análise detalhada, os cientistas defendem que o "Australopithecus sediba" é uma espécie de transição, já a aproximar-se dos humanos. “As muitas características avançadas no corpo e no cérebro fazem dele o melhor candidato para ser o antepassado do nosso género, o género 'Homo', mais do que anteriores descobertas, como o 'Homo habilis'”, diz Berger, num comunicado da sua universidade.

Mas o mais interessante desta descoberta pode nem ser a reviravolta na árvore evolutiva humana, defendida pela equipa de Berger, sublinham alguns paleoantropólogos conceituados. “Estes artigos são dos mais interessantes publicados nos últimos anos. Mas não pelos motivos que os seus autores julgam”, comentou ao "New York Times" Bernard Wood, da Universidade George Washington. Ver a evolução em acção é o mais interessante. Ian Tattersal, do the Museu Americano de História Natural (Nova Iorque), comentou que os fósseis mostram “que a evolução fazia muitas experiências naquela altura”, em declarações ao mesmo jornal. “O género 'Homo' surgiu desta fermentação evolutiva.”

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Noite Europeia dos Investigadores 2011

O Centro Ciência Viva de Tavira e o Ria Shopping aliaram-se, pela 3ª vez, para criar em Olhão um espaço onde se comemora a Noite Europeia dos Investigadores. Para a NEI2011 e no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Mar (25 de Setembro), as actividades serão maioritariamente subordinadas ao tema do Mar. Não será apenas uma noite de comemoração, mas um dia inteiro cheio de dinamismo!

Para além das várias actividades do tipo “mão na massa” no espaço dos expositores, onde a oportunidade de interacção entre cientistas e público surgirá, haverá ainda tempo para teatro, música e uma tertúlia gigante com conversa e debates que se antevêem informais, formativos e muito divertidos.

No ano passado foi assim....


... esperamos por ti este ano também!

Geomorphology


Modelling land dynamics in mountainous watersheds
Edited by Kang-Tsung Chang, Antonie Veldkamp and Marco Borga

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mais antigo complexo acheulense foi encontrado no Quénia

Ferramentas com 1,76 milhões anos têm mais 350 mil anos do que as que se conheciam
2011-09-01, in CienciaHoje

Os machados foram descobertos no Quénia
A descoberta de machados de pedra acheulenses na mesma camada de sedimentos onde se encontram ferramentas mais primitivas pode indicar que hominídeos que fabricaram diferentes tecnologias terão coexistido.

Descobertas perto do lago Turkana, no Quénia, por uma equipa de paleontólogos e geólogos franceses e norte-americanos, as ferramentas terão sido talhadas por Homo erectus há 1,76 milhões de anos. Os mais antigos complexos desta indústria eram mais recentes em 350 mil anos. O estudo está publicado na «Nature».

As novas peças confirmam que aqueles hominídeos que se estenderam pela Eurásia e África há dois milhões de anos eram capazes de modelar grandes bifaces. O seu tamanho indica que poderiam ser utilizadas para descarnar animais de grande porte como os elefantes.

As ferramentas foram encontradas em Kokiselei, a poucos quilómetros do local onde a equipa de Richarg Leakey descobriu, em 1984, o esqueleto mais completo de um Homo erectus, conhecido como rapaz de Nariokotome (ou Turkana).

Os geólogos, dirigidos por Christopher J. Lepre, do Departamento de Ciências Planetárias e da Terra, da Universidade de Rutgers, dataram os sedimentos em função da polaridade magnética da Terra existente naquele momento.

Os investigadores destacam o facto de existiram ferramentas de duas tecnologias distintas (uma mais primitiva do que a outra) misturadas, o que pode significar que o Homo habilis e Homo erectus chegaram a viver na mesma época ou que os segundos utilizaram ambas as tecnologias conforme as suas necessidades.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

JIA 2011...


1ª circular

Queridas/os companheiras/os,
Um ano mais, convidamos-vos à participação nas Jornadas de Jovens Investigadores em Investigação 
Arqueológica, destinadas a todas/os aquelas/es investigadoras/es que ainda não defenderam a sua tese de doutoramento. Este ano, devido à eleição levada a cabo pelo Comité Científico, estas jornadas celebrar-se-ão no Instituto de Ciencias do Património (Incipit-CSIC), em Santiago de Compostela. Serão as V Jornadas de Jovens em Investigação Arqueológica, e desde a nossa instituição e o Comité de Organização faremos o maior esforço para estar à altura das edições anteriores. Terão lugar durante os dias 9, 10 e 11 de Maio, realizando-se uma excursão no dia 12 de Maio.
Com o passo dos anos, o evento foi-se consolidando, até ao ponto de converter-se num ponto fixo no calendário de jovem comunidade investigadora, não apenas a nível peninsular, mas também internacional, bastando com ver as estatísticas dos últimos anos. Desde o Incipit queremos manter o trabalho levado a cabo pelos anteriores comités organizadores, mas apostamos na introdução de uma série de modificações que tornem o evento ainda mais atractivo. Procuramos, sobretudo, uma maior participação e responsabilidade por parte de todas/os as/os participantes, de forma a que o êxito do evento seja compartido por todas as pessoas presentes nas jornadas...

Mais informações em jia2012compostela

Mais de 20.000 acessos…

Obrigados a todos os leitores, apoiantes e amigos que visitam este espaço.
Esperamos poder continuar a merecer a vossa preferência e confiança.

Aqui fica o nosso muito obrigado!
NAP

Earliest Signs of Advanced Tools Found

By JOHN NOBLE WILFORD
Published in The New York Times


One hallmark of Homo erectus, a forerunner of modern humans, was his stone tools, an advanced technology reflecting a good deal of forethought and dexterity. Up to now, however, scientists have been unable to pin a firm date on the earliest known evidence of his stone tool-making.

A new geological study, being reported Thursday in the journal Nature, showed that tools from a site near Lake Turkana in Kenya were made about 1.76 million years ago, the earliest of their ilk found so far. Previous dates were estimates ranging from 1.4 million to 1.6 million years ago.

Although no erectus fossils were found with the Turkana tools, a skull of that species was excavated last year in the same sediment level across the lake. This suggests that Homo erectus was responsible for these particular tools, which were made with what scientists refer to as Acheulean technology. The term connotes the type of oval and pear-shaped hand axes and other implements that were a specialty of early humans.

Leia mais em The New York Times

P. J. Texier/MPK/WTAP
A study dates human tools like this ax to 1.76 million years ago
.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Hibridação com Neandertais melhorou resistência imunológica dos “homo sapiens”

Estudo sugere que devido a cruzamento o homem moderno ficou apto a sobreviver na Europa
in CienciaHoje, 2011-08-26

Quando saiu de África e rumou até à Europa, o homo sapiens teve contacto com o Homo neanderthalensis. Essa teoria ficou provada quando, há não muito tempo, investigadores do Instituto Max Plank (Alemanha) descobriram que o ser humano moderno europeu e asiático têm entre um e quatro por cento de DNA Neandertal.

Homem de Neandertal dotou "sapiens" de um melhor sistema imunitário
Um artigo agora publicado na «Science» vem acrescentar que a genética dos homo sapiens foi melhorada pelo cruzamento. A equipa de investigação identificou vários genes e regiões do DNA que foram ‘cedidos’ pela aquela espécie ao sistema imunitário que o ser humano ainda possui.

Dirigido por Peter Parham (Universidade de Stanford), o estudo permitiu conhecer os genomas tanto de Neandertais como de hominídeos de Denisova (espécie recentemente descoberta na gruta de Denisova, Sibéria).

Investigações anteriores tinham já sugerido que o cruzamento entre estes três hominídeos que habitavam o planeta há 60 mil anos aconteceu na Eurásia, razão pela qual se identificou 2,5 por cento de DNA Neandertal em todos os humanos não africanos. Também se detectou parte de DNA denisoviano em populações asiáticas, sobretudo na Melanésia, onde a percentagem de DNA ancestral ascende a seis por cento.

O que este estudo traz de novo é a importância da hibridação. As atenções dos investigadores centraram-se no sistema sistema antígeno leucocitário humano (HLA), pois este está submetido à pressão das doenças e entra facilmente em mutação.

A comparação das sequências genómicas mostrou que vários genes do HLA (como o B*51 e o C*07) eram próprios da evolução dos Neandertais e passaram para as populações de sapiens. O mesmo se passava com uma região chamada HLA classe I. As percentagens da presença entre os europeus era de 50 por cento, nos asiáticos de 80 por cento e nas populações da Papua Nova Guiné até 95 por cento. No entanto, não se encontrava entre a população africana.

Foram também encontrados nos asiáticos genes próprios do genoma dos hominídeos de Denisova.

Os autores defendem que a mestiçagem com outras espécies melhorou os humanos modernos para os defender de patogénicos presentes na Europa e na Ásia. Trata-se, afirma, de um “exemplo claro de selecção natural”: aqueles que possuíam os genes protectores, ou seja, os híbridos, ficaram mais aptos para sobreviver.

L'Anthropologie

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

El primer ganivet de fusta i amb mànec del món el va fabricar un neandertal a Capellades

L'equip d'Eudald Carbonell ha trobat l'artefacte, de 56.000 d'anys, a l'Abric Romaní, on van viure durant milers d'anys neandertals caçadors-recolectors

Reconstrucció de la peça
Jordi Mestre IPHES
Fa 56.000 anys, algun dels neandertals que vivien al jaciment de l'Abric Romaní, a Capellades, va ser el primer de tenir una genial i pràctica idea: fer un ganivet de fusta amb mànec. L'acaba de trobar l'equip de l'Eudald Carbonell, de l'Institut Català de Paleoecologia Humana i Evolució Social (IPHES). És el registre arqueològic d'aquest tipus més antic del món. El mànec té forma ergonòmica i fa uns vuit centímetres. La fulla fa 15 centímetres i acaba en punta. Possiblement, la feien servir en tasques de recol·lecció o per mantenir el foc.

L'artefacte està parcialment carbonitzat, però s'ha conservat gràcies al travertí que caracteritza la construcció de l'estructura de l'Abric Romaní. Durant milers d'anys, hi vivien caçadors recol·lectors de neandertals. S'han trobat restes de cèrvids, calls i bòvids que possiblement formaven part de la seva dieta. Juntament amb aquests fòssils, s'han trobat altres eines de sílex i restes de fusta que utilitzaven com a combustible.

Els investigadors fa 30 anys que excaven en aquest jaciment. Se sap que els neandertals tenien una organització social complexa, però les eines que es van trobant aporten dades sobre la seva conducta i les seves activitats domèstiques.

Quaternary Science Reviews