sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mais antigo complexo acheulense foi encontrado no Quénia

Ferramentas com 1,76 milhões anos têm mais 350 mil anos do que as que se conheciam
2011-09-01, in CienciaHoje

Os machados foram descobertos no Quénia
A descoberta de machados de pedra acheulenses na mesma camada de sedimentos onde se encontram ferramentas mais primitivas pode indicar que hominídeos que fabricaram diferentes tecnologias terão coexistido.

Descobertas perto do lago Turkana, no Quénia, por uma equipa de paleontólogos e geólogos franceses e norte-americanos, as ferramentas terão sido talhadas por Homo erectus há 1,76 milhões de anos. Os mais antigos complexos desta indústria eram mais recentes em 350 mil anos. O estudo está publicado na «Nature».

As novas peças confirmam que aqueles hominídeos que se estenderam pela Eurásia e África há dois milhões de anos eram capazes de modelar grandes bifaces. O seu tamanho indica que poderiam ser utilizadas para descarnar animais de grande porte como os elefantes.

As ferramentas foram encontradas em Kokiselei, a poucos quilómetros do local onde a equipa de Richarg Leakey descobriu, em 1984, o esqueleto mais completo de um Homo erectus, conhecido como rapaz de Nariokotome (ou Turkana).

Os geólogos, dirigidos por Christopher J. Lepre, do Departamento de Ciências Planetárias e da Terra, da Universidade de Rutgers, dataram os sedimentos em função da polaridade magnética da Terra existente naquele momento.

Os investigadores destacam o facto de existiram ferramentas de duas tecnologias distintas (uma mais primitiva do que a outra) misturadas, o que pode significar que o Homo habilis e Homo erectus chegaram a viver na mesma época ou que os segundos utilizaram ambas as tecnologias conforme as suas necessidades.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

JIA 2011...


1ª circular

Queridas/os companheiras/os,
Um ano mais, convidamos-vos à participação nas Jornadas de Jovens Investigadores em Investigação 
Arqueológica, destinadas a todas/os aquelas/es investigadoras/es que ainda não defenderam a sua tese de doutoramento. Este ano, devido à eleição levada a cabo pelo Comité Científico, estas jornadas celebrar-se-ão no Instituto de Ciencias do Património (Incipit-CSIC), em Santiago de Compostela. Serão as V Jornadas de Jovens em Investigação Arqueológica, e desde a nossa instituição e o Comité de Organização faremos o maior esforço para estar à altura das edições anteriores. Terão lugar durante os dias 9, 10 e 11 de Maio, realizando-se uma excursão no dia 12 de Maio.
Com o passo dos anos, o evento foi-se consolidando, até ao ponto de converter-se num ponto fixo no calendário de jovem comunidade investigadora, não apenas a nível peninsular, mas também internacional, bastando com ver as estatísticas dos últimos anos. Desde o Incipit queremos manter o trabalho levado a cabo pelos anteriores comités organizadores, mas apostamos na introdução de uma série de modificações que tornem o evento ainda mais atractivo. Procuramos, sobretudo, uma maior participação e responsabilidade por parte de todas/os as/os participantes, de forma a que o êxito do evento seja compartido por todas as pessoas presentes nas jornadas...

Mais informações em jia2012compostela

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NAP

Earliest Signs of Advanced Tools Found

By JOHN NOBLE WILFORD
Published in The New York Times


One hallmark of Homo erectus, a forerunner of modern humans, was his stone tools, an advanced technology reflecting a good deal of forethought and dexterity. Up to now, however, scientists have been unable to pin a firm date on the earliest known evidence of his stone tool-making.

A new geological study, being reported Thursday in the journal Nature, showed that tools from a site near Lake Turkana in Kenya were made about 1.76 million years ago, the earliest of their ilk found so far. Previous dates were estimates ranging from 1.4 million to 1.6 million years ago.

Although no erectus fossils were found with the Turkana tools, a skull of that species was excavated last year in the same sediment level across the lake. This suggests that Homo erectus was responsible for these particular tools, which were made with what scientists refer to as Acheulean technology. The term connotes the type of oval and pear-shaped hand axes and other implements that were a specialty of early humans.

Leia mais em The New York Times

P. J. Texier/MPK/WTAP
A study dates human tools like this ax to 1.76 million years ago
.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Hibridação com Neandertais melhorou resistência imunológica dos “homo sapiens”

Estudo sugere que devido a cruzamento o homem moderno ficou apto a sobreviver na Europa
in CienciaHoje, 2011-08-26

Quando saiu de África e rumou até à Europa, o homo sapiens teve contacto com o Homo neanderthalensis. Essa teoria ficou provada quando, há não muito tempo, investigadores do Instituto Max Plank (Alemanha) descobriram que o ser humano moderno europeu e asiático têm entre um e quatro por cento de DNA Neandertal.

Homem de Neandertal dotou "sapiens" de um melhor sistema imunitário
Um artigo agora publicado na «Science» vem acrescentar que a genética dos homo sapiens foi melhorada pelo cruzamento. A equipa de investigação identificou vários genes e regiões do DNA que foram ‘cedidos’ pela aquela espécie ao sistema imunitário que o ser humano ainda possui.

Dirigido por Peter Parham (Universidade de Stanford), o estudo permitiu conhecer os genomas tanto de Neandertais como de hominídeos de Denisova (espécie recentemente descoberta na gruta de Denisova, Sibéria).

Investigações anteriores tinham já sugerido que o cruzamento entre estes três hominídeos que habitavam o planeta há 60 mil anos aconteceu na Eurásia, razão pela qual se identificou 2,5 por cento de DNA Neandertal em todos os humanos não africanos. Também se detectou parte de DNA denisoviano em populações asiáticas, sobretudo na Melanésia, onde a percentagem de DNA ancestral ascende a seis por cento.

O que este estudo traz de novo é a importância da hibridação. As atenções dos investigadores centraram-se no sistema sistema antígeno leucocitário humano (HLA), pois este está submetido à pressão das doenças e entra facilmente em mutação.

A comparação das sequências genómicas mostrou que vários genes do HLA (como o B*51 e o C*07) eram próprios da evolução dos Neandertais e passaram para as populações de sapiens. O mesmo se passava com uma região chamada HLA classe I. As percentagens da presença entre os europeus era de 50 por cento, nos asiáticos de 80 por cento e nas populações da Papua Nova Guiné até 95 por cento. No entanto, não se encontrava entre a população africana.

Foram também encontrados nos asiáticos genes próprios do genoma dos hominídeos de Denisova.

Os autores defendem que a mestiçagem com outras espécies melhorou os humanos modernos para os defender de patogénicos presentes na Europa e na Ásia. Trata-se, afirma, de um “exemplo claro de selecção natural”: aqueles que possuíam os genes protectores, ou seja, os híbridos, ficaram mais aptos para sobreviver.

L'Anthropologie

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

El primer ganivet de fusta i amb mànec del món el va fabricar un neandertal a Capellades

L'equip d'Eudald Carbonell ha trobat l'artefacte, de 56.000 d'anys, a l'Abric Romaní, on van viure durant milers d'anys neandertals caçadors-recolectors

Reconstrucció de la peça
Jordi Mestre IPHES
Fa 56.000 anys, algun dels neandertals que vivien al jaciment de l'Abric Romaní, a Capellades, va ser el primer de tenir una genial i pràctica idea: fer un ganivet de fusta amb mànec. L'acaba de trobar l'equip de l'Eudald Carbonell, de l'Institut Català de Paleoecologia Humana i Evolució Social (IPHES). És el registre arqueològic d'aquest tipus més antic del món. El mànec té forma ergonòmica i fa uns vuit centímetres. La fulla fa 15 centímetres i acaba en punta. Possiblement, la feien servir en tasques de recol·lecció o per mantenir el foc.

L'artefacte està parcialment carbonitzat, però s'ha conservat gràcies al travertí que caracteritza la construcció de l'estructura de l'Abric Romaní. Durant milers d'anys, hi vivien caçadors recol·lectors de neandertals. S'han trobat restes de cèrvids, calls i bòvids que possiblement formaven part de la seva dieta. Juntament amb aquests fòssils, s'han trobat altres eines de sílex i restes de fusta que utilitzaven com a combustible.

Els investigadors fa 30 anys que excaven en aquest jaciment. Se sap que els neandertals tenien una organització social complexa, però les eines que es van trobant aporten dades sobre la seva conducta i les seves activitats domèstiques.

Quaternary Science Reviews

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Quaternary Research


Há uma nova interpretação sobre os concheiros de Muge

Sítio arqueológico teve novas escavações
18.08.2011 - 17:51 Por Lusa in Público

A região onde está o sítio arqueológico dos concheiros de Muge, em Salvaterra de Magos, terá sido há 8000 anos um estuário semelhante ao de Lisboa, e as conchas terão sido colocados em algumas décadas para sinalizar e proteger o local que foi descoberto há 150 anos.

A convicção é de Nuno Bicho, responsável científico das escavações que decorrem há quatro anos no Cabeço da Amoreira, numa área equivalente a meio campo de futebol.

Os meios científicos actuais e o pormenor com que têm decorrido os trabalhos permitem novas interpretações sobre a ocupação do local e a comunidade que o habitou há cerca de 8000 anos, disse o arqueólogo à Lusa.

Além de contrariar a ideia de que os montes de conchas (resultantes de uma componente importante da alimentação daquela comunidade) foram sendo depositados ao longo de milénios, a equipa entende ainda que a comunidade de caçadores recolectores que ali se instalou era socialmente mais complexa do que se pensava.

Como exemplo, Nuno Bicho aponta o esqueleto encontrado no final de Julho - uma mulher jovem enterrada há cerca de 7500 anos - e que só o detalhe da escavação permitiu “ler” o conjunto de cuidados colocados no enterramento, revelando uma complexidade de rituais nunca antes registada, apesar dos mais de 300 esqueletos encontrados nas escavações anteriores neste sítio arqueológico.

Agora poderíamos replicar o enterramento”, disse, referindo o processo de enterramento e pormenores, como a posição lateral do corpo com joelhos flectidos, uma mão sobre um joelho e outra sobre o peito, e a colocação criteriosa de conchas de berbigão e de lambujinha, três escápulas de veado, um fragmento de crânio de cão e alguns pequenos artefactos em pedra.

Para o arqueólogo, estes detalhes permitem vislumbrar a presença de uma sociedade mais complexa do ponto de vista social do que inicialmente se supunha, “com alguma hierarquização do ponto de vista etário e de género, com uns elementos mais importantes que outros, com funções específicas e umas mais dignificadas que outras”.

Por outro lado, Nuno Bicho refere que a informação trazida à luz pelas escavações mais recentes permite concluir que houve um interregno “talvez de 300 anos entre a ocupação e a deposição de conchas”, o que o leva a admitir que os descendentes da comunidade original, “por qualquer razão”, regressaram ao local para o proteger.

Puseram as conchas num período muito rápido - não temos possibilidade de saber quão rápido, mas sabemos que essa tarefa não durou mais de 100 anos – e depois de outro interregno, talvez de 200 anos, foi colocado um manto pedregoso que protegeu e selou definitivamente o local”, deixando uma “marca territorial”, disse.

As escavações permitiram ainda concluir que, já depois da cobertura com conchas (que atinge uma altura de 2,5 metros) e depois da cobertura com pedras, houve enterramentos, acrescentou.

A escavação em curso, envolvendo investigadores e arqueólogos das Universidades do Algarve, de Coimbra, de Lisboa, do Porto e universidades do Canadá e de Inglaterra, teve um financiamento para três anos da Fundação para a Ciência e Tecnologia, renovado em 2009 por mais três anos, contando com o apoio da Casa Cadaval, em cujos terrenos se situam os concheiros.

Nuno Bicho espera culminar esta fase com a realização, em 2013, de uma reunião internacional para celebrar os 150 anos dos primeiros achados feitos no local.