domingo, 21 de novembro de 2010

A Ciência à Procura do Passado - O Laboratório de Arqueociências


Nesta emissão dos Encontros com o Património visitamos o Laboratório de Arqueociências , em Lisboa, onde diversos investigadores, nacionais e estrangeiros, desenvolvem programas de pesquisa, em antigos territórios humanos, e na paisagem portuguesa. São nossos anfitriões David Gonçalves, Ana Cristina Araújo, Randi Danielsen, Marina de Araújo Igreja, Simon Davis e Sónia Marques Gabriel.

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1703986

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

NAP no V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular

No âmbito do V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular, em Almodôvar, estiverem presentes vários investigadores de várias nacionalidades, bem como algumas participações de membros do NAP.

Este V Encontro pretende juntar arqueólogos com trabalhos e projectos numa vasta zona ibérica, para apresentar e discutir a evolução e resultados da sua investigação. Os trabalhos decorrerão ao longo de três dias, agrupando as comunicações em grandes períodos cronológicos, com uma conferência inicial por um orador convidado.

Leandro Infantini, Carolina Mendonça - "As linhas de costa e a tecnologia lítica durante o tardiglaciar do Algarve"



Vera Pereira - "Alcarias de Odeleite sob perspectiva zooarqueológica"


Explosive archaeology - Safe demolition in karstic environments

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Oldest tool-use claim challenged

By Jonathan Amos
Science correspondent, BBC News

The idea that human ancestors were using stone tools about 3.4 million years ago has been challenged by a Spanish-led team of researchers. The original claim was based on what were purported to be butchery marks on animal bones found in Ethiopia. It pushed back the earliest known tool-use and meat-eating in our ancestors by some 800,000 years. But Manuel Dominguez-Rodrigo and his team tell PNAS journal that the marks are more likely to be animal scratches. "A mark made with a stone tool could be morphologically similar to a mark that is accidentally made by an animal trampling on a bone, if the bone is lying on an abrasive [surface]," said Dr Dominguez-Rodrigo from the Complutense University of Madrid. "We can match mark-by-mark every single mark on the fossils with marks that we obtain using trampling criteria," he told BBC News. The group behind the original claim has robustly defended its position.

Lucy's diet?
"Needless to say we don't agree with their interpretation," said Shannon McPherron from the Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, Leipzig, Germany. "But this is science; debate is good - we welcome it." The earliest indisputable evidence for early-human tool use comes from two locations in Ethiopia separated by about 100km, in the nearby Gona and Bouri areas of the country. These date to about 2.6 million years ago. Dr McPherron and colleagues first presented their fossil bone evidence in August. It comprised the rib of a cow-sized animal and the thigh bone of a goat-sized antelope discovered in the Dikika region. The specimens were said to have the sort of damage stone tools would produce if ancestral humans had tried cleave the meat from the bones and get inside them to extract the marrow. The fossils were dated to about 3.4 million years ago, putting them in the time frame of the famous hominin Australopithecus afarensis, better known as "Lucy". But Dr Dominguez-Rodrigo's team is now contesting this view. The researchers compared the other group's findings with previous studies that have detailed the natural processes - such as animals stepping on objects - capable of leaving marks on fossil surfaces. According to the Spanish team, most of the purported tool marks on the Dikika bones can be put down to trampling and geological abrasion.

'The totality'
The evidence from the two bones is not sufficient to overturn the consensus timeline of human behavioural evolution, the scientists say. The Dikika region of Ethiopia: The hunt goes on for the origin of humans. "This might seem like an obscure debate but if [McPherron and colleagues] are correct, the implications are huge," argued Dr Dominguez-Rodrigo. "In the future, we may find traces of hominins eating meat and using stone tools long before we already know. But if they are right that means these features appear long before creatures had the brain to actually do this, from the interpretation we have from the last 40 years. So it's a big statement that has to have a special kind of evidence." At the time of its publication in the journal Nature, the McPherron team tried to head off criticism that the marks were inflicted by animals. In its view, the stone-tool origin of the damage was "unambiguous". Dr McPherron said he was disappointed that the Spanish team had not examined the bones directly - only pictures of them. "There are quite a few marks on these bones and on a few of them they think that the pattern that you see falls within the range you see for trampling," he said. "But the point is to explain the totality of the marks on these bones, and the totality fits very well within the pattern for cut-marked, or stone-tool-modified, bones," he told BBC News.

Quantitative Archaeology Wiki

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Ciclo de Conferências ARQUEOLOGIA AO SUL

No âmbito das iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia (NAP) da Universidade do Algarve, é com grande prazer que informamos que se iniciará, já no próximo dia 25 de Novembro, o ciclo de conferências Arqueologia ao Sul.
Pretendendo ser um projecto a longo prazo e sem periodicidade definida, os principais objectivos do Arqueologia ao Sul são, por um lado, a apresentação de temas actuais nas áreas da Arqueologia e Paleoecologia Humana e, por outro, a criação de um espaço, aberto a todos os interessados, onde se possam debater as ideias e temáticas apresentadas pelo orador convidado.
A inauguração do ciclo fica a cargo de Francisco Almeida com uma conferência dedicada aos “Novos desafios ao estudo da transição Gravetense-Solutrense em Portugal” que terá lugar dia 25 de Novembro pelas 17h30, na sala 2.35 do edifício da FCHS da UAlg (Campus de Gambelas).



Nota biográfica
Francisco Almeida, arqueólogo de profissão, licenciou-se em História – variante Arqueologia, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1992. O gozo pela Pré-História antiga, desde cedo, o faz rumar aos Estados Unidos da América para frequentar o programa de pós-graduação em Arqueologia na Southern Methodist University (Dallas, Texas). Nesta universidade completa o Mestrado em 1996, seguido do Doutoramento em 2000, com a dissertação: O Gravetense terminal da Estremadura Portuguesa, variabilidade tecnológica das indústrias líticas (Almeida, 2000). Regressa a Portugal para trabalhar como investigador no ex-IPA, actual IGESPAR., coordenando, desde então, os trabalhos arqueológicos no Abrigo do Lagar Velho, Leira. Actualmente é investigador de Pós-Doutoramento na Faculdade das Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

Dissertação de Doutoramento
ALMEIDA, F. (2000) - The Terminal Gravettian of Portuguese Estremadura. Technological variability of the lithic industries. Unpublished PhD Dissertation. Southern Methodist University, Dallas, Texas, EUA.

Síntese bibliográfica
ALMEIDA, F. (1998) - O Método das Remontagens Líticas: Enquadramento Teórico e Aplicações. In Trabalhos de Arqueologia da EAM, 3, Lisboa, Colibri, pp.1-40.

ALMEIDA, F. (2001) - Cores, tools, or both? Methodological contribution for the study of carinated lithic elements: the Portuguese case. In HAYS, M.; THACKER, P. (eds.) Questioning the Answers: Resolving Fundamental Problems of the Early Upper Paleolithic. Oxford: Archaeopress (British Archaeological Reports International Series; 1005), pp. 91-97.

ALMEIDA, F. (2002) – O Paleolítico. In FONTES, J.L. (Coord.) A dos Cunhados – Itinerários de Memória, Pró-Memória, A dos Cunhados, pp. 49-54.

ALMEIDA, F.; ARAÚJO, A.C.; AUBRY, T. (2003) Paleotecnologia lítica: dos objectos aos comportamentos. In MATEUS, J.E.; MORENO, M. (ed.) Paleoecologia humana e Arqueociências. Um programa multidisciplinar para a Arqueologia sob a tutela da Cultura. Trabalhos de Arqueologia, nº 29, Lisboa, IPA, pp. 299-349.

ALMEIDA, F. (2007) Refitting at Lapa do Anecrial: Studying Technology and Micro Scale Spatial Patterning through Lithic Reconstructions. In SCHURMANS, U. & DE BIE, M. (ed.) Fitting Rocks: Lithic Refitting Examined, BAR International Series 1596, pp. 55-74..

ALMEIDA, F. (2008) Big Puzzles, Short Stories: advantages of refitting for micro-scale spatial analysis of lithic scatters from Gravettian occupations in Portuguese Estremadura. In AUBRY, T.; ALMEIDA, F.; ARAÚJO, A.C.; TIFFAGOM, M. (eds.) Proceedings of the XV World Congress UISPP (Lisbon, 4-9 September 2006) 21 Space and Time: Which Diachronies, which Synchronies, which Scales? / Typology vs Technology. BAR S1831, pp. 69-79.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

VI Encontro Nacional de Biologia Evolutiva


O VI Encontro Nacional de Biologia Evolutiva terá lugar no dia 22 de Dez., na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com o apoio do Centro de Biologia Ambiental (CBA/UL) e Centro de Biociências (ISPA).

O Encontro terá início às 10, com uma palestra (às 10h30) em homenagem ao Prof. Carlos Almaça, pelo Prof. Luís Vicente. A participação nesta palestra não requere inscrição.

As inscrições deverão ser feitas enviando uma mensagem para biologia.evolutiva@gmail.com, indicando o vosso nome e afiliação/instituição. A participação é gratuita.





Se quiserem fazer uma apresentação, por favor enviem também:
- Título da apresentação,
- Lista de autores,
- Resumo (max 250 palavras)
- Suporte preferido (oral ou poster).

O prazo de inscrição é até 26 de Novembro.
Mais informações em http://www.biologia-evolutiva.net/

Congreso Prehistoria Valencina 2010


Mais informações em:

V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular


Vida e Morte na Idade do Ferro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Reconstruindo os Puzzles do Passado: Remontagens de Pedra Lascada

A Secção de Pré-história da Associação dos Arqueólogos Portugueses vai levar a cabo, no dia 4 de Dezembro próximo (9.30h-18.00), no Museu Arqueológico do Carmo, um workshop intitulado Reconstruindo os Puzzles do Passado: Remontagens de Pedra Lascada, com coordenação científica de Francisco Almeida.

Entrada Livre.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ciclo de Conferênciaas MNA

Relembra-se que o GEEvH, o NAP e o Museu Nacional de Arqueologia, realizam amanhã, dia 10 de Novembro, pelas 18 horas, a segunda conferência do ciclo de conferências "Arqueologia e Antropologia…. Territórios de fronteira"

"As Origens do Olduvaiense: Serão os chimpanzés (Pantroglodytes) bons modelos para a evolução das primeiras tecnologias em África?"

por Susana Carvalho, scr50@cam.ac.uk
(Leverhulme Centre for Human Evolutionary Studies, University of Cambridge, Cambridge, 2 CB 1 QH, United Kindgom; CIAS – Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Universidade de Coimbra, 3000-056, Coimbra, Portugal)

Resumo:
Compreender como e porquê surge o uso de ferramentas em primatas humanos tem sido um objectivo essencial da arqueologia e antropologia, desde o aparecimento destas disciplinas. As tecnologias mais antigas datam de há 2.6 milhões de anos, e as evidências desta indústria conhecida como “Olduvaiense”, são maioritariamente compostas por pedras talhadas (líticos) que perduraram no registo arqueológico (Semaw et al. 1997). As características que permitem discriminar estes artefactos (i.e. pedras modificadas intencionalmente) são bem conhecidas dos arqueólogos (Bordes 1961, Leakey 1971, Tixier et al. 1980, Isaac and Harris 1997).

As tecnologias de percussão mais antigas incluem artefactos provenientes de escavações na África Oriental (Semaw et al. 1997; Delagnes and Roche 2005). Desde 1970, muitos estudos analisaram a tipologia e tecnologia destas colecções (e.g. Leakey 1971; Toth 1985; Isaac and Harris 1997), mas os martelos e as bigornas foram consideravelmente desvalorizados, sendo vistos como uma espécie de “parentes pobres” da tecnologia de talhe.

Durante a década de 60, Jane Goodall observou chimpanzés a fabricar e usar diversas ferramentas (Goodall 1963) e, um pouco antes, era descoberto o uso de pedras para partir nozes entre comunidades de chimpanzés da África Ocidental (Beatty 1951). Recentemente, a escavação de um sítio arqueológico de nut-cracking de chimpanzés com 4300 anos BP (Mercader et al. 2007) estabeleceu uma “Idade da Pedra” recente para esta tecnologia de primatas não-humanos.

Desde 2006, um projecto de investigação interdisciplinar, conjugando arqueologia e primatologia, investiga o nut-cracking praticado por chimpanzés em habitat natural, visando caracterizar estes utensílios, bem como analisar a distribuição espacial e variação regional destas ferramentas e suas áreas de actividade (Carvalho et al. 2008). O estudo foca-se no uso de ferramentas nas florestas de Bossou e Diecké (Guiné Conakry), e utiliza estes primatas não-humanos como modelos, procurando testar a hipótese que considera terem existido indústrias de percussão mais antigas, que ainda não terão sido detectadas no registo arqueológico. Os resultados preliminares desta investigação contribuíram para a recente proposta de uma nova disciplina: Arqueologia de primatas (Haslam et al. 2009).

Um laboratório ao ar livre no centro da floresta de Bossou, permite realizar experiências de nut-cracking, utilizando nozes disponíveis na floresta (Elaeis guineensis) e nozes estranhas ao habitat local (Coula edulis) (Matsuzawa 1994, Biro et al. 2003). Os dados recolhidos durante 5 anos de sessões experimentais revelaram a selecção e uso preferencial de determinados pares de ferramentas. Os chimpanzés repetem a combinação de alguns martelos com algumas bigornas de forma sistemática. O uso repetido dos mesmos pares de ferramentas pode amplificar as marcas de uso e aumentar a possibilidade de fractura dos elementos. Este padrão de utilização sugere que comportamentos semelhantes poderão ter originado os primeiros episódios de talhe acidental em hominínios (Mora e de la Torre 2005; Carvalho et al. 2009).