segunda-feira, 15 de novembro de 2010

VI Encontro Nacional de Biologia Evolutiva


O VI Encontro Nacional de Biologia Evolutiva terá lugar no dia 22 de Dez., na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com o apoio do Centro de Biologia Ambiental (CBA/UL) e Centro de Biociências (ISPA).

O Encontro terá início às 10, com uma palestra (às 10h30) em homenagem ao Prof. Carlos Almaça, pelo Prof. Luís Vicente. A participação nesta palestra não requere inscrição.

As inscrições deverão ser feitas enviando uma mensagem para biologia.evolutiva@gmail.com, indicando o vosso nome e afiliação/instituição. A participação é gratuita.





Se quiserem fazer uma apresentação, por favor enviem também:
- Título da apresentação,
- Lista de autores,
- Resumo (max 250 palavras)
- Suporte preferido (oral ou poster).

O prazo de inscrição é até 26 de Novembro.
Mais informações em http://www.biologia-evolutiva.net/

Congreso Prehistoria Valencina 2010


Mais informações em:

V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular


Vida e Morte na Idade do Ferro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Reconstruindo os Puzzles do Passado: Remontagens de Pedra Lascada

A Secção de Pré-história da Associação dos Arqueólogos Portugueses vai levar a cabo, no dia 4 de Dezembro próximo (9.30h-18.00), no Museu Arqueológico do Carmo, um workshop intitulado Reconstruindo os Puzzles do Passado: Remontagens de Pedra Lascada, com coordenação científica de Francisco Almeida.

Entrada Livre.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ciclo de Conferênciaas MNA

Relembra-se que o GEEvH, o NAP e o Museu Nacional de Arqueologia, realizam amanhã, dia 10 de Novembro, pelas 18 horas, a segunda conferência do ciclo de conferências "Arqueologia e Antropologia…. Territórios de fronteira"

"As Origens do Olduvaiense: Serão os chimpanzés (Pantroglodytes) bons modelos para a evolução das primeiras tecnologias em África?"

por Susana Carvalho, scr50@cam.ac.uk
(Leverhulme Centre for Human Evolutionary Studies, University of Cambridge, Cambridge, 2 CB 1 QH, United Kindgom; CIAS – Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Universidade de Coimbra, 3000-056, Coimbra, Portugal)

Resumo:
Compreender como e porquê surge o uso de ferramentas em primatas humanos tem sido um objectivo essencial da arqueologia e antropologia, desde o aparecimento destas disciplinas. As tecnologias mais antigas datam de há 2.6 milhões de anos, e as evidências desta indústria conhecida como “Olduvaiense”, são maioritariamente compostas por pedras talhadas (líticos) que perduraram no registo arqueológico (Semaw et al. 1997). As características que permitem discriminar estes artefactos (i.e. pedras modificadas intencionalmente) são bem conhecidas dos arqueólogos (Bordes 1961, Leakey 1971, Tixier et al. 1980, Isaac and Harris 1997).

As tecnologias de percussão mais antigas incluem artefactos provenientes de escavações na África Oriental (Semaw et al. 1997; Delagnes and Roche 2005). Desde 1970, muitos estudos analisaram a tipologia e tecnologia destas colecções (e.g. Leakey 1971; Toth 1985; Isaac and Harris 1997), mas os martelos e as bigornas foram consideravelmente desvalorizados, sendo vistos como uma espécie de “parentes pobres” da tecnologia de talhe.

Durante a década de 60, Jane Goodall observou chimpanzés a fabricar e usar diversas ferramentas (Goodall 1963) e, um pouco antes, era descoberto o uso de pedras para partir nozes entre comunidades de chimpanzés da África Ocidental (Beatty 1951). Recentemente, a escavação de um sítio arqueológico de nut-cracking de chimpanzés com 4300 anos BP (Mercader et al. 2007) estabeleceu uma “Idade da Pedra” recente para esta tecnologia de primatas não-humanos.

Desde 2006, um projecto de investigação interdisciplinar, conjugando arqueologia e primatologia, investiga o nut-cracking praticado por chimpanzés em habitat natural, visando caracterizar estes utensílios, bem como analisar a distribuição espacial e variação regional destas ferramentas e suas áreas de actividade (Carvalho et al. 2008). O estudo foca-se no uso de ferramentas nas florestas de Bossou e Diecké (Guiné Conakry), e utiliza estes primatas não-humanos como modelos, procurando testar a hipótese que considera terem existido indústrias de percussão mais antigas, que ainda não terão sido detectadas no registo arqueológico. Os resultados preliminares desta investigação contribuíram para a recente proposta de uma nova disciplina: Arqueologia de primatas (Haslam et al. 2009).

Um laboratório ao ar livre no centro da floresta de Bossou, permite realizar experiências de nut-cracking, utilizando nozes disponíveis na floresta (Elaeis guineensis) e nozes estranhas ao habitat local (Coula edulis) (Matsuzawa 1994, Biro et al. 2003). Os dados recolhidos durante 5 anos de sessões experimentais revelaram a selecção e uso preferencial de determinados pares de ferramentas. Os chimpanzés repetem a combinação de alguns martelos com algumas bigornas de forma sistemática. O uso repetido dos mesmos pares de ferramentas pode amplificar as marcas de uso e aumentar a possibilidade de fractura dos elementos. Este padrão de utilização sugere que comportamentos semelhantes poderão ter originado os primeiros episódios de talhe acidental em hominínios (Mora e de la Torre 2005; Carvalho et al. 2009).

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NAP...

"O Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia surge da determinação de um grupo de alunos da Universidade do Algarve em dinamizar e promover a disciplina arqueológica. O Núcleo reuniu-se pela primeira vez no dia 8 de Novembro de 2008."

Assim se lê no preâmbulo do nosso regulamento...



O NAP - Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve faz hoje 2 anos.



A todos os que contribuíram, contribuem e contribuirão para o crescimento e enriquecimento deste nosso projecto, o nosso muito obrigada.


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsula

Este V Encontro, organizado pela Câmara Municipal de Almodôvar, o Instituto de Gestão de Património Arquitectónico e Arqueológico e a Universidade de Huelva, pretende juntar arqueólogos com trabalhos e projectos numa vasta zona ibérica, tendo em vista discutir a evolução e os resultados da sua investigação. Os trabalhos, que decorrerão ao longo de três dias, iniciam-se com uma conferência inaugural, organizando-se as comunicações, por grandes períodos cronológicos.


Assistentes: inscrição até 12 de Novembro.

Preços
Comunicantes e Posters: 35€
Assistentes: 35€
Estudantes: 25€
(Serão entregues as actas do encontro)


Organização
Câmara Municipal de Almodôvar, Instituto de Gestão de Património Arquitectónico e Arqueológico, Universidade de Huelva

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os pacientes egípcios

O Lisbon Mummy Project examinou três múmias egípcias. Os resultados preliminares são de cortar a respiração.


Em 1896, o físico Wilhelm Röntgen conseguiu realizar o primeiro raio X a um tecido humano. Escassos quatro meses depois, em Frankfurt, a tecnologia foi aplicada à egiptologia com a execução de raios X das múmias de um gato e de uma criança. A ciência da radiologia e a egiptologia têm caminhado de braço dado. A tomografia axial computorizada (TAC) é outro bom exemplo: inventada em 1972, foi rapidamente absorvida pelos estudiosos do Antigo Egipto e, cinco anos depois, em Toronto, foi feita a primeira TAC a um sarcófago egípcio. “A aplicação da radiologia à arqueologia tem sido inestimável”, diz Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia (MNA).

Texto de Gonçalo Pereira
Fotografias de Lisbon Mummy Project
Leia mais em nationalgeographic
PÁG. 38 / NOVEMBRO 2010

Digger finds Neolithic tomb complex

Archaeologists on Orkney are investigating what is thought to be a 5,000-year-old tomb complex.

Excavations have exposed a complex rock cut chamber with skulls in it

A local man stumbled on the site while using a mechanical digger for landscaping. It appears to contain a central passageway and multiple chambers excavated from rock. There is a large neolithic burial complex nearby called The Tomb of the Eagles where over 300 bodies were found. "Potentially these skeletons could tell us so much about Neolithic people," said Orkney Islands Council archaeologist Julie Gibson. "Not only in relation to their deaths, but their lives." One end of the tomb was accidentally removed as it was discovered and as a result, the burial site has now been flooded. Archaeologists are in a race against time to recover its contents before they are damaged or destroyed. "There might also be other material, pottery or organics such as woven grass, buried in there - which cannot last under the circumstances," said Ms Gibson. The rescue excavation is being undertaken by archaeologists from Orkney College and is sponsored by by Orkney Islands Council and Historic Scotland. The team are posting daily video updates from the excavations which are expected to take 10 days.

31-10-2010

O segredo lunar das antas e dos menires

Alinhamento de dólmenes com a lua cheia da Primavera abre a porta à visão cosmológica no Neolítico. Há portugueses nesses estudos.


Seria preciso estar lá no momento certo, quando a lua cheia da Primavera se eleva no horizonte, alinhada com algumas das pedras do cromeleque, ou com o seu eixo central, consoante os monumentos. Em Almendres, o maior círculo de pedras milenares da Península Ibérica, esse alinhamento é com dois menires: um no topo, outro na base do monumento. No de Vale d'el Rey, que tem a forma de uma ferradura, o ponto no horizonte onde nasce a primeira lua cheia da Primavera alinha-se com o seu eixo central. O físico Cândido Marciano da Silva, que há décadas percorre o país para fazer medições nestes locais, evoca a emoção desse testemunho. "É um fenómeno muito especial, sente-se ali qualquer coisa", diz.

Há cinco a oito mil anos, quando os homens do Neolítico ergueram estas pedras na paisagem, bem como os dólmenes ou antas (os seus monumentos funerários), poderiam ter sentido algo semelhante ao contemplar no céu os movimentos do Sol e da Lua. Na sua relação com o horizonte, e com os astros inacessíveis, esses agricultores e pastores teriam também a sua cosmologia própria. É isso que Cândido Marciano da Silva procura ler nas medições que há cerca de três décadas faz nestes monumentos.

Não é o único. O jovem físico Fábio Silva, que mediu a orientação de 31 antas entre o Douro e o Mondego, está a desenvolver trabalho nesta área. Os estudos de ambos, publicados no Journal of Cosmology, e noutras revistas científicas, mostram que o Sol e a Lua, na sua dança diurna-nocturna e na sua ligação às estações do ano, estão "marcados" na posição das pedras na paisagem, que apontam para direcções bem definidas. E esse conhecimento abre a porta para a compreensão da visão cosmológica dos seus construtores.

Foi em Inglaterra, nos anos 70 do século XX, que se consolidou a ideia de que os monumentos dos homens do Neolítico poderiam encerrar uma visão cosmológica relacionando os astros com os mistérios da existência. Fixadas pela agricultura, estas comunidades ganharam há nove, dez mil anos, a noção de horizonte e começaram a aperceber-se dos ritmos anuais do Sol (Verão e Inverno, tempo quente, tempo frio), e também dos da Lua (noites escuras ou luminosas), que marcavam os ciclos da natureza, da actividade agrícola e da própria vida.

Mas como estabelecer uma relação directa e inequívoca entre os monumentos neolíticos e a visão cosmológica, envolvendo os astros?

O trabalho dos astrónomos britânicos Clive Ruggles e Michael Hoskin, entre outros, ajudou a dar resposta ao problema. Ao fazer medições sistemáticas da orientação espacial de antas e menires "eles confirmaram estatisticamente que estes monumentos têm orientações preferenciais, em que há alinhamentos com eventos astronómicos solares e, ou, lunares", explica Fábio Silva, que acaba de concluir o doutoramento em astronomia, em Londres.

Hoskin, por exemplo, correu a orla mediterrânica a partir dos anos 80, incluindo Portugal, para fazer um levantamento da orientação de antas, e em 2001 publicou os resultados. Na sua leitura, a orientação preferencial destes monumentos, para nordeste parecia apontar para alinhamentos desses túmulos milenares com o nascer do Sol no Outono e na Primavera. Ou seja, por altura dos equinócios. O que quereria isto dizer?

Pegando nas medições feitas por Hoskin em 96 antas do Alentejo Central, e alargando o estudo a outras 81 na região, num total de 177, Cândido Marciano da Silva acabou por verificar que a esmagadora maioria destes monumentos funerários tem o seu eixo central alinhado com uma faixa muito estreita do horizonte, a meio caminho entre os pontos extremos do nascimento do Sol marcados pelos solstícios de Inverno e de Verão. "Tinha de haver uma explicação", diz.

Aqui é preciso dizer que o Sol nasce ao longo do ano em diferentes pontos do horizonte. Entre o solstício de Inverno e o de Verão, e se se considerar o horizonte como uma linha que corre de norte para sul, verifica-se que a partir do solstício de Inverno, quando o Sol atinge a sua posição extrema a sul, ele passa a nascer cada vez mais para norte, até atingir o outro ponto extremo no horizonte, no solstício de Verão. Entre ambos os extremos, mais a menos a meio desse caminho, ocorre o equinócio da Primavera e durante alguns dias, o Sol e a Lua nascem em pontos do horizonte muito próximos entre si. E é para aí, para essa faixa estreita do horizonte, que aponta a esmagadora maioria das antas medidas por Cândido Marciano da Silva.

A explicação tem que ver com a primeira lua cheia da Primavera, defende o investigador português, que publicou a sua proposta em 2004 e que assim abriu a porta a um novo olhar sobre estes monumentos e sobre a visão cosmológica dos seus construtores. A lua cheia da Primavera coincide com o renascimento da natureza e poderia portanto ter sido percebida como um marco significativo na vida pelos homens do Neolítico. Aberta essa porta, Fábio Silva conseguiu também ir um pouco mais longe ao fazer as medições nos dólmenes entre Douro e Mondego. "Os do Mondego estão, na sua maioria, alinhados com a primeira lua cheia após o equinócio da Primavera, e os do Vouga, Paiva, Torto e Côa com a primeira lua cheia após o equinócio de Outono", explica o jovem investigador. Mas a interpretação desta diferença não é linear. Seriam os seus construtores oriundos de duas comunidades distintas? Não é possível dizê-lo. A única resposta é continuar a fazer estudos, estendendo as medições a mais monumentos nessa e noutras regiões do País. É nisso que ambos estão empenhados.

por FILOMENA NAVES
in DN - 30 Outubro 2010