segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Digger finds Neolithic tomb complex

Archaeologists on Orkney are investigating what is thought to be a 5,000-year-old tomb complex.

Excavations have exposed a complex rock cut chamber with skulls in it

A local man stumbled on the site while using a mechanical digger for landscaping. It appears to contain a central passageway and multiple chambers excavated from rock. There is a large neolithic burial complex nearby called The Tomb of the Eagles where over 300 bodies were found. "Potentially these skeletons could tell us so much about Neolithic people," said Orkney Islands Council archaeologist Julie Gibson. "Not only in relation to their deaths, but their lives." One end of the tomb was accidentally removed as it was discovered and as a result, the burial site has now been flooded. Archaeologists are in a race against time to recover its contents before they are damaged or destroyed. "There might also be other material, pottery or organics such as woven grass, buried in there - which cannot last under the circumstances," said Ms Gibson. The rescue excavation is being undertaken by archaeologists from Orkney College and is sponsored by by Orkney Islands Council and Historic Scotland. The team are posting daily video updates from the excavations which are expected to take 10 days.

31-10-2010

O segredo lunar das antas e dos menires

Alinhamento de dólmenes com a lua cheia da Primavera abre a porta à visão cosmológica no Neolítico. Há portugueses nesses estudos.


Seria preciso estar lá no momento certo, quando a lua cheia da Primavera se eleva no horizonte, alinhada com algumas das pedras do cromeleque, ou com o seu eixo central, consoante os monumentos. Em Almendres, o maior círculo de pedras milenares da Península Ibérica, esse alinhamento é com dois menires: um no topo, outro na base do monumento. No de Vale d'el Rey, que tem a forma de uma ferradura, o ponto no horizonte onde nasce a primeira lua cheia da Primavera alinha-se com o seu eixo central. O físico Cândido Marciano da Silva, que há décadas percorre o país para fazer medições nestes locais, evoca a emoção desse testemunho. "É um fenómeno muito especial, sente-se ali qualquer coisa", diz.

Há cinco a oito mil anos, quando os homens do Neolítico ergueram estas pedras na paisagem, bem como os dólmenes ou antas (os seus monumentos funerários), poderiam ter sentido algo semelhante ao contemplar no céu os movimentos do Sol e da Lua. Na sua relação com o horizonte, e com os astros inacessíveis, esses agricultores e pastores teriam também a sua cosmologia própria. É isso que Cândido Marciano da Silva procura ler nas medições que há cerca de três décadas faz nestes monumentos.

Não é o único. O jovem físico Fábio Silva, que mediu a orientação de 31 antas entre o Douro e o Mondego, está a desenvolver trabalho nesta área. Os estudos de ambos, publicados no Journal of Cosmology, e noutras revistas científicas, mostram que o Sol e a Lua, na sua dança diurna-nocturna e na sua ligação às estações do ano, estão "marcados" na posição das pedras na paisagem, que apontam para direcções bem definidas. E esse conhecimento abre a porta para a compreensão da visão cosmológica dos seus construtores.

Foi em Inglaterra, nos anos 70 do século XX, que se consolidou a ideia de que os monumentos dos homens do Neolítico poderiam encerrar uma visão cosmológica relacionando os astros com os mistérios da existência. Fixadas pela agricultura, estas comunidades ganharam há nove, dez mil anos, a noção de horizonte e começaram a aperceber-se dos ritmos anuais do Sol (Verão e Inverno, tempo quente, tempo frio), e também dos da Lua (noites escuras ou luminosas), que marcavam os ciclos da natureza, da actividade agrícola e da própria vida.

Mas como estabelecer uma relação directa e inequívoca entre os monumentos neolíticos e a visão cosmológica, envolvendo os astros?

O trabalho dos astrónomos britânicos Clive Ruggles e Michael Hoskin, entre outros, ajudou a dar resposta ao problema. Ao fazer medições sistemáticas da orientação espacial de antas e menires "eles confirmaram estatisticamente que estes monumentos têm orientações preferenciais, em que há alinhamentos com eventos astronómicos solares e, ou, lunares", explica Fábio Silva, que acaba de concluir o doutoramento em astronomia, em Londres.

Hoskin, por exemplo, correu a orla mediterrânica a partir dos anos 80, incluindo Portugal, para fazer um levantamento da orientação de antas, e em 2001 publicou os resultados. Na sua leitura, a orientação preferencial destes monumentos, para nordeste parecia apontar para alinhamentos desses túmulos milenares com o nascer do Sol no Outono e na Primavera. Ou seja, por altura dos equinócios. O que quereria isto dizer?

Pegando nas medições feitas por Hoskin em 96 antas do Alentejo Central, e alargando o estudo a outras 81 na região, num total de 177, Cândido Marciano da Silva acabou por verificar que a esmagadora maioria destes monumentos funerários tem o seu eixo central alinhado com uma faixa muito estreita do horizonte, a meio caminho entre os pontos extremos do nascimento do Sol marcados pelos solstícios de Inverno e de Verão. "Tinha de haver uma explicação", diz.

Aqui é preciso dizer que o Sol nasce ao longo do ano em diferentes pontos do horizonte. Entre o solstício de Inverno e o de Verão, e se se considerar o horizonte como uma linha que corre de norte para sul, verifica-se que a partir do solstício de Inverno, quando o Sol atinge a sua posição extrema a sul, ele passa a nascer cada vez mais para norte, até atingir o outro ponto extremo no horizonte, no solstício de Verão. Entre ambos os extremos, mais a menos a meio desse caminho, ocorre o equinócio da Primavera e durante alguns dias, o Sol e a Lua nascem em pontos do horizonte muito próximos entre si. E é para aí, para essa faixa estreita do horizonte, que aponta a esmagadora maioria das antas medidas por Cândido Marciano da Silva.

A explicação tem que ver com a primeira lua cheia da Primavera, defende o investigador português, que publicou a sua proposta em 2004 e que assim abriu a porta a um novo olhar sobre estes monumentos e sobre a visão cosmológica dos seus construtores. A lua cheia da Primavera coincide com o renascimento da natureza e poderia portanto ter sido percebida como um marco significativo na vida pelos homens do Neolítico. Aberta essa porta, Fábio Silva conseguiu também ir um pouco mais longe ao fazer as medições nos dólmenes entre Douro e Mondego. "Os do Mondego estão, na sua maioria, alinhados com a primeira lua cheia após o equinócio da Primavera, e os do Vouga, Paiva, Torto e Côa com a primeira lua cheia após o equinócio de Outono", explica o jovem investigador. Mas a interpretação desta diferença não é linear. Seriam os seus construtores oriundos de duas comunidades distintas? Não é possível dizê-lo. A única resposta é continuar a fazer estudos, estendendo as medições a mais monumentos nessa e noutras regiões do País. É nisso que ambos estão empenhados.

por FILOMENA NAVES
in DN - 30 Outubro 2010

Chimpanzés coordenam as mãos como os seres humanos

Investigação sugere que utilização preferencial da mão direita não está ligada à linguagem

Os chimpanzés utilizam preferencialmente a mão direita
Os chimpanzés utilizam preferencialmente a mão direita
Os seres humanos são maioritariamente destros. Há alguns anos, pensava-se que esta era uma característica exclusivamente humana. Uma investigação espanhola veio agora confirmar o que já alguns estudos indicavam: os chimpanzés partilham connosco esta distinção.
Num artigo publicado no «American Journal of Primatology», os cientistas afirmam que “ambas as espécies têm um funcionamento cerebral parecido”. O estudo foi realizado por uma equipa multidisciplinar da Fundación Mona, da Universidade Rovira i Virigili (Tarragona), do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social e da Universidade de Barcelona.

Os investigadores explicam que a utilização preferencial de uma das mãos é uma característica que reflecte a divisão funcional do cérebro na execução de uma série de tarefas. Do ponto de vista da evolução é importante saber desde quando esta está presente no ser humano, pois assim poderá explicar-se o surgimento da linguagem e da tecnologia.
Antigamente, acreditava-se que o hemisfério esquerdo seria dominante sobre o direito devido ao processamento de informação linguística, influenciando o uso da mão direita para as actividades quotidianas. Nos últimos anos começou a questionar-se isso e se seríamos os únicos com essa característica.
No caso dos primatas, nomeadamente dos chimpanzés, estudos norte-americanos já indicavam que estes seriam maioritariamente destros, tal como o ser humano. Mas as investigações tinham sido realizadas com animais em cativeiro.
Neste estudo recente foram utilizados 114 chimpanzés, da espécie Pan troglodytes, que vivem na natureza, em dois Centros de Recuperação de Primatas: Chimfunshi (Zâmbia) e Fundación Mona (Riudellots de la Selva, Girona).
Miquel Llorente, da Fundación Mona
Miquel Llorente, da Fundación Mona


Os investigadores detectaram acções complexas que implicam o uso e a coordenação de ambas as mãos. Chegaram à conclusão que têm uma assimetria manual semelhante aos humanos. Além do mais, as fêmeas são mais destras do que os machos, o que sugere que existem factores biológicos (genéticos e hormonais) que influenciam o funcionamento do cérebro.
Segundo Miquel Llorente, responsável por este projecto, “as raízes evolutivas desta característica seriam muito mais profundas do que até agora se pensava e teriam aparecido há seis ou sete milhões de anos, altura em que aconteceu a divergência entre chimpanzés e hominídeos. A assimetria manual não será, então, devido à linguagem”.
Os resultados “são o reflexo da desmistificação de muitas das coisas que eram tidas como singularidades da nossa espécie, como o uso de instrumentos ou uma complexa vida social”, explica. Agora, há evidências de que os chimpanzés, quando realizam acções complexas que requerem a utilização de instrumentos ou a coordenação de ambas as mãos, usam preferencialmente a direita.
Deste ponto de vista, pode dizer-se que compartilhamos um tipo de funcionamento cerebral semelhante e que foi sobre essa base que o ser humano construiu uma tecnologia altamente complexa e um sistema de comunicação flexível e poderoso.


2010-10-28

Homem moderno já produzia pão há 30 mil anos na Europa

Os ingredientes eram só dois: farinha e água. Há 30 mil anos não havia sal nem fermento na culinária. Por isso, o pão em forma de bolacha era crocante e sem sabor. Uma equipa de investigadores encontrou vestígios em vários sítios arqueológicos na Europa que mostram que este alimento tinha um lugar importante na dieta dos caçadores-recoletores muito antes da existência de agricultura.

Antes desta descoberta, tinham sido encontradas pedras utilizadas para moer cereias com 20 mil anos em Israel (Nuno Ferreira Santos (arquivo))

É como um pão achatado, como uma panqueca feita só de água e de farinha”, disse citada pela Reuters Laura Longo, da Universidade de Siena, em Itália, uma dos dez autores do artigo com a descoberta, publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. “Faz-se uma espécie de pita e cozinha-se numa pedra quente”, disse. O resultado é um alimento “crocante como uma bolacha, mas sem grande sabor”.

Os investigadores encontraram grãos de amido em pedras com 30 mil anos que serviriam para moer vegetais, na Itália, na Rússia e na República Checa. Antes, tinham sido encontradas pedras de moagem com 20 mil anos em Israel.

As pedras tinham restos de pequenos grãos de vegetais que os cientistas identificaram como sendo de raízes de fetos, e de uma erva chamada de Brachypodium e grãos do género da Thyfa, que são tão nutritivos como os cereais utilizados hoje.

Só durante o neolítico, há cerca de dez mil anos, é que o homem começou a plantar cereais para a alimentação, iniciando a agricultura. Mas os investigadores defendem que a abundância destas plantas seria suficiente para os alimentos fazerem parte da dieta regular 20 mil anos antes.

Um factor importante para a descoberta destes grãos, foi o facto de os investigadores não lavarem as pedras encontradas. A lavagem das pedras dificultou durante muito tempo a descoberta de vestígios vegetais da alimentação, o que fez pensar que a dieta destas populações era feita à base de carne.

19.10.2010 - 11:53

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

JIA 2011 - Primeira Circular | Primera Circular | First Announcement



Após o sucesso indiscutível das edições anteriores em Madrid (2008 e 2009) e Barcelona (2010), as IV Jornadas de Jovens em Investigação Arqueológica - JIA 2011 terão lugar no Campus Gambelas da Universidade do Algarve, Faro, entre os dias 11 e 14 de Maio de 2011, organizadas pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia (NAP) da Universidade do Algarve.

O JIA é um evento científico realizado por e para jovens investigadores (não doutorados) em Arqueologia. A sua linha estrutural passa sobretudo pela exposição e debate de temas de investigação actuais e amplos, pretendendo, desta forma, fomentar o espírito científico no seio da comunidade de jovens arqueólogos.
Informamos, a todos os interessados, que se encontra aberto, no website www.jia2011.com, o período de submissão de propostas para realização de sessões temáticas (aceitam-se resumos em português, castelhano e inglês). Fazemos notar que os temas propostos devem ser abrangentes, dando-se preferência às novas abordagens em Arqueologia sobre questões teóricas e/ou metodológicas, ou a sessões com vocação para a discussão e renovação das interpretações arqueológicas. Apenas 12 sessões serão apuradas, sendo que se surgirem propostas semelhantes entraremos em contacto com os proponentes para que possam organizar uma sessão em conjunto.
Depois da publicação das sessões eleitas será aberto um período de envio de resumos para comunicações orais e posters, cuja informação detalhada constará numa segunda circular.

Condições de Submissão
  • Coordenadores de sessão não doutorados;
  • Exposição detalhada (resumo) até 500 palavras;
  • Lista de investigadores interessados a participar na sessão, comunicação e contacto.
Datas
  • Submissão de propostas para sessões: até 10 de Dezembro de 2010
  • Publicação das 12 sessões seleccionadas: 20 de Dezembro de 2010

L'Anthropologie

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

NESPOS On Tour


Estão abertas as inscrições para o workshop “NESPOS On Tour” promovido pelo NAP e pelo NESPOS - Pleistocene People and Places (www.nespos.org).

O workshop inclui uma introdução geral aos princípios da NESPOS sendo que os participantes ficarão rapidamente familiarizados com o manuseio prático da base de dados, com a vantagem de ter resposta a quaisquer questões que possam sugerir sobre a utilização da plataforma. Está ainda incluída uma introdução ao software VisiCore e ao pacote de software freeware 3D MeshLab.

Inscrição AQUI
A inscrição é GRATUITA.

Formação em Inglês
Máximo – 20 pessoas.

Journal of Human Evolution


Vale do Côa e Siega Verde - A Arte da Luz

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Olhares sobre a História, a Arqueologia e a Geologia...

IV Jornadas de Jovens em Investigação Arqueológica - JIA 2011


Após o sucesso indiscutível das edições anteriores em Madrid (2008 e 2009) e Barcelona (2010), as IV Jornadas de Jovens em Investigação Arqueológica - JIA 2011 terão lugar no Campus de Gambelas da Universidade do Algarve, Faro, entre os dias 11 e 14 de Maio de 2011.

Esta será a primeira vez que as jornadas se realizarão em território português, fruto de uma iniciativa do Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia (NAP) da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UAlg.

O JIA é um evento científico realizado por e para jovens investigadores (não doutorados) em Arqueologia. A sua linha estrutural passa sobretudo pela exposição e debate de temas de investigação actuais e amplos, pretendendo, desta forma, fomentar o espírito científico no seio da comunidade de jovens arqueólogos; divulgar e debater trabalhos de investigação sobre um alargado leque de problemáticas; e facilitar o contacto e cooperação entre os diversos investigadores, de modo a criar grupos de investigação amplos e interdisciplinares.

A edição de 2011 manterá o molde aplicado nos anos anteriores, com quatro dias de congresso, com um total de doze sessões temáticas de comunicações orais (duas sessões paralelas por cada manhã e por cada tarde) e uma sessão de posters. As sessões orais abrangerão, tal como nos anos anteriores, apenas temas específicos, propostos pelos coordenadores de cada uma delas, enquanto que a sessão de posters contará com a contribuição de temáticas livres e terá um horário específico dentro do programa com o objectivo de permitir uma maior interacção entre os autores de cada poster e os restantes participantes. No quarto e último dia das jornadas, como vem sendo tradição, está agendada uma saída de campo com visita a alguns dos sítios arqueológicos mais emblemáticos da região algarvia.

Quanto a novidades, o JIA 2011 contará com dois novos espaços na estrutura do evento: uma área dedicada à venda de publicações de Arqueologia e disciplinas relacionadas; e um espaço de publicitação de oportunidades de trabalho, bolsas e estágios. Ambos pretendem, naquele que é um dos poucos eventos totalmente dedicado a jovens investigadores, dar continuidade ao esforço de tornar as jornadas JIA num ponto de encontro e de aprendizagem a nível internacional.

O Comité de Organização e o Comité Científico sentem-se honrados, desde já, em convidar a comunidade de jovens arqueólogos a participarem nas IV Jornadas de Jovens em Investigação Arqueológica.

MAIS INFORMAÇÕES: http://www.jia2011.com/

Ciclo de Conferências de Jovens Investigadores


Na próxima sexta feira, dia 15 de Outubro, às 21.00, o Museu da Cultura Castreja [Briteiros, S. Salvador, Guimarães] recebe a sessão mensal do Ciclo de Conferências de Jovens Investigadores. Nesta sessão, seguindo a temática da época Romana, serão apresentadas duas comunicações:

Fernanda Magalhães, com "A Arquitectura privada em Bracara Augusta"

Cristina Braga, com "Ritos funerários de Bracara Augusta: o novo núcleo de necrópole da via XVII".

A entrada é livre.

O Ciclo de Conferências de Jovens Investigadores é organizado pela Sociedade Martins Sarmento e pelo Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM - FCT / UM).

Programa completo do segundo trimestre em http://pedraformosa.blogspot.com.