terça-feira, 13 de outubro de 2009

Internet Archaeology

Internet Archaeology is the first fully refereed e-journal for archaeology and publishes articles of a high academic standing which utilise the potential of electronic publication. Internet Archaeology is hosted by the Department of Archaeology at the University of York and published by the Council for British Archaeology.

Internet Archaeology has been publishing on the web since 1996 and provides new avenues to present and engage with archaeological research. International in scope, all journal content is subject to rigorous peer-review. Articles make use of the huge potential of internet publication to present archaeological research in unique and exciting ways, such as full colour images, photographs, searchable data sets, visualisations and interactive mapping.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

The last hunter-gatherers and the first farming communities...

Workshop-2009



No âmbito do projecto "The last hunter-gatherers and the first farming communities in the south of the Iberian Peninsula and north of Morocco: a socio-economic approach through the management of production instruments", e após os dois primeiros anos de funcionamento, decidimos realizar a primeira reunião sobre esta temática. Esta reunião terá uma duração de três dias, aberta a todos os estudantes e investigadores interessados. Os dois primeiros dias são dedicados à apresentação de conferências por parte dos participantes vinculados ao projecto, e o último à apresentação de comunicações por parte de outros investigadores, desde que tenham relação com a temática do projecto.

Organizado por:
Juan F. Gibaja
António F. Carvalho
Nuno F. Bicho

Idiomas:
Português, Castelhano, Inglês e Francês

Local:
Universidade do Algarve
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais
Campus de Gambelas

Inscrições:
Gratuita

Contactos:
Juan F. Gibaja (
jfgibaja@gmail.com)
António F. Carvalho (
a.faustino.carvalho@gmail.com)

Alguns Resumos em:
http://www.scribd.com/doc/20754403/Resumos-completos

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Free Online Access to all SAGE Journals until Oct 31st 2009

Até final do mês de Outubro a SAGE disponibiliza livremente o acesso aos seus jornais, infelizmente poucos são os de arqueologia....

http://eja.sagepub.com/ - European Journal of Archaeology
http://jsa.sagepub.com/ - Journal of social archaeology
http://ant.sagepub.com/ - Anthropological theory
http://coa.sagepub.com/ - Critique of Anthropology

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Algarve vai Vi(r)Ver o Património com Jornadas Europeias


As Jornadas Europeias do Património, sob o mote VI(r)Ver o Património, decorrem a partir de hoje e até domingo, em diversos pontos do Algarve. O objectivo é promover o acesso aos monumentos e sítios.

As pessoas são convidadas a descobrir as heranças culturais, reforçar o sentimento de identidade e de afirmação do património comum, cuja riqueza reside na sua diversidade. E há iniciativas para todos os gostos...


Faro

- Inauguração da exposição «Figuras de Convite», de Júlio Pomar, com a presença do artista, na Casa Rural, nas Ruínas Romanas de Milreu, em Estoi, dia 25, às 18 horas. (Drcalg, Galeria Ratton e Junta de Freguesia)


Lagos

- Concerto pelo Grupo Coral de Lagos, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, dia 25, às 21h30.

- «Museu em Família», destinado a famílias com crianças entre os 6 e os 10 anos, no Museu Municipal Dr. José Formosinho, dia 26, das 15h00 às 17h00, e no dia 27, das 10h00 às 12h00, com inscrição prévia.

- Workshop de Danças Europeias com baile, no Forte Ponta da Bandeira, dia 26, às 21h30.


Loulé

- Batida Fotográfica pelo Património de Loulé, dia 26, das 10h00 às 16h00, aberta a fotógrafos amadores. (Câmara Municipal)


Portimão

- Visitas acompanhadas aos monumentos megalíticos de Alcalar, na Mexilhoeira Grande, pelo arqueólogo Rui Parreira, dia 27, entre as 10h00 e as 16h30.

- Inauguração das exposições «As Carrinhas de Portimão» e «A Arte do Cerco», dia 26, às 18h00, no Museu de Portimão.


Silves

- «Música à volta do poço», pelo Quarteto Pedro Frias Band, no Museu Municipal de Arqueologia, dia 26, às 21h30.

- Visitas guiadas ao poço-cisterna, no Museu de Arqueologia, no dia 27, às 10h00, 12h00, 14h30, 16h30.


Vila do Bispo

- Peça de teatro com ateliê lúdico e educativo «De Ulisses... Nunca digas tolices – o regresso a Ítaca», pela VATe (Vamos Apanhar o Teatro), no parque de estacionamento da Fortaleza de Sagres, dia 25 de manhã e à tarde. (organizado por Drcalg e ACTA)

- Lançamento de oito postais ilustrados com selos personalizados e possibilidade de efectuar «Postais Máximos», no Centro de Acolhimento da Igreja de Guadalupe, Raposeira, dia 26, às 11 horas;
Lançamento do Concurso Literário 2009/2010 «O Infante D. Henrique no Algarve», através do envio postal do regulamento para as escolas secundárias do Algarve, dia 26, às 13 horas. (Núcleo de Filatelia de Faro com apoio da Drcalg e Drealg)

- Observação astronómica nocturna, na Fortaleza de Sagres, dia 26, entre as 21h30 e as 23h00. Iniciativa sujeita a inscrição prévia. (Drcalg, Ano Internacional da Astronomia e Centro de Ciência Viva do Algarve)


Vila Real de Santo António

- Visita acompanhada a Cacela Velha e à exposição «Cerâmicas islâmicas de Cacela Velha», dia 25, às 10h00. Ponto de encontro no largo principal, junto à cisterna.
A exposição fica patente no Antigo Cemitério até ao final de Outubro e pode ser visitada todos os dias, entre as 10h00 e as 15h00.

- Serão de partilha de contos antigos «Estórinhas algarvias», orientado por António Fontinha, no Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, no dia 25, às 21h30. (Câmara Municipal e Centro de Investigação)


Iniciativa comum em Portimão, Faro e Vila do Bispo

- Espectáculo de música e poesia «Lendas do País do Sul», dia 25, às 16 horas, na Ermida da Nossa Senhora de Guadalupe, na Raposeira (Vila do Bispo), dia 26, às 16 horas, no Centro Interpretativo da Ruínas Romanas de Milreu (Estoi), em Faro, e no dia 27, às 11 horas, nos monumentos megalíticos de Alcalar, (Portimão).
O mesmo espectáculo alusivo aos Descobrimentos tem lugar no Auditório da Fortaleza de Sagres, dia 27, às 16 horas. (Drcalg e Associação Cultural Bons Ofícios)


Nota: A entrada nos monumentos, sítios arqueológicos e museus é gratuita, durante as Jornadas Europeias


Jornal Barlavento online

terça-feira, 22 de setembro de 2009

AVENTURA NA TERRA

Numa altura em que astrofísicos procuram outros planetas e que biólogos, químicos e paleontólogos propõem diferentes teorias sobre as condições que deram origem ao aparecimento da vida, importa olhar a Terra como um sistema em constante mutação, que deve ser compreendida no seu todo.



A AVENTURA NA TERRA é uma exposição organizada pelo Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa a inaugurar no dia 19 de Novembro de 2009. Esta exposição insere-se nas comemorações finais do Ano Internacional do Planeta Terra, que ocorreu durante 3 anos, e prolonga-se pelo Ano Internacional da Biodiversidade, 2010.

É uma exposição que convida o público a debruçar-se sobre a evolução da Terra, começando pela origem do próprio Universo desde o Big Bang. É uma verdadeira viagem pelo tempo geológico onde a vida demora a diversificar-se. A investigação científica baseada no estudo das colecções de história natural, em análises geológicas e mineralógicas, em experiências químicas e biológicas, servindo-se da inovação tecnológica, permite-nos hoje extrapolar o que foi a Terra desde há 4600 milhões de anos. Durante cerca de 1000 milhões de anos o planeta sofreu intensas modificações químicas e geológicas, tendo os primeiros sinais de “vida“ surgido aos 3800 milhões de anos, como testemunhado em rochas sedimentares. Só entre 500 e 400 milhões de anos atrás foi possível a primeira invasão da terra pelas plantas e animais. Ou seja, foi necessário “tempo” para o aumento da complexidade, da adaptação e consequente evolução da vida.

Este primeiro ciclo de conferências no âmbito desta exposição procura levar os “entendidos” e os “iniciados” pela aventura do planeta, das suas condições ambientais que permitiram a evolução e a diversificação das formas de vida. Procura acima de tudo divulgar a ciência para a sociedade e partilhar frutuosas discussões à volta dum tema tão interessante como é o da evolução do nosso planeta.


domingo, 13 de setembro de 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Jornadas sobre Paleolítico superior Barcelona 2010


En estos últimos años se ha generado un desarrollo importante en distintos campos de la investigación sobre el Paleolítico superior de la Península Ibérica. Se han descubierto nuevos yacimientos; han aflorado nuevos territorios desconocidos en cuanto al potencial de recursos; se han desarrollado aproximaciones innovadoras en lo que se refiere al estudio de los materiales del registro arqueológico y al entorno de los yacimientos…

Por esto hemos creido oportuno desde el SERP de la Universitat de Barcelona organizar unas jornadas que sirvan de plataforma para la presentación de estas novedades. Queremos que el coloquio actue de foro de encuentro, de diálogo y de intercambio abierto a los investigadores.

Queremos también que estas jornadas sean una plataforma generadora de reflexiones colectivas acerca de distintos aspectos del conocimiento sobre el Paleolítico superior peninsular.

Las Jornadas tendrán lugar del 27 al 29 de enero de 2010 en la Facultat de Geografia i Història de la Universitat de Barcelona.


http://www.pspibarcelona2010.es/

Departamento de História, Arqueologia e Património

O sítio on-line do Departamento de História, Arqueologia e Património está remodelado e actualizado.

"O Departamento de História, Arqueologia e Património (DHAP) da Universidade do Algarve (UALG) dedica-se ao ensino, investigação e apoio à comunidades na área do Património Cultural. Conta, para tal, com mais de uma dezena de especialistas doutorados em diferentes áreas científicas -- historiadores, arqueólogos, historiadores de arte e arquitectos -- que abordam as questões patrimoniais numa perspectiva integrada, de acordo com os mais recentes conceitos patrimoniais."

Aqui podemos encontrar os projectos em curso pelos docentes e investigadores do departamento...vale a pena consultar e divulgar...

http://www.fchs.ualg.pt/Departamentos/DHAP/

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

7º ENCONTRO DE ARQUEOLOGIA DO ALGARVE

O 7º Encontro de Arqueologia do Algarve, promovido pela Câmara Municipal de Silves (CMS), em conjunto com o IGESPAR, a Universidade do Algarve e o Direcção Regional de Cultura do Algarve decorrerá nos próximos dias 22, 23 e 24 de Outubro, em Silves.


O evento assume este ano o seu formato regular, objectivando-se a apresentação de comunicações e posters resultantes de trabalhos (de campo ou estudos de materiais) ocorridos na região do Algarve, no biénio de 2008/2009.

Os temas em destaque nos vários painéis que terão lugar durante os três dias do encontro são os seguintes: “Pré-História do Algarve”, “Proto-História do Algarve”, “O Algarve na Época Romana”, “A permanência islâmica no Algarve”, “As Necrópoles do Algarve da Pré-História à Actualidade” e “O Algarve moderno e contemporâneo”. Haverá, também, uma mesa redonda, que abordará “A Arqueologia e as outras ciências. Contributo das arqueociências para a interpretação do Património Arqueológico Algarvio”.

Para mais informações deverão contactar o Gabinete de Arqueologia, Conservação e Restauro, através do email maria.gonçalves@cm-silves.pt ou do telefone 282 444 100.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Sondagem II

Sobre a nossa segunda sondagem, DAS VÁRIAS ÁREAS DAS ARQUEOCIÊNCIAS E DA PALEOECOLOGIA HUMANA, QUAL A QUE MAIS TE INTERSSA?, aqui ficam os resultados:



BIOANTROPOLOGIA:
"A Bioantropologia define-se como a disciplina que estuda a origem, evolução e diversidade da espécie humana. Na sua vertente que se debruça sobre o passado, a disciplina baseia-se em vários indícios para elaborar a história do nosso passado, desde o esqueleto ao ADN (ácido desoxirribonucleico), passando pelas assinaturas químicas detentoras de informação sobre modos de vida (oligoelementos e isótopos estáveis). Contudo, o instrumento básico de trabalho em Paleoantropologia é o esqueleto humano, já que é dele que se extraem todas estas informações, macro- ou microscópicas".

GEOARQUEOLOGIA:
"A Área de Geoarqueologia pretende disponibilizar à comunidade científica portuguesa a utilização dos instrumentos das ciências da Terra no quadro da investigação arqueológica, numa perspectiva integrada e multidisciplinar.
A aproximação geoarqueológica tem como finalidade última a compreensão das inter-relações entre o ambiente físico e as comunidades humanas do passado, através do estudo das modificações do território, da utilização dos recursos naturais, do impacte antrópico, dos processos de formação e de conservação dos sítios arqueológicos, etc".

PALEOBOTÂNICA:
"Os territórios antigos revelam-se através do estudo dos depósitos micro-estratificados dos pântanos e lagoas e dos sedimentos e estruturas arqueológicas.
Nesta investigação utiliza-se a análise polínica, que estuda ao microscópio as associações de grãos de pólen, esporos, e outras micro-estruturas de origem biológica, preservadas através dos tempos em condições particulares. São micro-partículas produzidas aos biliões, que o vento transporta a todo o lado, e que desta forma reflectem vastas regiões, em tornos dos sítios estudados".

PALEOTECNOLOGIA LÍTICA:
"A perspectiva tecnológica aplicada ao estudo das indústrias líticas é um campo autónomo de investigação, que visa reconstituir não só os processos e as modalidades de fabrico do equipamento de caça e de uso doméstico das comunidades humanas do Passado, mas também o artesão, o indivíduo que opera na matéria através do gesto, que a transforma segundo determinados esquemas mentais e a sua própria tradição enquanto membro de um grupo, de uma cultura, com um Tempo e um Espaço próprios."

ZOOARQUEOLOGIA:
"A Zoo-Arqueologia estuda os restos faunísticos encontrados nos sítios arqueológicos. Permite-nos ampliar a compreensão do passado, trazendo respostas a questões quer de carácter ambiental ou económico, quer relativas aos próprios animais e ao conhecimento dos factores que foram responsáveis pela sua incorporação e conservação naqueles contextos".



Bibliografia:
MATEUS, José Eduardo e MORENO-GARCÍA, Marta (2003)

Paleoecologia Humana e Arqueociências: um Programa Multidisciplinar para a Arqueologia sob a Tutela da Cultura. Trabalhos de Arqueologia 29. IPA: Lisboa.

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3ª Jornadas Monte Molião

A Câmara Municipal de Lagos celebra, no próximo dia 21 de Agosto, as 3as Jornadas de Portas Abertas «Monte Molião». A escavação pode ser visitada entre as 9h e as 12h. A partir das 16h inicia-se a sessão de conferências, no Auditório dos Paços do Concelho Século XXI, conforme programa em anexo.



Com esta iniciativa, a Câmara Municipal de Lagos procura consolidar o relacionamento entre a população de Lagos e a estação arqueológica de Monte Molião, ex-libris desta cidade.

Complexo dos Perdigões tem 1500 anos de Pré-História ...

Fornos com 5500 anos e um sistema circular de pedras com 4000 anos estão contidos num pequeno rectângulo com 15 metros de comprimento. No Complexo Arqueológico dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, é possível olhar para estas estruturas, que correspondem a um período de 1500 anos, sem sair do mesmo local. Este é um importante resultado das explorações arqueológicas no recinto, a cargo da empresa Era-Arqueologia, e que foi possibilitado graças ao uso de uma prospecção geofísica, técnica que permite fazer uma espécie de radiografia ao terreno.

A sondagem, feita no âmbito do projecto de colaboração com a Universidade de Málaga, levou a que se percebesse que uma mancha escura, já visível no território da Herdade do Esporão nas fotografias aéreas, correspondia a uma estrutura circular feita de pedra com um diâmetro compreendido entre os 15 e os 20 metros e que data, possivelmente, do final do 3.º milénio a.C., ou seja, tem cerca de 4000 anos, pertencendo, assim, ao período Calcolítico.

No entanto, a geofísica apenas "disponibiliza" a imagem, não dando informações concretas sobre o que se vê na mesma. Ainda assim, os resultados preliminares da "radiografia" levaram a que se começasse a trabalhar nessa parte do terreno, para ser possível perceber a dinâmica de evolução do uso do território. Como consequência, já está a descoberto uma pequena parte desse sistema de pedra no tal rectângulo com os tais 15 metros de comprimento.

Mesmo ao lado das pedras podem ser vistos depósitos e estruturas também do Calcolítico, mais precisamente de há 5000 anos. Na extremidade oposta ao sistema circular encontram-se alguns fornos que se presumem ser de há 5500 anos, do Neolítico Final. A prospecção geofísica permitiu ainda descobrir algumas valas que parecem corresponder a paliçadas, construções constituídas por troncos de madeira.

António Valera, o responsável pelo Núcleo de Investigação Arqueológica, uma área de investigação e desenvolvimento da Era-Arqueologia, mostra-se entusiasmado com a possibilidade de num só espaço poder "estudar um longo período de ocupação" e de, igualmente, ser possível "começar a caracterizar algumas das estruturas [existentes] ".

Espaço onde se podem ver vestigíos com 1500 anos de intervalo
Foto de Raquel Esperança


Preservação assegurada

O complexo arqueológico começou a ser explorado em 1997, um ano depois de se ter percebido a extensão da sua riqueza pré-histórica, após se terem cancelado os trabalhos para se plantar uma nova vinha na Herdade do Esporão, pertencente a José Roquette. Dois terços do complexo estão localizados nesta herdade e são classificados como "reserva arqueológica". O restante espaço encontra-se situado noutros terrenos, mas está sob várias condicionantes, o que dá garantias em relação à preservação do recinto. Além disso, o complexo dos Perdigões tem vantagens de exploração porque não está sob outras construções, como acontece a outros antigos povoados, que mesmo tendo uma maior dimensão do que este não podem ser explorados na sua totalidade.

Já a rede de rega do Alqueva tem feito aparecer zonas com grande interesse arqueológico no Alentejo, que têm conduzido à ideia de que as chamadas "sociedades pré-históricas" são, afinal, mais complexas do que o que se pensava anteriormente.

Miguel Lago, o director da Era-Arqueologia afirma, em relação ao estudo nos Perdigões, que o projecto é "de várias gerações", pois diz que, em poucos anos, não é possível desvendar o "enorme potencial" do recinto.

Essa demora no ritmo de investigação só é possível, segundo Miguel Lago, por ser um projecto privado. Financiado pela Era-Arqueologia, pelo Esporão e pela Sociedade Alentejana de Investimento e Promoção e ainda com o suporte logístico assegurado pela Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, esta pesquisa não sofre pressões de âmbito comercial, o que facilita a adopção dessa "dinâmica diferente". Os interessados na investigação são, normalmente, académicos da área que respeitam directrizes científicas e é com base nas suas análises que poderá ser conseguida uma maior credibilidade para o complexo, tornando possível a continuação da aposta nesse ritmo diferente.

Nesse sentido, o trabalho levado a cabo pelo Departamento de Pré-História da Universidade de Málaga, encabeçado por José Márquez Romero, deverá apresentar resultados definitivos da investigação feita num fosso a nordeste do recinto, no início do próximo ano. Para já, foram descobertos cornos de bovino e mandíbulas de porco na sua escavação, onde, ao longo dos anos, têm sido encontrados outros restos de fauna, segundo disse Miguel Lago. A equipa espanhola ambiciona descobrir se o enchimento desse fosso desde a sua abertura decorreu de forma natural e aleatória, ou se, de outra maneira, resultou de uma acção ritual dos povos que habitavam a área.

Estes artefactos agora conhecidos juntam-se assim, por exemplo, a uma mandíbula humana ou a figuras zoomórficas, como uma minúscula forma milenar de um coelho, presentes no museu arqueológico da herdade.


In: Público
13.08.2009 - 10h00
Diogo Cavaleiro

Arte Rupestre em Arronches

Uma equipa da Universidade de Évora acaba de descobrir uma gruta com arte rupestre, em Arronches, no limite Sul do Parque Natural da Serra de S. Mamede.
Os trabalhos arqueológicos em curso na zona fazem parte do projecto ARA (Arte Rupestre de Arronches), desenvolvido em parceria com as Universidades de Alcalá de Henares e Extremadura (Badajoz) e a Universidade de Évora.



Junto ao Pego do Inferno, na Ribeira de Abrilongo, aberta nas cristas quartzíticas da freguesia da Esperança, no concelho de Arronches a equipa de Arqueologia da Universidade de Évora identificou uma nova e ampla gruta natural com pinturas rupestres. A recente descoberta só foi possível graças a informações prestadas por João Catarro e inscreve-se no Projecto ARA ( Arte Rupestre de Arronches ), apoiado pela Câmara Municipal de Arronches, desenvolvido por uma equipa de Arqueologia da Universidade de Évora, em colaboração coma as universidades espanholas de Extremadura e Alcalá de Henares. A gruta agora identificada apresenta pinturas esquemáticas, maioritariamente antropomórficas, de cor vermelho escuro, semelhantes às que desde 1914 começaram a ser reconhecidas noutros abrigos naturais existentes nesta freguesia. Os estudos arqueológicos do projecto ARA iniciaram-se em Abril de 2009, coordenados pelo arqueólogo Jorge de Oliveira, permitiram identificar para além desta nova gruta outros pequenos abrigos, até agora desconhecidos, igualmente com presença de arte rupestre pintada. Elevam-se, assim, para sete os locais até agora identificados com presença de arte rupestre pintada, reconhecendo-se neste concelho o maior conjunto de arte rupestre pintada identificada, até agora, em Portugal. Para além de trabalhos de prospecção a equipa da Universidade de Évora, constituída por alunos da licenciatura e mestrado de Arqueologia, tem vindo a proceder ao decalque e fotografia exaustivos dos painéis pintados existentes nas grutas já conhecidas e respectivo levantamento topográfico, bem como a sondagens arqueológicas nas imediações da Lapa dos Gaivões. Estas escavações possibilitaram identificar muros pertencentes a prováveis cabanas contemporâneas de algumas das fases das pinturas pré-históricas. A ampla gruta agora identificada, Gruta do Pego do Inferno, localiza-se num local paradisíaco mas de muito difícil acesso, prevendo-se que a sua visita só possa ser efectuada com guias, a partir do futuro Centro de Interpretação da Arte Rupestre que a Câmara Municipal de Arronches se prepara para instalar num antigo lagar de azeite situado na povoação da Esperança. A arte rupestre da Esperança inscreve-se no grupo de arte esquemática, que emerge com o fim da última glaciação, prolongando-se até aos inícios da Idade dos Metais, podendo, nesta região, recuar até quinto milénio antes de Cristo

in:
http://www.dhis.uevora.pt/noticias_e_informacoes/noticias/investigacao/descoberta_arqueologica


publicado a:
17/07/2009 18:56