quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Sondagem II

Sobre a nossa segunda sondagem, DAS VÁRIAS ÁREAS DAS ARQUEOCIÊNCIAS E DA PALEOECOLOGIA HUMANA, QUAL A QUE MAIS TE INTERSSA?, aqui ficam os resultados:



BIOANTROPOLOGIA:
"A Bioantropologia define-se como a disciplina que estuda a origem, evolução e diversidade da espécie humana. Na sua vertente que se debruça sobre o passado, a disciplina baseia-se em vários indícios para elaborar a história do nosso passado, desde o esqueleto ao ADN (ácido desoxirribonucleico), passando pelas assinaturas químicas detentoras de informação sobre modos de vida (oligoelementos e isótopos estáveis). Contudo, o instrumento básico de trabalho em Paleoantropologia é o esqueleto humano, já que é dele que se extraem todas estas informações, macro- ou microscópicas".

GEOARQUEOLOGIA:
"A Área de Geoarqueologia pretende disponibilizar à comunidade científica portuguesa a utilização dos instrumentos das ciências da Terra no quadro da investigação arqueológica, numa perspectiva integrada e multidisciplinar.
A aproximação geoarqueológica tem como finalidade última a compreensão das inter-relações entre o ambiente físico e as comunidades humanas do passado, através do estudo das modificações do território, da utilização dos recursos naturais, do impacte antrópico, dos processos de formação e de conservação dos sítios arqueológicos, etc".

PALEOBOTÂNICA:
"Os territórios antigos revelam-se através do estudo dos depósitos micro-estratificados dos pântanos e lagoas e dos sedimentos e estruturas arqueológicas.
Nesta investigação utiliza-se a análise polínica, que estuda ao microscópio as associações de grãos de pólen, esporos, e outras micro-estruturas de origem biológica, preservadas através dos tempos em condições particulares. São micro-partículas produzidas aos biliões, que o vento transporta a todo o lado, e que desta forma reflectem vastas regiões, em tornos dos sítios estudados".

PALEOTECNOLOGIA LÍTICA:
"A perspectiva tecnológica aplicada ao estudo das indústrias líticas é um campo autónomo de investigação, que visa reconstituir não só os processos e as modalidades de fabrico do equipamento de caça e de uso doméstico das comunidades humanas do Passado, mas também o artesão, o indivíduo que opera na matéria através do gesto, que a transforma segundo determinados esquemas mentais e a sua própria tradição enquanto membro de um grupo, de uma cultura, com um Tempo e um Espaço próprios."

ZOOARQUEOLOGIA:
"A Zoo-Arqueologia estuda os restos faunísticos encontrados nos sítios arqueológicos. Permite-nos ampliar a compreensão do passado, trazendo respostas a questões quer de carácter ambiental ou económico, quer relativas aos próprios animais e ao conhecimento dos factores que foram responsáveis pela sua incorporação e conservação naqueles contextos".



Bibliografia:
MATEUS, José Eduardo e MORENO-GARCÍA, Marta (2003)

Paleoecologia Humana e Arqueociências: um Programa Multidisciplinar para a Arqueologia sob a Tutela da Cultura. Trabalhos de Arqueologia 29. IPA: Lisboa.

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3ª Jornadas Monte Molião

A Câmara Municipal de Lagos celebra, no próximo dia 21 de Agosto, as 3as Jornadas de Portas Abertas «Monte Molião». A escavação pode ser visitada entre as 9h e as 12h. A partir das 16h inicia-se a sessão de conferências, no Auditório dos Paços do Concelho Século XXI, conforme programa em anexo.



Com esta iniciativa, a Câmara Municipal de Lagos procura consolidar o relacionamento entre a população de Lagos e a estação arqueológica de Monte Molião, ex-libris desta cidade.

Complexo dos Perdigões tem 1500 anos de Pré-História ...

Fornos com 5500 anos e um sistema circular de pedras com 4000 anos estão contidos num pequeno rectângulo com 15 metros de comprimento. No Complexo Arqueológico dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, é possível olhar para estas estruturas, que correspondem a um período de 1500 anos, sem sair do mesmo local. Este é um importante resultado das explorações arqueológicas no recinto, a cargo da empresa Era-Arqueologia, e que foi possibilitado graças ao uso de uma prospecção geofísica, técnica que permite fazer uma espécie de radiografia ao terreno.

A sondagem, feita no âmbito do projecto de colaboração com a Universidade de Málaga, levou a que se percebesse que uma mancha escura, já visível no território da Herdade do Esporão nas fotografias aéreas, correspondia a uma estrutura circular feita de pedra com um diâmetro compreendido entre os 15 e os 20 metros e que data, possivelmente, do final do 3.º milénio a.C., ou seja, tem cerca de 4000 anos, pertencendo, assim, ao período Calcolítico.

No entanto, a geofísica apenas "disponibiliza" a imagem, não dando informações concretas sobre o que se vê na mesma. Ainda assim, os resultados preliminares da "radiografia" levaram a que se começasse a trabalhar nessa parte do terreno, para ser possível perceber a dinâmica de evolução do uso do território. Como consequência, já está a descoberto uma pequena parte desse sistema de pedra no tal rectângulo com os tais 15 metros de comprimento.

Mesmo ao lado das pedras podem ser vistos depósitos e estruturas também do Calcolítico, mais precisamente de há 5000 anos. Na extremidade oposta ao sistema circular encontram-se alguns fornos que se presumem ser de há 5500 anos, do Neolítico Final. A prospecção geofísica permitiu ainda descobrir algumas valas que parecem corresponder a paliçadas, construções constituídas por troncos de madeira.

António Valera, o responsável pelo Núcleo de Investigação Arqueológica, uma área de investigação e desenvolvimento da Era-Arqueologia, mostra-se entusiasmado com a possibilidade de num só espaço poder "estudar um longo período de ocupação" e de, igualmente, ser possível "começar a caracterizar algumas das estruturas [existentes] ".

Espaço onde se podem ver vestigíos com 1500 anos de intervalo
Foto de Raquel Esperança


Preservação assegurada

O complexo arqueológico começou a ser explorado em 1997, um ano depois de se ter percebido a extensão da sua riqueza pré-histórica, após se terem cancelado os trabalhos para se plantar uma nova vinha na Herdade do Esporão, pertencente a José Roquette. Dois terços do complexo estão localizados nesta herdade e são classificados como "reserva arqueológica". O restante espaço encontra-se situado noutros terrenos, mas está sob várias condicionantes, o que dá garantias em relação à preservação do recinto. Além disso, o complexo dos Perdigões tem vantagens de exploração porque não está sob outras construções, como acontece a outros antigos povoados, que mesmo tendo uma maior dimensão do que este não podem ser explorados na sua totalidade.

Já a rede de rega do Alqueva tem feito aparecer zonas com grande interesse arqueológico no Alentejo, que têm conduzido à ideia de que as chamadas "sociedades pré-históricas" são, afinal, mais complexas do que o que se pensava anteriormente.

Miguel Lago, o director da Era-Arqueologia afirma, em relação ao estudo nos Perdigões, que o projecto é "de várias gerações", pois diz que, em poucos anos, não é possível desvendar o "enorme potencial" do recinto.

Essa demora no ritmo de investigação só é possível, segundo Miguel Lago, por ser um projecto privado. Financiado pela Era-Arqueologia, pelo Esporão e pela Sociedade Alentejana de Investimento e Promoção e ainda com o suporte logístico assegurado pela Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, esta pesquisa não sofre pressões de âmbito comercial, o que facilita a adopção dessa "dinâmica diferente". Os interessados na investigação são, normalmente, académicos da área que respeitam directrizes científicas e é com base nas suas análises que poderá ser conseguida uma maior credibilidade para o complexo, tornando possível a continuação da aposta nesse ritmo diferente.

Nesse sentido, o trabalho levado a cabo pelo Departamento de Pré-História da Universidade de Málaga, encabeçado por José Márquez Romero, deverá apresentar resultados definitivos da investigação feita num fosso a nordeste do recinto, no início do próximo ano. Para já, foram descobertos cornos de bovino e mandíbulas de porco na sua escavação, onde, ao longo dos anos, têm sido encontrados outros restos de fauna, segundo disse Miguel Lago. A equipa espanhola ambiciona descobrir se o enchimento desse fosso desde a sua abertura decorreu de forma natural e aleatória, ou se, de outra maneira, resultou de uma acção ritual dos povos que habitavam a área.

Estes artefactos agora conhecidos juntam-se assim, por exemplo, a uma mandíbula humana ou a figuras zoomórficas, como uma minúscula forma milenar de um coelho, presentes no museu arqueológico da herdade.


In: Público
13.08.2009 - 10h00
Diogo Cavaleiro

Arte Rupestre em Arronches

Uma equipa da Universidade de Évora acaba de descobrir uma gruta com arte rupestre, em Arronches, no limite Sul do Parque Natural da Serra de S. Mamede.
Os trabalhos arqueológicos em curso na zona fazem parte do projecto ARA (Arte Rupestre de Arronches), desenvolvido em parceria com as Universidades de Alcalá de Henares e Extremadura (Badajoz) e a Universidade de Évora.



Junto ao Pego do Inferno, na Ribeira de Abrilongo, aberta nas cristas quartzíticas da freguesia da Esperança, no concelho de Arronches a equipa de Arqueologia da Universidade de Évora identificou uma nova e ampla gruta natural com pinturas rupestres. A recente descoberta só foi possível graças a informações prestadas por João Catarro e inscreve-se no Projecto ARA ( Arte Rupestre de Arronches ), apoiado pela Câmara Municipal de Arronches, desenvolvido por uma equipa de Arqueologia da Universidade de Évora, em colaboração coma as universidades espanholas de Extremadura e Alcalá de Henares. A gruta agora identificada apresenta pinturas esquemáticas, maioritariamente antropomórficas, de cor vermelho escuro, semelhantes às que desde 1914 começaram a ser reconhecidas noutros abrigos naturais existentes nesta freguesia. Os estudos arqueológicos do projecto ARA iniciaram-se em Abril de 2009, coordenados pelo arqueólogo Jorge de Oliveira, permitiram identificar para além desta nova gruta outros pequenos abrigos, até agora desconhecidos, igualmente com presença de arte rupestre pintada. Elevam-se, assim, para sete os locais até agora identificados com presença de arte rupestre pintada, reconhecendo-se neste concelho o maior conjunto de arte rupestre pintada identificada, até agora, em Portugal. Para além de trabalhos de prospecção a equipa da Universidade de Évora, constituída por alunos da licenciatura e mestrado de Arqueologia, tem vindo a proceder ao decalque e fotografia exaustivos dos painéis pintados existentes nas grutas já conhecidas e respectivo levantamento topográfico, bem como a sondagens arqueológicas nas imediações da Lapa dos Gaivões. Estas escavações possibilitaram identificar muros pertencentes a prováveis cabanas contemporâneas de algumas das fases das pinturas pré-históricas. A ampla gruta agora identificada, Gruta do Pego do Inferno, localiza-se num local paradisíaco mas de muito difícil acesso, prevendo-se que a sua visita só possa ser efectuada com guias, a partir do futuro Centro de Interpretação da Arte Rupestre que a Câmara Municipal de Arronches se prepara para instalar num antigo lagar de azeite situado na povoação da Esperança. A arte rupestre da Esperança inscreve-se no grupo de arte esquemática, que emerge com o fim da última glaciação, prolongando-se até aos inícios da Idade dos Metais, podendo, nesta região, recuar até quinto milénio antes de Cristo

in:
http://www.dhis.uevora.pt/noticias_e_informacoes/noticias/investigacao/descoberta_arqueologica


publicado a:
17/07/2009 18:56

sábado, 25 de julho de 2009

As primeiras comunidades do Homem moderno no Algarve ocidental: caracterização paleotecnológica e paleoetnográfica das comunidades gravetenses ...

ORIENTADOR:
Doutor Nuno Gonçalo Viana Pereira Ferreira Bicho

TÍTULO DA DISSERTAÇÃO:
As primeiras comunidades do Homem moderno no Algarve ocidental: caracterização paleotecnológica e paleoetnográfica das comunidades gravetenses e proto-solutrenses de Vale Boi (Algarve, Portugal)

Provas para a obtenção do grau de Mestre em Arqueologia – Especialização em Teoria e Métodos da Arqueologia (2.º ciclo), pelo licenciado João Manuel Figueiras Marreiros.

DATA: Segunda, 27 de Julho de 2009 às 16:30
LOCAL: Campus de Gambelas - Sala 2.35 da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

Modelos preditivos em SIG na localização de sítios arqueológicos de cronologia mesolítica no Vale do Tejo

ORIENTADOR:
Doutor Nuno Gonçalo Viana Pereira Ferreira Bicho

TÍTULO DA DISSERTAÇÃO:
Modelos preditivos em SIG na localização de sítios arqueológicos de cronologia mesolítica no Vale do Tejo

Provas para a obtenção do grau de Mestre em Arqueologia – Especialização em Teoria e Métodos da Arqueologia (2.º ciclo), pela licenciada Célia Maria Alves Gonçalves.

DATA: Segunda, 27 de Julho de 2009 às 14:30
LOCAL: Campus de Gambelas - Sala 2.35 da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

Tecnologia lítica solutrense do abrigo de Vale Boi

ORIENTADOR:
Doutor Nuno Gonçalo Viana Pereira Ferreira Bicho

TÍTULO DA DISSERTAÇÃO:
Tecnologia lítica solutrense do abrigo de Vale Boi

Provas para a obtenção do grau de Mestre em Arqueologia – Especialização em Teoria e Métodos da Arqueologia (2.º ciclo), pelo licenciado João Miguel Mico Cascalheira.

DATA: Segunda, 27 de Julho de 2009 às 11:30
LOCAL: Campus de Gambelas - Sala 2.35 da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Encontrado registo mais antigo de canibalismo em Espanha

Osso com 1,3 milhões de anos prova prática

1,3 milhões de anos os antepassados dos homens comiam os seus congéneres, pelo menos na Europa. Um fragmento de um úmero encontrado no local arqueológico Sima del Elefante, na serra de Atapuerca, em Burgos, na Espanha, mostrava marcas feitas para retirar a medula do interior do osso, tipicamente feitas pelos nossos antepassados. Esta é a prova mais antiga que se conhece de um acto de canibalismo.

Gala Gómez, membro do IPHES, mostra o úmero.


O úmero tinha marcas feitas por utensílios de pedra quando se quer retirar a carne, iguais aos fósseis de animais encontrados no mesmo local. “É claro que alguém tentava retirar a medula do osso, que é muito apreciada na alimentação. Tratava-se de uma humanidade muito primitiva, eram 400 mil anos mais antigos que o Homo antecessor de Gran Dolina”, explicou José María Bermúdez de Castro, co-directora das escavações.

Há muitos casos de canibalismo documentados no outro local referido pela paleontóloga. Os investigadores questionam uma possível relação entre os dois locais, embora estejam bastante afastados no tempo.

Existe a possibilidade de terem tido uma origem comum no Próximo Oriente, mas que sejam descendentes uns dos outros. Outra possibilidade, que me parece mais possível, é que tiveram uma origem comum, mas chegaram aqui em vagas diferentes”, sugere Bermúdez de Castro.

No caso de Gran Dolina, sabe-se que o canibalismo era devido a uma luta de território, por ser mais quente e com muita água, e por isso era muito procurado. Os que conseguiam matar os competidores comiam-nos.


in PÚBLICO
15.07.2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quaternary International


Volume 203, Issues 1-2, Pages 1-128 (1 July 2009)
Humans and Environment in Pleistocene and Holocene, Evolution of Waterways and early Settlement of Northern Europe
Edited by Andrei Velichko, E.I. Kurenkova and Pavel M. Dolukhanov

Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology


Volume 279, Issues 1-2, Pages 1-130 (1 August 2009)


link

Instrumento com cerca de 35 mil anos

Descoberta flauta em osso de grifo que é o instrumento musical mais antigo

Uma flauta de osso com mais de 35 mil anos encontrada no sudoeste da Alemanha é o instrumento musical mais antigo do mundo — os mais antigos que se conheciam até agora remontavam há 30 mil anos.

Doze pedaços da flauta, com 21,8 centímetros de comprimento e oito milímetros de diâmetro, foram encontrados em 2008 na gruta de Hohle Fels, perto de achados que têm entre 29 mil e 37 mil anos, relatam hoje os investigadores na revista Nature.


O instrumento foi talhado em ossos de grifo (uma espécie de abutre), que tem entre 230 e 265 centimetros de envergadura e cujos ossos são “perfeitos para fabricar grandes flautas”, escrevem Nicholas Conard, Susanne Muenzel e Maria Malina, da Universidade de Tubingen e da Academia de Ciências. “A superfície e a estrutura da flauta estão em excelente estado e revelam muitos dados sobre o seu fabrico”, dizem, citados pela AFP.

O instrumento tem cinco buracos e quatro riscas que “serviriam para marcar a posição onde os buracos deviam ser furados”, usando pedras grosseiramente talhadas. A flauta tem também dois talhos profundos em forma de “V” numa das pontas, que serviriam para criar um bico.

Foram também encontrados fragmentos de flautas em marfim. “A técnica para fazer flautas de marfim é mais complexa do que usando ossos de aves”, sublinha um comunicado da universidade de Tubingen.

Em Hohle Fels, a equipa de Nicholas Conard descobriu também uma estatueta com 35.000 anos, já descrita numa revista científica, que é a mais antiga representação do corpo feminino.


24.06.2009
21h25 Agências
in, Público