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sexta-feira, 9 de julho de 2010

A estrada da evolução

A área do curso médio do rio Awash, na Etiópia, é a região da Terra com uma~ocupação humana mais persistente. Há quase seis milhões de anos que membros da nossa linhagem ali vivem. Entretanto, a erosão solta ossadas do solo. Caso a caso, elas documentam a maneira como um primata foi evoluindo até conquistar o planeta. Haverá melhor sítio para perceber como nos tornámos humanos? 

Fotografia por Tim D. Branca. Reconstrução digital do Ardipithecus ramidus, modelado em resina.

A vida é frágil em África, mas alguns restos mortais têm uma história para contar. A bacia de Afar localiza-se mesmo em cima de uma falha, em alargamento, da crosta terrestre. Ao longo das eras, os vulcões, os terramotos e a lenta acumulação de sedimentos convergiram entre si para enterrar as ossadas e, muito mais tarde, as devolverem à superfície sob a forma de fósseis. De acordo com o paleoantropólogo Tim White, da
Universidade da Califórnia, “há milhões de anos que morrem pessoas neste lugar. De vez em quando, temos a sorte de descobrir aquilo que delas resta”.
No passado mês de Outubro, o projecto de investigação Middle Awash, co-dirigido por Tim White juntamente com os colegas Berhane Asfaw e Giday WoldeGabriel, anunciou um achado produzido 15 anos antes: a descoberta do esqueleto de um membro da família humana morto há 4,4 milhões de anos num local denominado Aramis, cerca de trinta quilómetros a norte do lago Yardi. Pertencente à espécie Ardipithecus ramidus, esta adulta (baptizada “Ardi”) tem mais de um milhão de anos do que a famosa Lucy e fornece informação sobre um dos problemas--chave da evolução: a natureza do antepassado que partilhamos com os chimpanzés.

Texto de Jamie Shreeve
Reportagem completa in nationalgeographic do mês de Julho.

terça-feira, 29 de junho de 2010

"Hobbits" não eram apenas homens pequenos

Análise aos ossos encontrados do homo florensiensis prova que não sofriam de cretinismo
Hobbits encontrados mediam um metro de altura
Hobbits encontrados mediam um metro de altura
Um estudo, a ser publicado no início de Junho no Journal of Comparative Human Biology, garante que o homo floresiensis, conhecido mais popularmente por hobbit, que vivia na ilha das Flores, na Indonésia, não se tratava de um ser humano com nanismo, como vinha sendo sustentado até então.
Os hobbits viveram há 18 mil anos e eram uma espécie separada de hominídeos. Em 2003, foram descobertos restos de uma fêmea que media um metro e pesava trinta quilos. Depois desta descoberta, vários cientistas encontraram outros indivíduos com características semelhantes na ilha indonésia.
Inicialmente, acreditava-se que se tratava de uma nova espécie de hominídeo e estes seres pequenos foram apelidados de hobbits, em homenagem às personagens de «O Senhor dos Anéis», do escritor J.R.R. Tolkien.
Em 2008, Peter Obendor, da Universidade RMIT, em Melbourne, na Austrália, afirmou que os restos encontrados eram de humanos modernos que sofriam de cretinismo, uma doença causada pela falta de iodo.
No estudo publicado esta semana, Colin Groves, da Universidade Nacional da Austrália, em Camberra, comparou os ossos encontrados nas Flores com os de dez pessoas que sofriam de cretinismo.
Colin Groves, bioantropólogo, autor do estudo
Colin Groves, bioantropólogo, autor do estudo
O investigador focou o trabalho nas características anatómicas típicas da doença, muito semelhantes ao nanismo.
A conclusão do estudo não deixou margem para dúvidas: não havia qualquer sobreposição entre as características de cretinismo nos humanos e nos ossos encontrados na ilha das Flores.

Mescla anatómica intriga cientistas
A anatomia do homo floresiensis tem características do Australopiteco e do Homo Erectus com outras do Homo Sapiens.
A altura é semelhante à dos Australopithecus mas a estrutura do crânio e a dentição já são mais parecidas à do Homo Erectus. As mãos são desenvolvidas mas de pequena dimensão, assemelham-se às do Homo Sapiens.
Há ainda várias hipóteses teóricas sobre a extinção destes pequenos homens. Uns acreditam que a competição com o homem moderno acabou com a espécie e outros apostam numa erupção vulcânica ocorrida na ilha.

2010-06-28

terça-feira, 11 de maio de 2010

Seres humanos carregam herança genética de Neandertais

Cientistas do Instituto Max Plank sequenciaram genoma do Neandertal e compararam-no com humanos modernos
Svante Päabo, do Instituto Max Plank, liderou o estudo

O Homo sapiens sapiens actual, da Europa e da Ásia, tem entre um e quatro por cento de DNA Neandertal, o hominídeo que desapareceu há 30 mil anos. Esta é a conclusão de um estudo realizado por investigadores do Instituto Max Plank, na Alemanha, publicado sexta-feira na revista «Science».
Durante quatro anos, os investigadores estudaram e sequenciaram o genoma do Neandertal. Analisaram diversos fragmentos extraídos de ossos desta espécie extinta, que tinham sido encontrados na Croácia, Rússia, Alemanha e Espanha. Depois, compararam os dados com humanos actuais da Europa, da Ásia e de África.
O director do Departamento de Genética Evolutiva do Instituto Max Plank, que liderou a investigação, Svante Päabo, destaca esta descoberta como fundamental para o conhecimento da evolução humana.
Muitos investigadores tinham sérias dúvidas sobre o possível cruzamento entre os primeiros sapiens e os Neandertais, apesar de terem já aparecido vários esqueletos que indicavam existir hibridação. Contudo, apenas agora foi possível provar com dados genéticos essa teoria.
O homem de Neandertal apareceu no Próximo Oriente e na Europa há 400 mil anos, 200 mil anos antes do sapies sapiens existir e se ter começado a espalhar pelo mundo a partir de África. Os primeiros cruzamentos terão acontecido no Médio Oriente, entre 80 mil e 50 mil anos atrás.
O genoma neandertal foi comparado com o de cinco humanos actuais da África Meridional e Ocidental, de França, da China e da Papua Nova Guiné. O estudo revelou que o Neandertal partilha 99,7 por cento dos genes do sapiens sapiens.
No entanto, apenas dos seres humanos que habitam fora de África têm a herança genética dos Neandertais, o que reforça a ideia de que o cruzamento terá mesmo acontecido.

Artigos:

In: CiênciaHoje
2010-05-10

quinta-feira, 29 de abril de 2010

«Darwin Now» inaugurada hoje no Museu Nacional de Historia Natural de Lisboa

O Museu Nacional de História Natural de Lisboa inaugura hoje a exposição "Darwin Now", uma iniciativa promovida pelo British Council que pretende dar a conhecer a vida e obra do autor da teoria da evolução, Charles Darwin.
"Darwin Now é a contribuição do nosso instituto para celebrar os 200 anos do nascimento de Darwin e dos 150 da publicação da Origem das Espécies. É uma exposição simples dirigida sobretudo ao público escolar e àqueles que conhecem pouco de Darwin e que, em poucos minutos, podem ficar a perceber melhor as marcas que o seu trabalho deixou na Humanidade", explicou à agência Lusa a responsável da exposição e do instituto British Council, Fátima Dias.


Iniciativa é promovida pelo British Council

A exposição, que ficará patente até ao final deste ano, é composta por 14 placares onde se expõem várias temáticas relacionadas com a vida de Darwin, com a sua obra Origem das Espécies e as reacções que esta gerou, nomeadamente junto da Igreja Católica.
"O confronto entre Ciência e Religião é uma das questões que salta mais à vista quando falamos de Charles Darwin. Além disso, esta exposição como foi elaborada por britânicos tem a particularidade de nos dar a conhecer uma visão britânica deste autor", apontou a responsável.
A inauguração da exposição de Charles Darwin, que irá posteriormente percorrer vários centros de Ciência Viva do país, vai ser antecedida por uma palestra sobre o autor proferida por Nuno Ferran, da Universidade do Porto, e por Randal Keynes, tetra neto de Darwin.

No ano passado foi comemorado o bicentenário do nascimento de Darwin

Charles Darwin, de quem se comemorou em 2009 o bicentenário do nascimento, revolucionou a percepção da vida na Terra e fundou a biologia moderna ao defender que todas as espécies descendem de um antepassado comum. Essa teoria da evolução está exposta no seu livro fundamental, A Origem das Espécies, de que se celebrou também em 2009 os 150 anos da sua publicação.
O livro, que esgotou em poucos dias, alcançou um sucesso imediato, mas desencadeou vivas reacções das autoridades religiosas, que viram nas suas ideias uma contestação da doutrina cristã da criação do mundo.
Darwin morreu em 19 de abril de 1882 aos 73 anos. Está enterrado na Abadia de Westminster, em Londres, onde repousam também os restos mortais do físico Isaac Newton. Nos últimos 150 anos, o pensamento darwinista foi completado com a contribuição da genética e mais recentemente através do novo desenvolvimento da biologia evolutiva.

In: Ciência Hoje
2010-04-29

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Antropóloga portuguesa publica livro sobre como nos tornámos humanos

É o primeiro livro de divulgação científica de Eugénia Cunha, antropóloga forense e especialista em evolução humana. "Como nos Tornámos Humanos", publicado pela Imprensa da Universidade de Coimbra, e que vai ser lançado no próximo dia 13 (no Museu da Ciência daquela universidade, às 17h30), cabe no bolso do casaco, ou não tivesse só 17 por 12 centímetros. Mas contém tudo o que é essencial para compreender o que se lê e ouve sobre evolução humana.

Eugénia Cunha é especialista em evolução humana da Universidade de Coimbra
(Paulo Ricca/PÚBLICO)

Tem as descobertas importantes de fósseis, numa espécie de "quem é quem" dos protagonistas da nossa história evolutiva, sistematiza os conhecimentos, traça o "estado da arte", tudo de forma concisa e simples. Inclui referências a alguns achados portugueses, como a criança do Lapedo, com 24 mil anos ("o mais importante fóssil humano alguma vez descoberto em Portugal").
Nesta história, já sabemos como tudo acaba: somos agora a única espécie de humanos ("Homo sapiens"), mas houve muitas outras, como o "Homo habilis", o "Homo erectus" ou o "Homo neanderthalensis", algumas coexistiram, e descobrir como chegámos até aqui faz-nos continuar a ler.
"O que nos torna humanos constitui uma incrível questão científica", lê-se no início. "O destaque da imprensa à nossa história natural fundamenta-se por se tratar das nossas origens, de saber quem foi o 'big daddy', enfim compreender por que somos como somos."
Eugénia Cunha leva-nos, assim, numa viagem com início há 55 milhões de anos, quando surgiram os primatas, e, com grande parte da acção em África, conta como nos fomos tornando no que somos: bípedes, com cérebros grandes, fabricantes de ferramentas, com uma linguagem articulada e produtores de símbolos.

In Público
09.04.2010 - 12:52
Por Teresa Firmino

Novo australopiteco identificado é candidato a antepassado directo do «Homo»

Dois esqueletos descobertos na África do Sul revelam nova espécie baptizada como «Australopithecus sediba»
A descoberta de uma nova espécie de Australopithecus foi hoje anunciada na revista «Science». Baptizada como Australopithecus sediba, foi revelada através da análise de esqueletos de uma mulher e de uma criança com dois milhões de anos encontrados na África do Sul.
Esta descoberta pode ajudar os investigadores a perceberem melhor a evolução que deu origem ao género humano. O A. sediba (sediba significa “fonte” ou “origem” em língua Sesotho, um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul) tem características tipicamente primitivas dos australopitecos e de seres mais avançados, como os do género homo. Os cientistas chegam mesmo a perguntar-se este é um australopiteco ou o primeiro representante do género Homo.

Restos dos dois exemplares encontrados

Lee Berger, da Universidade sul-africana de Witwatersrand, que dirigiu a investigação, defende que este se trata de um bom candidato a “espécie de transição” entre os Australopithecus africanus e o Homo habilis, ou, até, a ser o antepassado directo de Homo erectus.
Os fósseis foram encontrados entre escombros no fundo de um sistema de cavernas esculpidas pela erosão de um rio, a 40 quilómetros de Joanesburgo. Os restos mortais estavam misturados com outros animais (tigres de dentes de sabre, ratos, coelhos e antílopes).

Crânio do «Australopithecus sediba»

Durante os dois anos de investigação, os fósseis foram submetidos a vários tratamentos para se conseguir separar os ossos da rocha em que foram incorporados.
As análises revelaram que os esqueletos tinham braços compridos, mãos curtas e fortes, pélvis bastante evoluída e pernas compridas e perfeitamente capazes se suportarem o bipedismo. Ambos mediam 127 centímetros, a mulher pesada 33 quilogramas e o jovem 27 no momento da morte.
O tamanho dos seus cérebros varia entre os 420 e os 450 centímetros cúbicos. Apesar de pequenos do que o cérebro de um humano actual (1200-1600 centímetros cúbicos) a sua forma parece ser muito mais evoluída do que a dos australopitecos já conhecidos. De resto, a estrutura óssea faz lembrar as primeiras espécies do género Homo.

In: CiênciaHoje, 8-05-2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

“Australopithecus sediba”, a nova estrela da paleoantropologia

Descoberto novo australopiteco mais parecido connosco do que os outros
Imaginamos se seriam mãe e filho. Ou como foram parar ao lago que existia no fundo de uma gruta. Ou se morreram ao mesmo tempo. Tudo mistérios em torno de uma mulher e de um rapaz que viveram há quase dois milhões de anos, cujos ossos foram encontrados na África do Sul há cerca de um ano e meio e que hoje estão na capa da revista “Science” como uma das descobertas mais importantes nos últimos tempos relativas a um antepassado humano.

Foto de Brett Eloff, cedida por Lee Berger
( Universidade de Witwatersrand) (Brett Eloff)

Eis o “Australopithecus sediba”, a nova estrela da paleoantropologia, que tem mais características em comum com os primeiros representantes do nosso próprio género (o Homo) do que qualquer outro australopiteco conhecido até agora. Portanto, pode ajudar a desvendar quem foi o antepassado que deu origem ao género humano.
Entre as muitas grutas no território que agora é a África do Sul, existia uma que não tinha tecto há cerca de 1,9 milhões de anos e era funda. A mulher e o rapaz terão caído nessa gruta e ali permaneceram durante dias ou semanas. Os corpos foram depois arrastados até a um lago subterrâneo, talvez por uma chuvada, e aí acabaram por ser cobertos por sedimentos. Ao longo de dois milhões de anos, os sedimentos foram por sua vez sendo arrastados até que os fósseis ficaram expostos.
Em Março de 2008, Lee Berger, paleoantropólogo da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, iniciou uma prospecção minuciosa de um local, a 40 quilómetros desta cidade sul-africana, conhecido como o Berço da Humanidade e que a UNESCO classificou como património mundial devido à riqueza de depósitos com fósseis.
Em conjunto com o geólogo Paul Dirks, que entretanto se mudou para a Universidade James Cook, na Austrália, Berger descobriu imensas grutas. Em várias havia fósseis. E, numa delas, em Agosto de 2008, a equipa encontrou os restos de um antepassado dos humanos. Era parte dos ossos de um rapaz que teria entre nove e 13 anos.
No mês seguinte, continuaram as explorações do sítio, conhecido por Malapa. Numa pequena cova, o paleoantropólogo reparou num osso que saía de uma rocha. Atrás desse osso vieram outros, e a equipa estava na presença de um segundo indivíduo — uma mulher, com 20 e tal a 30 e poucos anos.
Mulher e rapaz parecem ter sido arrastados para o interior da gruta por um único fluxo de detritos, o que sugere que as suas mortes ocorreram em momentos muito próximos. Por isso, é provável que se conheçam ou até que tivessem algum grau de parentesco.
Esses sedimentos foram datados como tendo entre 1,7 e 1,9 milhões de anos, pelo que os fósseis devem ter essa idade. (Além de vários ossos dos dois australopitecos, havia na gruta ossos de hienas, antílopes ou felinos com dentes de sabre).

Uma nova espécie
O que têm de especial é um conjunto de características morfológicas que levaram a equipa de cientistas a classificá-los como uma nova espécie de australopiteco. Conheciam-se já pelo menos cinco espécies, todas em África, mas estes dois indivíduos eram diferentes de todas elas em muitos aspectos. Além disso, algumas das suas características verificam-se nos membros do género “Homo” e não nos australopitecos.
Antes de mais, diga-se que os australopitecos eram pré-humanos e que os humanos apareceram precisamente com o género “Homo”. A espécie de australopiteco mais antiga que se conhece viveu há 4,2 milhões de anos e a que agora é anunciada foi a mais recente, com o crânio do jovem a servir para definir a nova espécie e a preencher a capa da “Science” (pelo meio, viveu a famosa Lucy, uma fêmea de “Australopithecus afarensis”, com 3,2 milhões de anos).
O que tinham então aquele rapaz e aquela mulher quer de australopiteco, quer de humano? Tal como os australopitecos, tinham corpos pequenos (ambos com cerca de 1,27 metros de altura e 30 quilos), cérebros também pequenos, braços longos e mãos fortes. Pensa-se que podiam trepar às árvores, mas eram bípedes. Por outro lado, alguns traços do crânio e da bacia e as pernas longas, capazes de andar em passada ou até correr, existem no género humano.
Ora a origem do género “Homo” é alvo de grande debate científico: como seu antepassado, têm sido propostas várias espécies entre os australopitecos (mas não só). O facto de o “Australopithecus sediba” partilhar traços comuns com os humanos pode tornar mais claro este quebra-cabeças evolutivo.
Para baralhar mais as coisas, os primeiros membros do género “Homo” foram datados com 2,4 milhões de anos. Mas o “Australopithecus sediba” foi datado como sendo mais recente, com os tais quase dois milhões de anos, pelo que assim não poderia ter dado origem aos primeiros humanos. Pode então não ter sido ele a fazer a transição directa para o nosso género, mas uma outra espécie que existiu antes dele.
Esta nova espécie é um candidato a antepassado do género ‘Homo’ ou de um grupo irmão, com um antepassado próximo, que persistiu no tempo depois do aparecimento dos primeiros ‘Homo”, escreveu a equipa de Lee Berger na “Science”. “‘Sediba’, que significa ‘fonte natural’ em sotho, uma das 11 línguas oficiais da África do Sul, pareceu o nome apropriado para uma espécie que pode ser o ponto a partir do qual surgiu o género Homo”, conta Berger, na nota de imprensa.
Agora a equipa desafiou as crianças da África do Sul a escolherem um nome comum para o novo rapaz australopiteco. Sugestões?

08.04.2010 - 16:03 Por Teresa Firmino
In Público

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Espécie de hominídeo nunca antes identificado terá vivido na Sibéria há 40 mil anos

Investigadores dizem que serão necessários mais estudos para confirmar a descoberta deste ser
Na Gruta Denisova, na Sibéria, uma equipa de investigadores russos encontrou, durante uma escavação, o osso de um dedo. Foi no Verão de 2005 e na altura os cientistas puseram de parte o achado para o estudarem mais tarde por pensarem tratar-se de o osso de um Neandertal, comum naquela zona e, nomeadamente, naquela caverna. Finalmente, o osso foi analisado e está a surpreender a comunidade científica. Na revista «Nature» está agora publicado o estudo que revela que, provavelmente, se está perante uma espécie de hominídeo com 30 mil anos até agora desconhecido.

Svante Pääbo, do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology

Uma equipa de investigadores do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology extraíram e sequenciaram o DNA do fóssil. De facto, este não coincidia com o do Homo neanderthalensis nem com o homem moderno, que naquela época habitavam aquele espaço.
Os investigadores acreditam que se trata de uma espécie anterior não identificada que saiu de África muito antes dos seus “parentes” conhecidos. Pensa-se que será 500 mil anos mais velha do que os Neandertais. Svante Pääbo, um dos autores deste estudo de âmbito internacional, confessa-se surpreendido por este “resultado inesperado”.

Gruta Denisova, Sibéria

No entanto, este é apenas um estudo preliminar. O cientista Eske Willerslev, do Centro de Geogenética da Universidade de Copenhaga, não envolvido no estudo, aplaude a descoberta mas sublinha que é necessário guardar algumas reservas, pois só com mais estudos se pode confirmar este estudo inicial.
Ainda há muitas perguntas para responder. Na gruta onde se encontrou este ser, designado para já de «Mulher X», foram também encontrados artefactos e ferramentas de pedra e de osso bastante sofisticados. Nas primeiras análises estes objectos não parecem pertencer à cultura mustierense, associada aos Neandertais.
A Caverna Denisova, nos Montes Altai, Sibéria, Rússia, próximo da vila Tchyorny Anui, era já conhecida como uma fonte rica em artefactos mustierenses, de técnica Levallois. Há mais de uma década que investigadores russos do Instituto de Arqueologia e Etnologia de Novosibirsk procuram os autores destes artefactos. Esta descoberta vem enriquecer ainda mais este local.
Agora, os investigadores estão agora a tentar sequenciar o genoma por completo. Se forem bem sucedidos, serão mais antigo genoma humano a ser sequenciado.

In: Ciência Hoje - 2010-03-25

quinta-feira, 25 de março de 2010

Novo hominídeo descoberto por análise de ADN

Homens de Neandertal e modernos não estavam sós há 40 mil anos. Genética identifica outro que era desconhecido.
Viveu lado a lado - na mesma caverna, até, mas talvez em momentos diferentes - com os homens de Neandertal e os homens modernos, há cerca de 40 mil anos, mas até agora desconhecia--se que tivesse existido. Para já chamam-lhe um hominídeo desconhecido, ou referem-se à caverna de Denisova, no Sul da Sibéria, onde foi encontrado o fragmento de osso (uma falange) que permitiu conhecer a sua existência, através de análises de ADN (informação genética). Esse homem já extinto é um novo capítulo na história da evolução humana que hoje começa a ser escrito na revista Nature.
A caverna de Denisova fica nos montes Altai, no Sul da Sibéria, e sabe-se que foi ocupada por seres humanos nos últimos 125 mil anos. Foram ali descobertos inúmeros instrumentos primitivos e alguns ossos. Um deles foi a falange que está a ajudar a rescrever a história humana na sua migração para fora de África e a sua ocupação da Eurásia.


Esta falange foi ali encontrada em 2008 e a equipa de Johannes Krause, do Instituto Max Planck de Antropologia e Evolução, em Leipzig, decidiu olhar para o seu ADN mitocondrial (a informação genética de numa pequena estrutura celular chamada mitocôndria que só é passada por via maternal à descendência). Foi esta mesma equipa que sequenciou o ADN mitocondrial do homem de Neandertal, de um mamute e também de um esquimó que viveu há quatro mil anos.
Foi ao sequenciar aquele ADN que os investigadores se depararam com algo inesperado: aquele perfil não correspondia nem aos neandertais nem aos homem moderno, os únicos dois que se sabia terem existido há 40 mil anos, justamente a datação para o fragmento de osso. Estava encontrado outro homem, que levou também à descoberta de um novo hominídeo (antepassado humano).
Ao contrário de todas as outras descobertas até agora nesta área, em que os fósseis foram a sustentação do novo conhecimento, esta foi a primeira vez que se achou um novo hominídeo através de análises genéticas.
Segundo os investigadores, o antepassado comum ao homem de Denisova e ao homem moderno remonta há um milhão de anos, em África. Ele efectuou a sua própria migração entre há 300 mil e 500 mil anos. O homem moderno saiu de África há 50 mil anos.

In: Diário de Notícias, 25-03-2010

Catalunha em ambiente hostil há um milhão de anos

Estudo de sítio em Vallparadís revela que hominídeos do Pleistoceno Inferior estavam perfeitamente adaptados ao meio ambiente

O estudo de uma série de objectos líticos e de fauna encontrados na Catalunha (Terrasa) demonstra que aquele sítio foi habitado há um milhão de anos por hominídeos. A descoberta vem preencher a lacuna temporal que separa os hominídeos encontrados em Orce (com 1,3 milhões de anos) e o Homo antecessor, de Atapuerca, com 800 mil anos.
Os vestígios foram descobertos entre 2005 e 2007, quando obras de construção de uma estação de caminhos de ferros em Vallparadís destaparam o sítio. As escavações foram realizadas pelo Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES) e pelo Departamento de Pré-História da Universitat Rovira i Virgili (Terragona). Os resultados da investigação estão publicados no «Proceedings of the National Academy of Sciences».

Escavações em Vallparadís realizaram-se entre 2005 e 2007
(créditos: IPHES)

Na costa mediterrânea da Península Ibérica, há um milhão de anos, um hominídeo terá sobrevivido a um meio ambiente hostil graças a uma boa capacidade de adaptação. A fauna da época era composta por predadores como hienas e jaguares, com quem os hominídeos lutavam para sobreviver.
A escavação, dirigida por Joan Garcia e Kenneth Martinez, revelou que uma série de vestígios arqueológicos e paleontológicos do Pleistoceno Inferior. A indústria lítica de Vallparadís pertence ao Olduvaiense, a primeira e menos sofisticada das indústrias humanas. São seixos talhados que serviam para desossar e cortar carne.
Quanto à fauna, era composta maioritariamente por mamíferos herbívoros de grande porte, como cervídeos, equídeos e bovinos. Hipopótamos, elefantes e rinocerontes fazem também parte dos registos, bem como os carnívoros hienas e jaguares.

Quartzo talhado pertence à indústria do Olduvaiense
(créditos: IPHES)

É importante destacar que os restos dos animais herbívoros têm marcas de corte e de fracturas feitas por acção humana. Para os investigadores, este elemento é importante pois demonstra que os hominídeos tinham um acesso primário a estes cadáveres de animais em relação aos outros carnívoros.
Este terá sido o elemento-chave do sucesso adaptativo das primeiras populações ibéricas, já que lhes permitiu avançar com os recursos necessários para garantir a sua sobrevivência. Na verdade, o factor determinante que permitiu a sobrevivência a estes hominídeos que saíram de África foi terem uma dieta à base de carne.
Neste sítio, esses espécimes desenvolveram uma capacidade de adaptação tão grande que não eram selectivos na escolha da presa ou das matérias-primas com que produziam os utensílios. Esta estratégia de adaptação significa que os hominídeos não necessitariam de uma tecnologia muito avançada para explorar os recursos disponíveis.
Os investigadores acreditam que estas primeiras populações europeias sabiam como tirar partido das carcaças encontradas ao longo do rio, tornando-se assim grandes predadores e tomando o lugar dos grandes carnívoros no topo da cadeia alimentar.

In: Ciência Hoje, 2010-03-16

sábado, 27 de fevereiro de 2010

II Mostra de Trabalhos Científicos

No âmbito da XII Semana Cultural da Universidade de Coimbra irá decorrer no Departamento de Ciências da Vida | Antropologia, de 1 a 6 de Março, a II Mostra de Trabalhos Científicos. Esta iniciativa resulta de uma colaboração entre o GEEvH - Grupo de Estudos em Evolução Humana, o CIAS - Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra e o CIBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, e pretende contribuir para a promoção e divulgação da investigação científica realizada.
O evento integra exposições em painel, ateliers pedagógicos direccionados a alunos do Ensino Básico e conferências. Em anexo envia-se o desdobrável promocional.

Ciclo de Conferências:

"Diálogos com a Ciência: na fronteira entre as instituições e o público"

Dia 1 de Março | 15h
Esqueletos saem do armário: a divulgação dos dados antropológicos nacionais
Dra. Cidália Duarte e Dra. Filipa Neto
IGESPAR, I.P.

Dia 2 de Março | 15h
A investigação em Genética no Instituto de Antropologia da Universidade de Coimbra: dos anos 40 à actualidade
Dr. Licínio Manco
Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC e CIAS

Dia 3 de Março | 15h
Mudanças sociais e económicas em Portugal durante o século XX: influência no tamanho e na forma corporal da população
Prof. Dra. Cristina Padez
Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC e CIAS

Dia 4 de Março | 15h
A evolução de sinais e selecção sexual
Prof. Dr. Paulo Gama Mota
Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC e CIBIO

Dia 5 de Março | 17h
As relações das coisas: objectos em exposição
Prof. Dr. Nuno Porto
Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC e CRIA

Local: Anfiteatro 1
Departamento de Ciências da Vida da UC | Antropologia
Entrada livre | Entrega de certificado de presença

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Feet hold the key to human hand evolution

Scientists may have solved the mystery of how human hands became nimble enough to make and manipulate stone tools.


Scientists simulated the change from an ape-like hand to a human-like hand

The team reports in the journal Evolution that changes in our hands and fingers were a side-effect of changes in the shape of our feet.
This, they say, shows that the capacity to stand and walk on two feet is intrinsically linked to the emergence of stone tool technology.
The scientists used a mathematical model to simulate the changes.
Other researchers, though, have questioned this approach.
Campbell Rolian, a scientist from the University of Calgary in Canada who led the study, said: "This goes back to Darwin's The Descent of Man."
"The results are quite exciting"
Paul O'Higgins, Hull York Medical School
"[Charles Darwin] was among the first to consider the relationship between stone tool technology and bipedalism."
"His idea was that they were separate events and they happened sequentially - that bipedalism freed the hand to evolve for other purposes".
"What we showed was that the changes in the hand and foot are similar developments... and changes in one would have side-effects manifesting in the other."

Shape-shifting
To study this, Dr Rolian and his colleagues took measurements from the hands and feet of humans and of chimpanzees.
Their aim was to find out how the hands and feet of our more chimp-like ancestors would have evolved.
The researchers' measurements showed a strong correlation between similar parts of the hand and foot. "So, if you have a long big toe, you tend have a long thumb," Dr Rolian explained.
"One reason fingers and toes may be so strongly correlated is that they share a similar genetic and developmental 'blueprint', and small changes to this blueprint can affect the hand and foot in parallel," he said.
With this anatomical data, the researchers were able to create their mathematical simulation of evolutionary change.

Human ancestors and early humans crafted stone tools
"We used the mathematical model to simulate the evolutionary pressures on the hands and feet," Dr Rolian explained.
This model essentially adjusted the shape of the hands or the feet, recreating single, small evolutionary changes to see what effect they had.


Human ancestors and early humans crafted stone tools

By simulating this evolutionary shape-shifting, the team found that changes in the feet caused parallel changes in the hands, especially in the relative proportions of the fingers and toes.
These parallel changes or side-effects, said Dr Rolian, may have been an important evolutionary stem that allowed human ancestors, including Neanderthals, to develop the dexterity for stone tool technology.
Robin Crompton, professor of anatomy at the UK's Liverpool University, said the study was very interesting but also raised some questions.
"I am not personally convinced that the foot and hand of chimpanzees are a good model [of human ancestors' hands and feet] - the foot of the lowland gorilla may be more interesting in this respect," he told BBC News.
He pointed out that there was a lot more to the functional shape and biomechanics of the human foot than just its proportions.
Paul O'Higgins, professor of anatomy at the Hull York Medical School, UK, said: "The results are quite exciting and will doubtless spur further testing and additional work."

By Victoria Gill
Science reporter, BBC News